Meditações: sexta-feira da 21ª semana do Tempo Comum

Reflexão para meditar na sexta-feira da 21ª semana do Tempo Comum. Os temas propostos são: preparar a Santa Missa; manter a lâmpada acesa; adorar para conhecer o esposo.


EM MUITAS atividades humanas, a preparação é um aspecto fundamental. No esporte, por exemplo, o desempenho em um jogo depende, em grande parte, do treino e das horas dedicadas ao domínio da técnica. Mas o sucesso de certos encontros sociais, como convidar amigos para uma refeição em casa, também depende em grande medida de como nos preparamos. Em geral, podemos dizer que o tempo e, sobretudo, o interesse que dedicamos à organização de certos eventos mostra o valor que atribuímos a essa atividade. Quanto mais importante for o encontro, mais nos preparamos para esse momento, mesmo que seja apenas com os nossos pensamentos e atenção. Ao mesmo tempo, temos a experiência de que uma boa preparação traz sempre satisfação: jogando um jogo ou passando um momento com um ente querido que não vemos há muito tempo, se tivermos nos preparado bem, aproveitaremos ao máximo.

Não há celebração ou encontro mais importante do que a Santa Missa, pois nela vivemos verdadeiramente a morte e a ressurreição de Cristo e recebemos o seu corpo como alimento. Por isso, podemos deduzir que nenhuma preparação vale tanto a pena como a destinada à participação no sacrifício do altar. Tudo o que pudermos fazer para nos prepararmos para celebrar o melhor possível a obra da redenção fica aquém do grande mistério do amor de Deus por nós, essa boda em que, como as virgens da parábola, somos convidados a participar e a saborear: “O Reino dos Céus é como a história das dez jovens que pegaram suas lâmpadas de óleo e saíram ao encontro do noivo” (Mt 25, 1).

São Josemaria, que via na Santa Missa o centro e raiz da sua vida, convidava-nos a uma preparação profunda com palavras cheias de poesia: “A Eucaristia foi instituída durante a noite, preparando de antemão a manhã da Ressurreição. Também nas nossas vidas, temos que preparar essa alvorada. Tudo o que é caduco, o que é prejudicial, o que não serve – o desânimo, a desconfiança, a tristeza, a cobardia – tudo isso tem de ser deitado fora. A Sagrada Eucaristia introduz a novidade divina nos filhos de Deus, e devemos corresponder in novitate sensus, com uma renovação de todo o nosso sentir e de todo o nosso agir. Foi-nos dado um novo princípio de energia, uma raiz poderosa, enxertada no Senhor. Não podemos voltar à antiga levedura, nós que temos o Pão de agora e de sempre”[1].


CONTA A PARÁBOLA que cinco das virgens “eram imprevidentes, e as outras cinco eram previdentes. As imprevidentes pegaram as suas lâmpadas, mas não levaram óleo consigo. As previdentes, porém, levaram vasilhas com óleo junto com as lâmpadas. O noivo estava demorando e todas elas acabaram cochilando e dormindo. No meio da noite, ouviu-se um grito: O noivo está chegando. Ide ao seu encontro!” (Mt 25, 2-6). Embora esta parábola se refira especialmente ao nosso abraço definitivo com o Senhor depois da morte, podemos aplicá-la também ao nosso encontro com Cristo na Eucaristia. Provavelmente já nos sentimos distraídos ou desmotivados durante a Santa Missa; embora saibamos que estamos num lugar sagrado onde podemos entrar num diálogo amoroso com a Santíssima Trindade, a nossa imaginação fica descontrolada. Talvez, nesses momentos, pensemos que somos como aquelas virgens que, enquanto esperavam a vinda do noivo, adormeceram.

A participação na Santa Missa não é um exercício intelectual, em que a única coisa que importa é a concentração perante cada gesto e palavra do sacerdote. Pelo contrário, a atenção à riqueza das orações e dos vários gestos litúrgicos é como uma porta que nos deveria conduzir ao mistério divino que está por trás deles. Por isso, a questão fundamental para poder “viver a Santa Missa”[2], como dizia São Josemaria, é saber se levamos conosco o óleo que, mesmo nos momentos de cansaço ou de dispersão, nos permite reconhecer na noite do nosso coração o rosto de Cristo, que na Santa Missa entrega a sua vida para me salvar. De fato, o fundador do Opus Dei comentava que também podemos abandonar o objeto das nossas distrações – pessoas, preocupações, etc. – nas mãos de Deus[3].

