A Fraternidade sacerdotal e o Fundador do Opus Dei

“Temos de sentir a satisfação de ser servidores de todas as almas, mas em primeiro lugar dos sacerdotes, nossos irmãos”. Este aspecto que soube viver e promover de modo admirável o santo Fundador do Opus Dei, continua a ser um desafio nos nossos dias.

A fraternidade sacerdotal constituiu para São Josemaria Escrivá um dos seus maiores desvelos e anseios apostólicos. Preocupado com a santidade do sacerdote, fundou também por desígnio divino a Sociedade Sacerdotal da Santa Cruz como associação de sacerdotes seculares destinada a proporcionar a ajuda espiritual para a sua santificação, segundo o espírito e a prática ascética do Opus Dei.

Nesta sociedade sacerdotal manifesta-se o que D. Javier Echevarría, o atual Prelado do Opus Dei, apresenta como um traço saliente da fisionomia espiritual do seu fundador: “o empenho continuado e crescente com que, desde os primeiros anos de sacerdócio, se esforçou por viver e fazer viver em profundidade o sentido da fraternidade sacerdotal. Esta é a nossa grande tarefa, repetia aos sacerdotes que iam ouvi-lo: amar os nossos irmãos sacerdotes. Temos de sentir a satisfação de ser servidores de todas as almas, mas em primeiro lugar dos sacerdotes, nossos irmãos”. Este aspecto que soube viver e promover de modo admirável o santo Fundador do Opus Dei, continua a ser um desafio nos nossos dias.

A fraternidade sacerdotal é o sinal da comunhão que o Espírito cria naqueles que foram incorporados no único sacerdócio de Cristo: “estão unidos todos entre si pela íntima fraternidade do sacramento”. E aludindo às características que definem a espiritualidade do presbítero, João Paulo II, na sua exortação apostólica Pastores dabo vobis, n. 31, diz o seguinte: “É necessário considerar como valor espiritual do presbítero a sua pertença e a sua dedicação à Igreja particular, o que não está motivado somente por razões organizativas e disciplinares; pelo contrário, a relação com o Bispo no único presbitério, a coparticipação na sua preocupação eclesial, a dedicação ao cuidado evangélico do Povo de Deus nas condições concretas históricas e ambientais da Igreja particular, são elementos de que não se pode prescindir ao delinear a configuração própria do sacerdote e da sua vida espiritual”.

São Josemaria Escrivá manifestou sempre um grande desejo de reforçar essa fraternidade entre presbíteros. Recordava muito vivamente a sua conversa com um sacerdote já idoso, durante um retiro para o clero, depois da guerra civil espanhola. Sofria este sacerdote intensamente por causa de uma calúnia. O Padre Josemaria perguntou-lhe: E os nossos irmãos que estão perto de si, não o acompanham? A resposta encheu-o de pena: Eu me acompanho só. Nunca esqueceu esse comentário e, com o objetivo de contribuir para lhe dar remédio, esteve disposto heroicamente, diante de Deus, a deixar o Opus Dei, e iniciar uma nova fundação para os sacerdotes diocesanos. Todavia, Deus fez-lhe ver que não era necessário: a Sociedade Sacerdotal da Santa Cruz estaria intrinsecamente unida ao Opus Dei.

O presbítero, como todo o fiel cristão, necessita de ajudas espirituais que o façam viver com fidelidade a graça do ministério. O decreto Presbyterorum Ordinis, n. 8, reconhece que se devem “ter em grande apreço e de serem diligentemente fomentadas as associações que, com estatutos aprovados pela competente autoridade eclesiástica, promovem a santidade dos sacerdotes no exercício do ministério por uma apropriada regra de vida convenientemente aprovada, e pela ajuda fraterna, e assim estão ao serviço de todo o presbiterado”.

A necessidade que o sacerdote tem, na vida diária, de manter os compromissos assumidos, de procurar conselho e ajuda perante as dificuldades pessoais e pastorais, e de fomentar os laços de amizade e comunhão presbiteral, justificam plenamente o aparecimento de tais associações, que não pretendem nem suplantar a responsabilidade do bispo em tudo o que concerne a vida e o ministério do presbitério, nem menos ainda dotar os presbíteros de outros fundamentos de vida espiritual que não sejam os que emanam do sacramento da Ordem.

São Josemaria Escrivá foi um precursor decreto de essa doutrina conciliar. Sendo ele mesmo também sacerdote secular, e formado numa espiritualidade cujas raízes se alimentavam da teologia do sacramento da Ordem, apresentava a Sociedade Sacerdotal da Santa Cruz como “a ajuda ascética continuada que desejam receber (os sacerdotes), com espiritualidade secular e diocesana, e independentemente das mudanças pessoais e circunstâncias que possa haver no governo da respectiva Igreja local. Acrescentam assim à direção espiritual coletiva que o Bispo dá com a sua pregação, as suas cartas pastorais, conversas, instruções disciplinares, etc., uma direção espiritual pessoal solícita e contínua em qualquer lugar onde se encontrarem, que complementa – respeitando-a sempre, como um dever grave – a direção comum ministrada pelo próprio Bispo”.

Em tempos de renovação eclesial, o Senhor suscitou sempre no seio do clero correntes de espiritualidade que se caracterizaram pelo fortalecimento dos vínculos sobrenaturais que os uniam, tanto para reavivar o seu ser, como para se projetar em obras apostólicas e missionárias. Neste sentido, a tarefa espiritual desenvolvida por São Josemaria Escrivá, com a fundação da Sociedade Sacerdotal da Santa Cruz, implica uma graça muito especial de Deus pelos benefícios que traz à santidade da Igreja em cada uma das dioceses.