Meditações: Assunção de Nossa Senhora

Reflexão para meditar na Solenidade da Assunção de Nossa Senhora. Os temas propostos são: assim como Maria, o nosso destino é o céu; O caminho de Maria até o céu; proximidade na vida cotidiana.

Assim como Maria, o nosso destino é o céu

O caminho de Maria até o céu

Proximidade na vida cotidiana


“GRANDE SINAL apareceu no céu: uma mulher que tem o sol por manto, a lua sob os pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça” (Ap 12, 1). Estas palavras do Apocalipse, atribuídas pela Tradição à Virgem Maria, abrem a liturgia do dia de hoje. Com a Igreja, todos os cristãos se alegram nesta festa, na qual celebramos que Deus elevou a Mãe do seu Filho, em corpo e alma, à glória do céu. Embora não conheçamos os detalhes da sua partida para o céu nem haja certezas sobre a sua morte, seguindo as palavras de São Josemaria podemos imaginar que todos os apóstolos rodearam Maria, que tinha adormecido. O céu expectante está de portas abertas. Os anjos prepararam uma recepção entusiasmada para receber a Senhora. “Jesus quer ter Sua Mãe, em corpo e alma, na Glória. (…) A Trindade Santíssima recebe e cumula de honras a Filha, Mãe e Esposa de Deus… – E é tamanha a majestade da Senhora, que os Anjos perguntam: Quem é esta?”[1].

A Assunção de Maria eleva o nosso olhar para o céu, verdadeiro destino do nosso caminho terreno. Todos os acontecimentos da nossa vida assumem outra dimensão quando os contemplamos nesta perspectiva de eternidade. Com o passar dos anos, talvez tenhamos percebido que aquilo que antes considerávamos tão importante – uma preocupação familiar, uma alegria que procurávamos com determinação no trabalho ou na Universidade, uma preocupação com o futuro – na realidade nem sempre era tão relevante como pensávamos. A celebração de hoje recorda-nos que, no fim das contas, o que é verdadeiramente decisivo é saber que estamos a caminho do céu e chegar lá. Todo o resto será mais ou menos importante na medida em que nos ajudar a chegar lá. “Tens de entrar em colóquio com Santa Maria e confiar-lhe: Ó Senhora, para viver o ideal que Deus meteu no meu coração, preciso voar… muito alto, muito alto! Não basta que te desprendas, com a ajuda divina, das coisas deste mundo, sabendo que são terra. Mais ainda: mesmo que coloques o universo inteiro num montão debaixo dos teus pés, para estares mais perto do Céu…, isso não basta! Precisas voar, sem te apoiares em nada daqui de baixo, pendente da voz e do sopro do Espírito. Mas, dizes-me, as minhas asas estão manchadas!: barro de anos, sujo, pegajoso… E insisti contigo: recorre à Virgem. - Senhora - repete-lhe -, mal consigo levantar vôo!, a terra atrai-me como um ímã maldito! - Senhora, Tu podes fazer que a minha alma se lance em vôo definitivo e glorioso, que tem o seu termo no Coração de Deus. Confia, que Ela te escuta”[2].


NÃO HÁ testemunho bíblico explícito sobre a Assunção. Por esta razão, o Evangelho que é proclamado na Missa de hoje não se refere a este mistério, mas conta o relato da Visitação (cf. Lc 1, 39-56). Pode parecer, no entanto, uma passagem pouco apropriada. Se o que se pretende é exaltar a Mãe de Deus, que ascende à glória do céu, humanamente, não faria muito sentido que a leitura escolhida nos mostrasse Maria servindo a sua parente Isabel. Mas foi precisamente esse o caminho que ela percorreu para alcançar a vida eterna. “É o amor que eleva a vida. Vamos servir os nossos irmãos e, com esse serviço, ‘subimos’ (…). É cansativo, mas é uma subida, é ganhar o Céu! É o verdadeiro serviço”[3].

