A 30 de maio de 1971, S. Josemaria quis consagrar o Opus Dei ao Espírito Santo, pensando na especial necessidade que a Igreja tinha da santidade
Neste artigo, você encontrará o texto completo da consagração ao Espírito Santo. Disponibilizamos para que a pessoa do Opus Dei possa meditar sobre ele. São Josemaria determinou que essas consagrações fossem renovadas todos os anos por ocasião das festas correspondentes e que as pessoas da Obra as renovassem junto com as de seu centro. O artigo inclui o contexto histórico em que São Josemaria a realizou pela primeira vez, o texto completo e recursos para conhecer melhor o Espírito Santo.
Contexto histórico
O Opus Dei foi consagrado pelo seu fundador em quatro ocasiões: à Sagrada Família (1951), ao Coração Dulcíssimo de Maria (1951), ao Sacratíssimo Coração de Jesus (1952) e ao Espírito Santo (1971). Em todos os casos, São Josemaria deu esse passo para pedir a ajuda divina diante de necessidades concretas.
Este artigo oferece um breve contexto histórico do que foi a consagração do Opus Dei ao Espírito Santo. Era 30 de maio de 1971, dia de Pentecostes, quando São Josemaria fez esta oração no oratório do Conselho Geral em Villa Tevere, cujo retábulo consiste em um vitral que representa a vinda do Espírito Santo no dia de Pentecostes.
A razão para esta consagração foi múltipla. Acima de tudo, São Josemaria queria implorar a ajuda da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade para inspirar e guiar toda a atividade da Obra, bem como sua expansão entre pessoas “de todas as raças, línguas e nações”, e aumentar a santidade de seus membros no contexto da crise doutrinária e disciplinar que afetou muitas instituições católicas nos anos posteriores ao Concílio Vaticano II.
A fórmula — a mais longa e elaborada das quatro — também inclui uma petição especial pela Igreja, pelo Papa e pelos pastores. É provável que ele também tenha considerado, nessa consagração, o novo estatuto jurídico do Opus Dei, cuja obtenção era essencial para a defesa do carisma genuíno da Obra. Por fim, esse ato reflete um novo ressurgimento da devoção ao Paráclito na alma do fundador, muito antiga em São Josemaria, mas que, naqueles anos, manifestou-se em sua alma como uma “nova descoberta”, especificamente em referência à ação do Paráclito na missa (cfr. Andrés Vázquez de Prada, III, p. 555).
Com esta consagração, São Josemaria não estava simplesmente recomendando mais uma devoção aos membros do Opus Dei. Seu propósito era fomentar uma vida espiritual mais centrada no Espírito Santo e uma relação mais próxima com o Santificador, a quem ele frequentemente chamava de “o Grande Desconhecido”, como ocorria, ao menos, na devoção popular e também em algumas reflexões teológico-espirituais. Daqueles anos data uma homilia dedicada ao Espírito Santo, intitulada precisamente “O Grande Desconhecido” (posteriormente incluída em “É Cristo que passa”), na qual é enfatizada a ação constante do Paráclito nas almas e na Igreja.
Texto da Consagração ao Espírito Santo
Ó Espírito Santo, terceira Pessoa da Santíssima Trindade, espiração amorosa do Pai e do Filho, dos quais eternamente procedeis como vínculo consubstancial e subsistente, na unidade simplicíssima de um Único Deus verdadeiro; Espírito Santo Paráclito, plenitude do Amor, Luz infinita, Dom incriado e princípio de toda a graça: acolhei benignamente a consagração do Opus Dei que agora Vos fazemos.
Deus Pai Celestial, que não fostes criado, nem feito, nem gerado; que, com o Verbo e o Espírito Santo, num único ato de amor, quisestes a Encarnação do Unigênito; que em nome de Jesus Cristo nos enviastes o vosso Espírito Consolador para que, santificando-nos, estivesse conosco eternamente: confirmai e renovai em nós essa participação da natureza divina que pela graça nos concedestes.
Deus Filho, que não fostes nem criado nem feito, mas eternamente gerado pelo Pai; que por obra do Espírito Santo tomastes a nossa natureza humana no seio virginal de Maria, sendo assim Deus e Homem verdadeiro; que, com filial obediência, consumastes no Sacrifício da Cruz a Redenção dos nossos pecados; e que, depois de ressuscitardes dentre os mortos, ao voltardes para a vossa glória, longe de nos deixar órfãos, nos enviastes da parte do Pai outro Consolador, o Espírito de Verdade, para que Vos glorificasse, desse testemunho de Vós e iluminasse com a sua luz as nossas almas: aumentai e reforçai em nós essa missão do vosso Espírito que, conformando-nos convosco, convosco nos identifica.
Deus Espírito Santo, que não fostes nem criado, nem feito, nem gerado, mas procedeis eternamente do Pai e do Filho; que, estando todos os Apóstolos juntos no Cenáculo com Maria, Mãe de Deus e Mãe nossa, ao completarem-se os dias de Pentecostes descestes sobre eles e cumulastes os seus corações, levando-os a confessar com fortaleza e em todas as línguas que Jesus é o Filho de Deus vivo; que sempre destes à Igreja a vossa paz, a vossa alegria e a vossa consolação, no meio de tantas contradições, confirmando a nossa fé, sustentando a nossa esperança, inflamando o nosso amor: concedei-nos o vosso dom septiforme, para que em toda a nossa vida, nas nossas obras, no nosso pensamento e na nossa palavra, encontre também as suas complacências o Nosso Pai que está nos Céus, Deus eterno, Uno e Trino.
