Mons. Fernando Ocáriz, prelado do Opus Dei, realiza uma viagem pastoral pela América Central: após visitar a Cidade da Guatemala de 4 a 9 de agosto, ele está agora em Honduras — San Pedro Sula e Tegucigalpa — até o dia 12, antes de seguir para El Salvador.
- Segunda-feira, 10: encontro com famílias em San Pedro Sula
- Terça-feira, 11: encontros com jovens e visita à padroeira de Honduras
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Um encontro no centro Ilama
Na manhã de terça-feira, 11 de agosto, o Padre visitou a Basílica de Nossa Senhora de Suyapa, em Tegucigalpa, acompanhado por algumas pessoas da Obra, para entregar à Virgem Maria as intenções de todos aqueles que está encontrando nestes dias na América Central.
Em seguida, a música deu início ao primeiro encontro do dia, onde risadas, gestos de carinho e perguntas se sucederam sem parar no centro Ilama, onde o Padre se reuniu com um grupo de jovens hondurenhas.
No encontro, houve a oportunidade de relembrar os meses em que o fundador do Opus Dei se refugiou na Legação de Honduras, em Madri, durante a Guerra Civil Espanhola. A mesma Honduras que, naquela época, acolheu São Josemaria e alguns dos primeiros membros da Obra, em um pequeno espaço, recebia agora o Padre em todo o seu território e em um ambiente festivo

Há algum tempo, junto com algumas amigas, Sonia começou a dar catequese todos os sábados. No entanto, ela reconhecia que, às vezes, suas intenções se misturavam: o desejo de causar boa impressão, receber reconhecimento ou simplesmente sentir-se satisfeita consigo mesma. Ela perguntou ao Padre como cuidar do coração e da direção que, às vezes, podemos dar a ele.
Corrigimos nossas motivações quando agimos por amor a Deus: “Temos a tendência de querer causar boa impressão e, por isso, devemos corrigir a intenção. Não devemos nos surpreender nem desanimar ao perceber essa tendência”. Em vez disso, ele a encorajou a pedir ao Senhor com simplicidade: “Ajuda-me a ter uma intenção melhor, que tudo seja para a tua glória”.
Marcela perguntou como distinguir o verdadeiro amor cristão das ideias que predominam na cultura atual, em uma sociedade onde a palavra “amor” é usada para descrever quase qualquer tipo de relação ou sentimento. A resposta do Padre foi simples: “O amor autêntico busca o bem das pessoas que se amam. Isso é o amor, não a própria satisfação. Isso faz com que o amor vá se purificando”.

Mais tarde, Andrea apresentou uma inquietação pessoal: como superar o medo diante dos pedidos ousados de Deus — como a vocação — e ser fiel a um compromisso tão grande. O Padre a animou, antes de tudo, a não se precipitar, lembrando a frase do brasão da família Escrivá de Balaguer: “Alma calma”. “Primeiro é preciso pensar com calma, pedir conselho e luzes a Deus na oração. E depois pedir ajuda a alguém que possa nos acompanhar com prudência”.
Em meio a esse clima de alegria, um grupo de jovens cantou uma música. Ao ouvi-la, o Padre comentou: “Isso me leva a pensar que se morre de amor. A cruz de Jesus Cristo é a manifestação do amor. Ele morreu de amor. E, como dizia Bento XVI, a cruz é o maior ato de liberdade humana por amor”.
Bianca compartilhou uma inquietação muito concreta: como perdoar e amar o próximo quando nos causaram dano, especialmente quando, apesar de tentarmos perdoar, permanecem sentimentos de raiva ou tristeza.
O Padre lembrou então algumas palavras de São Josemaria: “O que há de mais divino no amor a Deus é perdoar quem nos fez mal”. E outra de suas expressões: “Não preciso aprender a perdoar porque Deus me ensinou a amar muito”. A chave, destacou ele, está em pedir ao Senhor que nos ensine a amar, “e assim será muito mais fácil perdoar”.