Este Evangelho, além de refletir o desejo de servir de Maria, mostra outra atitude que também a levou a subir ao céu: o louvor. Assim que chega à casa de Isabel, entoa um cântico de agradecimento pelo que Deus fez na sua vida: “A minha alma engrandece o Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque olhou para a humildade de sua serva (…). O Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor” (Lc 1, 46-47, 49). No Magnificat encontramos um retrato do coração de Maria, que revela outro trecho do caminho que ela percorreu até o céu. “O louvor é como uma escada: eleva os corações. O louvor eleva o espírito e vence a tentação de se abater. Já viram que as pessoas tediosas, as que vivem de mexericos, são incapazes de louvar? Perguntem-se: sou capaz de louvar? Como é bom louvar a Deus todos os dias, e também os outros! Como é bom viver de gratidão e bênção em vez de lamentações e queixas, olhar para cima em vez de ficar com raiva!”[4].

Maria só quer tornar Deus grande. Assim nos mostra que o Senhor não é um concorrente na nossa vida que talvez “possa nos tirar algo da nossa liberdade, do nosso espaço vital com a sua grandeza. Ela sabe que, se Deus é grande, também nós somos grandes. A nossa vida não é oprimida, mas elevada e alargada: justamente então torna-se grande no esplendor de Deus”[5].

A festa da Assunção recorda-nos que o caminho para o céu está ao nosso alcance. Com a graça de Deus, podemos percorrer o mesmo caminho que sua Mãe percorreu, pois o próprio Deus nos acompanha e vive em nós. Ele nos ajuda a servir as pessoas que nos rodeiam e a reconhecer as maravilhas que realiza em nossa vida.


CHAMAMOS Maria rainha do céu. Ao mesmo tempo, ela é a rainha da terra. Por estar no céu de corpo e alma, não significa que esteja longe de nós. Precisamente por viver com Deus, está mais perto de nós do que poderíamos sonhar. Como boa mãe de cada um de seus filhos, ela sempre ouve nossas orações e deseja, como ninguém, que a acompanhemos no céu. Afinal, poucas coisas deixam uma mãe mais feliz do que estar com os filhos. “A festa da Assunção de Nossa Senhora apresenta-nos a realidade dessa feliz esperança. Somos ainda peregrinos, mas a Nossa Mãe precedeu-nos e aponta-nos já o termo do caminho. Repete-nos que é possível lá chegar e que, se formos fiéis, lá chegaremos, pois a Santíssima Virgem não é só nosso exemplo, mas também auxílio dos cristãos. E perante a nossa petição – Monstra te esse Matrem – não pode nem quer negar-se a cuidar dos seus filhos com solicitude maternal”[6].

Maria nos faz sentir sua proximidade na normalidade da vida cotidiana. Ela nos ajuda “a levantar sempre os olhos do coração para Deus por meio daquilo que temos em nossas mãos”[7]. Exceto por algumas situações específicas, a maior parte dos seus dias era simples, como os de qualquer mulher da época: momentos de trabalho, família, oração na sinagoga, festas com os seus conterrâneos... Nossa Senhora foi subindo pouco a pouco ao céu porque foi capaz de ver o Senhor nas suas atividades diárias. “É uma grande mensagem de esperança para cada um de nós; para ti, que vives dias iguais, cansativos e muitas vezes difíceis. Maria lembra-te hoje que Deus também te chama a este destino de glória. Estas não são palavras bonitas, é a verdade. Não se trata de um final feliz, criado de propósito, de uma ilusão piedosa ou de uma falsa consolação. Não, é pura realidade, viva e verdadeira como Nossa Senhora elevada ao Céu. Celebremo-la hoje com o amor de filhos, celebremo-la, jubilosos, mas humildes, animados pela esperança de um dia estar com ela no Céu!”[8].


[1] São Josemaria, Santo Rosário, quarto mistério glorioso.

[2] São Josemaria, Forja, n. 994.

[3] Francisco, Ângelus, 15/08/2023.

[4] Ibid.

[5] Bento XVI, Homilia, 15/08/2005.

[6] São Josemaria, É Cristo que passa, n. 177.

[7] Fernando Ocáriz, Mensagem, 15/08/2017.

[8] Francisco, Ângelus, 15/08/2021.