Deus luta conosco, porque é Pai

Na Audiência Geral desta quarta-feira, o Papa Francisco prosseguiu com o ciclo de catequeses sobre o Pai-Nosso, explicando hoje a penúltima invocação: "Não nos deixeis cair em tentação" (Mt 6, 13).

Da Igreja e do Papa

A penúltima invocação do Pai-Nosso – "não nos deixeis cair em tentação" – entra no terreno do confronto entre a nossa liberdade e as ciladas do maligno. Nós sabemos que o Pai do Céu combate ao nosso lado, para não afundarmos na prova e na tentação.

Estes dois momentos aparecem misteriosamente presentes na vida do próprio Jesus: as tentações ao início da sua vida pública e, no final desta, a prova bem explícita na agonia do Jardim das Oliveiras. São precisamente estes textos evangélicos que nos mostram como o Pai do Céu atende a referida invocação: não nos deixa sozinhos, mas, em Jesus, manifesta-se como Deus conosco até às consequências extremas.

Na prova do Getsêmani, acontece algo de inesperado: Jesus, que nunca mendigara amor para Si mesmo, naquela noite sente a sua alma invadida por uma tristeza de morte e pede a proximidade dos seus discípulos: "Ficai aqui e vigiai comigo". Eles, porém, adormeceram… Na hora da agonia, Deus pede ao homem para não O abandonar, mas o homem adormece. Ao contrário, na hora em que o homem experimenta a prova, Deus vela.

Aquela noite de sofrimento e luta constitui o extremo sinal da Encarnação: Deus desce para nos encontrar nos nossos abismos e dores de parto que constelam a história. O nosso conforto na hora da prova é saber que este vale de lágrimas, desde quando Jesus o atravessou, já não é pura desolação, mas está abençoado pela presença do Filho de Deus. Ele nunca nos abandona. Por isso, na hora da prova e da tentação, abandonemo-nos, confiantes, ao amor do Pai.