Karina, que trabalha há um ano e meio na administração da Espave, compartilhou como, por meio desse trabalho, aprendeu a se aproximar mais de Deus, a valorizar o cuidado com cada pessoa e a conhecer melhor o Opus Dei. “Por meio das coisas mais materiais, cria-se um ambiente que ajuda e educa. Por isso, esse trabalho é muito importante”, comentou o Padre.
Paulina, que está no segundo ano de Biologia, contou que muitas vezes se depara com pessoas que têm ideias diferentes. O Padre a encorajou a não ter medo de ser minoria em um ambiente universitário. Ele lembrou que, desde o início, o cristianismo seguiu em frente apesar das dificuldades: “Os apóstolos foram os primeiros mártires; no entanto, a Igreja segue em frente”.
A conversa passou então para um tema muito atual: a inteligência artificial. Gaby pediu ao Padre que falasse sobre como, a partir da fé e do cristianismo, podemos evitar perder a empatia e continuar nos conectando verdadeiramente com o próximo. “Não perder a empatia é amar as pessoas”. Ao mesmo tempo, ele destacou que os avanços técnicos podem e devem ser usados para fazer o bem: “Aproveitar a realidade e os processos técnicos para o bem, nos educarmos em seu uso e no uso adequado desses meios”.
Katherine é natural de Terra Sur, uma região cafeeira da Costa Rica, e presenteou o Padre com uma amostra desse café em nome de sua família. Atualmente, ela estuda no Centro Surí e trabalha na administração da casa de retiros Pedregales. A partir dessa experiência, ela queria saber como viver o amor nos detalhes e oferecer a Deus um café de primeira qualidade em sua vida cotidiana. O Padre aproveitou para lembrar que “a vida está cheia de pequenas coisas: cuidar do relacionamento com os outros, cumprimentar, sorrir, a ordem do quarto. As grandes coisas se fazem nas pequenas e na vida cotidiana”.

No final, o Padre pediu que rezassem pelo Papa e as convidou a estarem sempre alegres.
“Avançar para águas mais profundas”, um convite aos jovens hondurenhos
Na tarde daquele mesmo dia, o Padre se reuniu com outro grupo de jovens. Moisés, Ángel e Jorge animaram o início do encontro cantando “En mi país”. O Padre comentou que a boa música também nos dá força e pode se tornar um canto a Deus quando suas letras ajudam.

Franzuá, estudante de Física, queria saber como aproximar Deus de seus colegas de faculdade. O Padre o aconselhou a cultivar uma amizade verdadeira, aprendendo com os outros, acompanhando essas amizades com oração e compartilhando com naturalidade aquilo em que se acredita: “Trata-se de criar um ambiente de comunicação sincera”.
Pablo e Nelson entregaram ao Padre uma camisa de futebol depois de contarem a ele algumas de suas conquistas esportivas. Perguntaram o que o esporte pode acrescentar à vida cristã. Mons. Ocáriz destacou o valor da disciplina, do esforço e da perseverança. Assim como um atleta tem um plano de treinamento e procura cumpri-lo mesmo quando não está com vontade, na vida espiritual convém ter um Plano de vida e se esforçar para vivê-lo.
“Não podemos fazer as coisas apenas quando temos vontade”, explicou. A oração, a Missa e as demais práticas de piedade cristã têm um valor sobrenatural, mas também ajudam a formar pessoas capazes de enfrentar os deveres e seguir em frente.

