"Do perdão de Jesus na Cruz brota a paz"

Na Audiência de hoje o Santo Padre continuou com o ciclo de catequeses sobre o Pai Nosso, explicando hoje a expressão “Livrai-nos do mal”.

Da Igreja e do Papa

"Livrai-nos do mal": pedimos nós a Deus, na última invocação do Pai-Nosso. Assim, Jesus ensinou-nos a invocar o Pai em todas as ocasiões da vida, incluindo aquelas em que se faz sentir a presença ameaçadora do maligno.

A pessoa orante não é cega; tem diante dos olhos esta presença embaraçante e contrária ao mistério de Deus: um mal misterioso que, seguramente, não é obra de Deus, mas penetra, silencioso, nos sulcos da história.

O último grito do Pai-Nosso remete contra esta presença do maligno, sob cuja instigação se multiplicam no mundo os lutos do homem, as injustiças, a escravidão, a exploração do outro, o sofrimento das crianças e a profanação da sua inocência. Ora todos estes fatos geram repulsa no coração da pessoa humana. Esta é um ser votado à vida, que sonha com o amor e o bem, mas depois acaba subjugada ao mal.

A contradição sentida dentro de nós mesmos é tal, que podemos ser levados a desesperar do homem… O cristão sabe, por experiência, como é aliciante e subjugador o poder do maligno ("é como um leão que ronda e ruge, procurando a quem devorar"), mas sabe também que Jesus nunca cedeu às suas seduções, suportou o mal e venceu-o por nós: está da nossa parte e vem em nossa ajuda. Se não houvesse esta súplica no Pai-Nosso, como poderiam rezar os pecadores, os perseguidos, os desesperados, os moribundos?

A imploração – "livrai-nos do mal" – recorda a todos a presença do Filho de Deus que nos libertou do mal e restituiu a paz com a sua ressurreição. Nisto está a nossa esperança.