Outorgai-nos o dom do entendimento, que aperfeiçoe em nós a inteligência dos mistérios da fé; o dom da sabedoria, que, fruto de uma perfeita caridade, melhore o conhecimento com que nos deliciamos em Deus e em tudo quanto se refere a Deus e de Deus procede; o dom da ciência, que nos faça compreender retamente o que são e o que devem ser as coisas criadas, conforme os desígnios divinos da criação e da elevação à ordem sobrenatural; o dom de conselho, para que, julgando bem sobre o que é a vontade de Deus em cada momento e para cada um, possamos também aconselhar os outros; o dom do temor, que fazendo-nos detestar todo o pecado, imprima em nossos corações o espírito de adoração e uma profunda e sincera humildade; o dom da fortaleza, que nos faça firmes na fé, constantes na luta e fielmente perseverantes na Obra de Deus; o dom da piedade, que nos dê o sentido da nossa filiação divina, a consciência gozosa e sobrenatural de sermos filhos de Deus e, em Jesus Cristo, irmãos de todos os homens.
Nós Vos pedimos também que derrameis abundantemente em nós, e em todas as pessoas que se aproximam da vossa Obra, os frutos da Vossa ação soberana sobre as almas: a caridade, a alegria, a paz, a paciência, a benignidade, a bondade, a longanimidade, a mansidão, a fé, a modéstia, a continência e a castidade.
Nós Vos pedimos que assistais sempre a Vossa Igreja, e em particular o Romano Pontífice, para que nos guie com a sua palavra e com o seu exemplo, e para que alcance a vida eterna juntamente com o rebanho que lhe foi confiado; que nunca faltem os bons pastores e que, servindo-Vos todos os fiéis com santidade de vida e inteireza na fé, cheguemos à glória do Céu.
Quanto a nós, ó Deus Espírito Santo, nós Vos consagramos o Opus Dei e toda a nossa vida. E Vos oferecemos tudo quanto somos e podemos: a nossa inteligência e a nossa vontade, o nosso coração, os nossos sentidos, a nossa alma e o nosso corpo. Queremos ser sempre templo santo da vossa inabitação com o Pai e com o Filho, e que nada haja em nós contrário a essa morada.
Oração
Ó Deus Uno e Trino, princípio e fim da nossa vida, que Vos dignastes também chamar-nos a participar da intimidade da vossa glória, atendei as súplicas que com piedade filial Vos dirigimos:
Concedei a paz à vossa Igreja, para que todos os católicos, repletos do Espírito Santo, deem sempre aos homens testemunho firme e verdadeiro da fé, manifestação efetiva do seu amor e razão da sua esperança.
Conservai sempre na vossa Obra os dons espirituais que lhe outorgastes, para que, conforme a vossa amabilíssima Vontade, indissoluvelmente unidos ao nosso Padre, ao Padre e a todos os nossos irmãos, cor unum et anima una, sejamos santos e fermento eficaz de santidade entre todos os homens. Fazei que sejamos sempre fiéis ao espírito que confiastes ao nosso Fundador, e que saibamos conservá-lo e transmiti-lo em toda a sua divina integridade.
Iluminai a nossa inteligência, purificai o nosso coração, robustecei a nossa vontade. Fazei que recebamos todas as coisas como vindas das vossas mãos, cientes de que tudo concorre para o bem dos que amam a Deus. Concedei-nos um ânimo dócil aos suaves impulsos da vossa graça, ó Deus Espírito Santo, e fazei-nos corresponder com generosidade; levai-nos a dar sempre, com lealdade humana e fidelidade sobrenatural, o fruto que Vós quereis e que esse fruto permaneça; de modo que, vivendo sempre no vosso amor, cheguemos com Maria, nossa Mãe, a gozar da vossa glória sempiterna, unidos já, para sempre, ao Pai que com o Filho vive e reina convosco por todos os séculos dos séculos. Amém.
Termina-se com as seguintes jaculatórias, a que todos respondem:
V/. Pater de caelis, Deus,
R/. Miserére nobis!
V/. Fili, Redémptor mundi, Deus,
R/. Miserére nobis!
V/. Spiritus Sancte, Deus,
R/. Miserére nobis!
V/. Sancta Trínitas, unus Deus,
R/. Miserére nobis!
Recursos para rezar e aprofundar
- 📹Vídeo em que São Josemaria nos convida a descobrir a presença do Espírito Santo em nosso interior e a experimentar a companhia constante de Deus.
- 🧏♂️Novos Mediterrâneos (4): “Não fale: ouça-o”. São Josemaria “descobre” o Espírito Santo por meio de um conselho simples, que também pode iluminar nossa vida espiritual.
- 🤔Quem é o Espírito Santo? Na festa de Pentecostes a Igreja celebra a descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos. Quem é o Espírito Santo? Como foi a vinda do Espírito Santo?
- 🔥Orações ao Espírito Santo para preparar a festa de Pentecostes.