César, de 17 anos, fez uma pergunta sobre a coerência de vida. Entre a escola, a família, os amigos, o esporte e as atividades de formação, ele reconheceu que, às vezes, sentia que suas forças não eram suficientes para tudo. O Padre explicou que todas as facetas da vida, por mais variadas que sejam, podem encontrar no amor o sentido de unidade.
“É possível amar em tudo”, afirmou. Explicou que, quando Deus entra em nossa vida, podemos ser verdadeiramente a mesma pessoa enquanto estudamos, trabalhamos, descansamos ou enfrentamos uma dificuldade. “O que pode unir todas essas realidades é o amor de Deus”. Não alcançamos a coerência de vida de uma só vez: “É preciso lutar todos os dias. E, quando falhamos, recomeçar”.
Recordando o chamado de Cristo a São Pedro — “Avança para águas mais profundas” —, Sergio compartilhou uma inquietação: como não ficar na margem, como evitar acomodar-se e manter viva a resposta a Deus. O Padre o convidou a avançar para águas mais profundas por meio do Evangelho, fonte essencial para conhecer e se relacionar com Jesus Cristo. E lembrou que esse caminho pode começar com uma oração muito simples: “Senhor, talvez eu não saiba o que dizer a Ti, mas quero estar aqui contigo”.

Johan, estudante de Ciência da Computação, quis saber como transformar o estudo em oração. O Padre respondeu a partir de sua própria experiência universitária em Ciências Físicas, dizendo que o estudo e as ciências podem levar a admirar a criação. Ele lembrou que muitos dos grandes cientistas foram pessoas de fé, e que isso é possível quando se aborda a ciência com admiração, e não de forma meramente pragmática. E sugeriu uma maneira de iniciar o trabalho com um pequeno movimento da alma: “Senhor, ofereço-te este trabalho. Ajuda-me a realizá-lo bem e a ajudar também os outros por meio dele”.
David, com o desejo de ajudar os outros por meio da odontologia, perguntou ao Padre como manter a presença de Deus ao longo do dia. “Todos precisamos de sua força e de sua graça”, respondeu o Padre. “Não basta apenas ter essa intenção: são necessários meios concretos, como a Missa, a oração e o Evangelho”. Assim, esses momentos “nos dão força para que toda a vida, pouco a pouco, vá se orientando para Ele”, explicou.
Santiago perguntou sobre a liberdade, que às vezes pode ser afetada pelo sentimentalismo. O Padre explicou que ser livre não consiste simplesmente em fazer o que se quer. “A liberdade é, acima de tudo, a capacidade de amar”.

No final, Juan Antonio pediu ao Padre algumas palavras para os jovens de Honduras. A resposta foi simples e direta: “Vale a pena buscar Jesus Cristo”. Não apenas em algumas coisas concretas, por mais importantes que sejam, mas em uma Pessoa: Jesus Cristo. O Padre também os incentivou a não ter medo diante de um ambiente que possa parecer pouco cristão: “O Senhor quer contar com vocês para que ajudem os outros e para que deem testemunho”.
E diante das dificuldades, das tentações ou mesmo das quedas, ele lhes lembrou: “O importante é se levantar e lutar sem desanimar”.
O encontro terminou com a bênção do Padre, uma foto e um convite claro: ajudar os outros a descobrir a beleza da vida cristã.
Segunda-feira, 10 de agosto, encontro com famílias em San Pedro Sula: “Sempre é possível crescer”
O Padre agradeceu o carinho com que a cidade o recebeu e dirigiu-se a todos com especial proximidade, falando sobre a santidade do dia a dia ou, como dizia São Josemaria, um “martírio ordinário”: ao lado das façanhas extraordinárias que Deus pede a alguns, à maioria Ele pede simplesmente viver bem o trabalho realizado com carinho, a paciência diante dos pequenos contratempos, o cuidado diário com a família.
“Essa vida comum não tem pouco valor, tem grande valor, pelo amor que colocamos nela”, disse ele, acrescentando que quem pensa mais nos outros do que em si mesmo acaba sendo não apenas mais eficaz, mas também mais feliz.