“A condição para estarmos prontos para o encontro com o Senhor não é apenas a fé, mas uma vida cristã rica de amor e de caridade para com o próximo. Se nos deixamos guiar por aquilo que parece mais cômodo, pela busca dos nossos interesses, a nossa vida torna-se estéril, incapaz de dar vida aos outros, e não acumulamos reserva alguma de óleo para a lâmpada da nossa fé; e ela – a fé – se apagará no momento da vinda do Senhor ou ainda antes”[4]. A melhor preparação interior para uma compreensão profunda da Santa Missa é uma vida de caridade, porque é precisamente isso que celebramos na Eucaristia: o amor infinito de Jesus, que esteve disposto a dar a sua vida por cada um de nós.


NO MEIO DA NOITE, as jovens ouviram uma voz que as despertou do seu sono profundo: “O noivo está chegando. Ide ao seu encontro!” (Mt 25, 6). Então, todas começaram a preparar as suas lâmpadas. Mas como as virgens insensatas não tinham trazido óleo suficiente, e não havia para todas, tiveram que ir comprar. Enquanto elas estavam fora, o noivo chegou, e as que estavam preparadas entraram com ele para a festa de casamento. E a porta se fechou” (Mt 25, 10). Quando, alguns minutos depois, as insensatas chegaram, agitadas e atrasadas, foram recebidas com um enfático “não” do noivo: “Em verdade eu vos digo: Não vos conheço” (Mt 25, 12).

Para participar na Santa Missa e compreender a grandeza do mistério que celebramos, é preciso, em primeiro lugar, conhecer profundamente o Senhor. Para que Jesus não nos diga algo semelhante ao que o noivo disse às virgens insensatas: “Em verdade vos digo: Não vos conheço” (Mt 25, 12). O conhecimento entre duas pessoas que se amam não se reduz à mera acumulação de dados biográficos, nem a encontros mais ou menos esporádicos. É uma atitude do coração, que nos leva gradualmente a entrar nos sentimentos e nos pensamentos da outra pessoa. É precisamente por isso que a adoração eucarística é tão importante, por meio dela preparamos o nosso coração para reconhecer o Senhor que nos visita em cada Santa Missa. Para viver a celebração eucarística “ajudam-nos, introduzem-nos, a permanência em adoração diante do Senhor eucarístico no tabernáculo”[5].

Como o noivo da parábola, “na Eucaristia, o Filho de Deus vem ao nosso encontro e deseja unir-Se conosco; a adoração eucarística é apenas o prolongamento visível da celebração eucarística, a qual, em si mesma, é o maior ato de adoração da Igreja”[6]. A adoração eucarística fora da Missa ensina-nos, portanto, a adorar o Senhor na Missa, ou seja, a desejar a união com Ele através da Comunhão, a aumentar a nossa fome d'Ele. De fato, “receber a Eucaristia significa colocar-se em atitude de adoração d’Aquele que comungamos”[7]. Podemos pedir a Maria, Virgem prudente e Mulher eucarística, que nos ajude a nos prepararmos para cada Santa Missa como ela se preparou para receber o seu Filho. E se alguma vez o óleo da nossa lâmpada parecer terminar e a pequena chama ameaçar apagar, que ela nos dê um pouco do Seu, que nunca se esgota e que oferece com a Sua generosidade maternal.


[1] São Josemaria, É Cristo que passa, n. 155.

[2] São Josemaria, É Cristo que passa, n. 88.

[3] cf. São Josemaria, Notas de uma reunião familiar, 21/02/1971.

[4] Francisco, Ângelus, 12/11/2017.

[5] Francisco, Mensagem ao Congresso Eucarístico Nacional na Alemanha, 30/05/2013.

[6] Bento XVI, Sacramentum caritatis, n. 66.

[7] Ibid.