Tudo começou com uma conversa aparentemente insignificante. Germán era um jovem que gostava de futebol, de estar com os amigos e de aproveitar a vida. Um dia, um numerário do Opus Dei lançou-lhe uma pergunta que ficou gravada na sua memória: «Porque é que não levas as coisas a sério alguma vez?».

Decidiu experimentar. Durante uma semana propôs-se estar verdadeiramente presente em tudo o que fazia. E aconteceu algo inesperado: começou a gostar mais do futebol, do estudo e dos amigos. «Gostei imenso dessa semana», recorda. Aquele pequeno conselho tornou-se o início de uma transformação.

Pouco a pouco, entre conversas, novos propósitos e a sua amizade com Pedro, descobriu que melhorar como pessoa também o aproximava de Deus. Mas ainda ficavam muitas perguntas por responder.

A resposta chegou no primeiro ano da Faculdade, precisamente numa Blue Monday[1]. Germán estava a ler Cristianismo Puro e Simples, de C. S. Lewis[2], quando encontrou uma imagem que lhe mudou a perspetiva: Deus não quer limitar-se a reparar as canalizações da nossa casa; quer transformá-la num palácio.

«Eu disse: quero esse palácio». Embora tivesse compreendido que construí-lo implicava renunciar a certas seguranças, decidiu confiar: «Senhor, confio em Ti, abandono-me e construamos o palácio.»

«Desde que levo realmente a sério a minha vocação, percebi que sou verdadeiramente feliz»

Não foi uma decisão precipitada. Quando manifestou o desejo de se incorporar ao Opus Dei, encorajaram-no a pensar, rezar e amadurecer essa decisão. Descobriu que a vocação não consiste num único sim, mas em escolher livremente esse caminho todos os dias.

Entretanto, a universidade ofereceu-lhe outra experiência decisiva. O seu amigo Raúl propôs-lhe criar um voluntariado diferente: ajudar sem complicações, sem esperar grandes ocasiões. Começaram por visitar lares de idosos e essa iniciativa chegou a reunir centenas de voluntários.

Foi aí que Germán descobriu algo essencial: «Realmente está feito para isso, não está? Para amar.»

Também percebeu que partilhar um almoço, ouvir um amigo ou acompanhar quem precisa pode ser uma forma de aproximar os outros de Deus.

Um ano e meio depois daquela Blue Monday, deu o passo de se tornar supranumerário do Opus Dei.

Hoje, ao olhar para trás, reconhece que a sua vocação não o afastou do que gosta. Pelo contrário, ensinou-o a apreciá-lo mais e a descobrir quem quer ser.

«Para mim, o Opus Dei é esse lugar onde consigo ser eu mesmo».

E aquele palácio que sonhava construir continua a erguer-se, dia a dia, entre amigos, trabalho, futebol e pequenos atos de amor.


[1] Blue Monday: o dia mais deprimente do ano, segundo um mito difundido no hemisfério norte, tendo em conta o mau tempo. Para um estudante universitário, acresce a pressão dos exames do primeiro semestre.

[2] Na obra Mere Christianity, C. S. Lewis, usa esta metáfora no capítulo The invasion.