Daisy é médica e mãe de três filhos e, assim como seu marido, faz parte do Opus Dei. Contou como viveu recentemente a perda de um bebê antes de nascer, a quem deram o nome de Fátima. Com essa experiência como pano de fundo, ela se perguntava como aprender a ter com os outros — e consigo mesma — a mesma paciência infinita que sentiu por parte de Deus. O Padre a convidou a buscar em cada pessoa o próprio Cristo e lembrou uma frase de São Josemaria: “A caridade, mais do que dar, está em compreender”. “Qualquer pessoa vale todo o sangue de Cristo”, ressaltou ele, mesmo que às vezes pareça antipática ou pense de maneira diferente.
Marco e sua esposa, Lori, promovem iniciativas com crianças de áreas vulneráveis da cidade e compartilharam com o Padre uma preocupação que muitos têm, mais cedo ou mais tarde: como manter a perseverança quando os frutos demoram a aparecer? O Padre respondeu que, diante dos desafios, querer não basta: é preciso estar apaixonado. “Apaixone-se e você não vai abandoná-lo!”, comentou, evocando o conselho que São Josemaria dava àqueles que temiam não perseverar em sua tarefa.

Juan Pablo, acompanhado de sua esposa Camille, quis saber como ajudar os jovens que vivem em contextos complexos — redes sociais, inteligência artificial, mudanças sociais e políticas — que dificultam que eles encontrem seu propósito na vida. O Padre propôs que buscassem a força não em si mesmos, mas em Deus, na oração e no próprio trabalho, quando este é oferecido por amor e se transforma em oração. Aí, disse ele, está a chave da unidade de vida: que a família, o trabalho e a fé não sigam caminhos separados, pois Deus está sempre presente em tudo.
Victoria contou, entre nervosismo e risadas, que se casará em cinco dias, e pediu ao Padre um conselho para colocar Deus no centro de seu lar e dessa vida familiar que está prestes a começar. O Prelado sugeriu que “procurem fazer o outro feliz: você a ele e ele a você”.

Rocío del Pilar falou de um ano marcado por decisões difíceis e momentos de solidão, e perguntou como reconhecer Deus quando parece estar em silêncio. O Prelado lembrou a passagem do Evangelho em que Jesus fica no Templo e seus pais o procuram angustiados por três dias sem encontrá-lo: nem mesmo a Virgem Maria compreendeu totalmente o que estava acontecendo, e mesmo assim guardou tudo em seu coração. Nós também podemos aprender a confiar sem precisar entender tudo, certos de que Deus nunca nos abandonou, embora às vezes pareça que sim.
Uma jovem, Shekinah, compartilhou a conversão de sua família: tudo começou com ela, quando passou a frequentar o clube Jaribú aos 13 anos. Graças à formação que recebeu lá, há um ano ela pôde receber o Batismo, a Primeira Comunhão e a Confirmação. Graças a essa experiência, seus pais e irmãos também se aproximaram da fé e receberam o Batismo. Agora, seus pais se preparam para se casar pela Igreja no próximo dia 15 de agosto.
Shekinah contou que está aprendendo a tocar violino e interpretou uma peça que o Padre apreciou muito, pois era a melodia que ele estava ouvindo no dia em que pediu a admissão na Obra.

Dina contou sua história e fez a última pergunta do encontro. Cresceu em uma aldeia de Honduras, em uma família de doze irmãos e sem eletricidade em casa. Muitas noites, estudava à luz de uma vela. Apesar das dificuldades, conseguiu se formar como professora em vários países da América Central e hoje mora no Panamá.
“O lugar onde nascemos não determina até onde podemos chegar”, disse ela antes de perguntar como manter vivo o desejo de continuar se formando e de servir melhor aos outros. Sempre é possível crescer, mesmo quando um trabalho atinge um limite material. O que nunca pode deixar de crescer é a qualidade humana com que ele é realizado: a inteligência, a vontade e, em última instância, o amor que se coloca nele, comentou o Padre.
Para encerrar, algumas jovens do clube Jaribú alegraram o encontro com uma dança típica hondurenha de origem garífuna, ao ritmo da música Wéndeti Nagaira, que significa “que bela é a minha terra”, vestindo trajes tradicionais coloridos.



