Áudio do prelado no terceiro aniversário da sua nomeação

No terceiro aniversário da nomeação de Mons. Fernando Ocáriz como Prelado do Opus Dei, oferecemos o áudio de uma meditação (15 minutos), pregada no dia 27 de outubro de 2019, sobre a necessidade de rezar com Jesus.

Opus Dei - Áudio do prelado no terceiro aniversário da sua nomeação

Tradução. Meditação do Prelado do Opus Dei

A Obra está nas nossas mãos, para percorrer cada dia esta corrida – uma corrida sem pressa, sem nervosismo, mas uma corrida – de progresso, de fazer as coisas até o fim, os trabalhos, de tentar, embora muitas vezes não consigamos, mas com o esforço de chegar ao cursum consummavi todos os dias.

E para isso é necessário, sobretudo – sabemos muito bem disso e tentamos viver assim –, a arma, a grande arma que temos, que é a oração. Quantas vezes o nosso Padre [São Josemaria] falou-nos assim. Em uma das “campanadas” de junho de 73, dizia-nos mais uma vez: “Oração: essa é a nossa força; nunca tivemos nenhuma outra arma”. Quando nosso Padre escrevia isto, praticamente no final da sua vida aqui na Terra – dois anos antes de sua partida para o céu – quando dizia que “nunca tivemos nenhuma outra arma”, poderia estar pensando nas grandes batalhas que teve que enfrentar em sua vida, e tinha este convencimento de que a arma havia sido a oração. Portanto, para nós a arma é também a oração: “Nunca tivemos outra”, diz o nosso Padre, “e nunca teremos outra”. A oração.

Hoje, no Evangelho da Missa, vamos ler: “Naquele tempo, para alguns que confiavam na sua própria justiça e desprezavam os outros, Jesus contou esta parábola: “Dois homens subiram ao templo para orar. Um era fariseu, o outro publicano – conhecemos bem a parábola. O fariseu, de pé, orava assim em seu íntimo: ‘Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros, ladrões, desonestos, adúlteros, nem como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de toda a minha renda’. “

Poderia parecer que é uma oração válida: agradecer a Deus, reconhecer que não se é ladrão, nem injusto, nem adúltero; e, além disso, dizer: “eu te agradeço precisamente por isto”, reconhecer que se jejua duas vezes por semana, que se paga tudo o que se deve, etc. “O publicano, porém, ficou a distância e nem se atrevia a levantar os olhos para o céu; mas batia no peito, dizendo: ‘Meu Deus, tem compaixão de mim, que sou pecador!’” –E conhecemos bem a conclusão do Senhor: “Eu vos digo: este último voltou para casa justificado, mas o outro não. Pois quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado”.

A oração é a nossa arma, e tem de ser uma oração humilde. Uma oração humilde, precisamente porque precisamos, porque sentimos realmente a necessidade da oração. Que nos dirijamos à oração com uma alma aberta, necessitada da ajuda do Senhor para tudo. Precisamos de ajuda para tudo, para dar valor sobrenatural a todas as nossas obras.

Sim, devemos também agradecer a Deus, mas agradecer a Deus pelas coisas boas da nossa vida, porque tudo é dom d'Ele. Mas inseparavelmente temos de lhe pedir perdão, e temos de lhe pedir ajuda. Vem imediatamente à mente a oração de Dom Álvaro: “Obrigado, perdão, ajuda-me mais”, que resume realmente a essência da nossa oração. Que é agradecer muito a nosso Senhor por tudo o que Ele nos dá, que é muito mais do que sabemos, do que sentimos. É também pedir perdão nós, por todas as coisas más que estão acontecendo no mundo. E pedir-lhe ajuda, porque temos consciência de que precisamos da sua ajuda, Senhor, para tudo. E isso não nos entristece, mas, pelo contrário, dá-nos segurança. Porque não podemos nem queremos contar somente com as nossas próprias forças. Contamos com a sua força, com a sua ajuda.

Uma oração que é a nossa arma, a nossa força, porque nunca tivemos outra, nem teremos outra. Quer dizer que deve ser algo muito constante, na nossa vida e no nosso dia. Esse terminar, chegar ao fim de cada dia, deve ser também uma corrida de oração: preencher o nosso dia com a oração, na medida em que a nossa fraqueza o permitir, mas sempre com desejo. Oportet semper orare et non deficitere[1]: é necessário orar sempre sem jamais deixar de fazê-lo.

Já faz muito tempo que estamos tentando ser almas de oração. E nos falta tanto, às vezes, depois de tantos anos, sentimos ter que dizer ao Senhor, como naquele ponto de Caminho: “Senhor, não sei fazer oração!” E então pedimos ao Senhor, também dizemos isso agora com os apóstolos: Domine, doce nos orare, ensina-nos a orar![2] Porque precisamos aprender mais. Temos que crescer mais em ser almas de oração. Ensina-nos, Senhor: Doce nos orare! Ensina-nos a rezar.

E a resposta do Senhor, que lemos no Evangelho, que Ele deu aos apóstolos, Ele também dá a nós: “Quando orardes, dizei: 'Pai nosso'”. É a filiação divina, porque a oração é expressão necessária da filiação divina. Não é apenas algo muito bom: é saber que somos filhas e filhos de Deus em Cristo, identificados com Jesus Cristo, o Unigênito de Deus Pai, Ele, que é o Verbo eterno, é a sua Palavra eterna: é a sua oração. Saber-nos filhos, ser filhos e filhas leva-nos a esse – com palavras e sem palavras – nos dirigirmos ao Senhor: Pai, Abba Pater! Abba Pater! O nosso Padre teve de exclamar tantas vezes, em momentos tão difíceis, esse Abba Pater, Abba, Abba... Pai, Papai, com confiança filial. E assim deve ser a nossa oração, cheia de confiança. A confiança de sermos filhas e filhos pequenos, que precisamos tudo do nosso Deus Pai.

Uma oração, portanto, confiante, simples; também sincera. Sincera para nos colocarmos diante do Senhor como somos. Uma oração que tantas vezes – deve ser, e é – petição: porque precisamos disso. O Senhor quer que Lhe peçamos – não porque Ele precise saber as nossas necessidades, Ele conhece-as melhor do que nós – mas quer que Lhe peçamos porque isso é bom para nós, porque nos faz abrir as nossas almas para estarmos mais dispostos a receber precisamente aquilo que estamos pedindo. “Pedi e recebereis”, peçam e receberão.

Também devemos ter esta fé, este cursum consummavi, fidem servavi. Que ao longo do dia possamos dizer – também no final –, queremos poder dizer que mantivemos a fé, precisamente também nisto: que confiamos no Senhor para Lhe pedir tudo, para nos dirigirmos a Ele. Mesmo nas coisas mais corriqueiras, pedir a sua ajuda.

Pedir a sua ajuda também, logicamente, colocando os meios. Colocando os meios do nosso trabalho, do nosso esforço, colocando tudo o que pudermos para conseguir fazer as coisas. Mesmo se pedirmos – e devemos pedir ajuda ao Senhor. Porque às vezes nós oramos pedindo coisas ao Senhor, mas falta fazer o que pudermos.

A primeira leitura da Missa de hoje, com palavras do Antigo Testamento – do Eclesiástico – fala precisamente disto, de que o nosso Senhor ouve a nossa oração. Temos que ter esta fé de que o Senhor nos ouve. Diz: “escuta, sim, as súplicas dos oprimidos; jamais despreza a súplica do órfão, nem da viúva, quando desabafa suas mágoas. Quem serve a Deus como ele o quer, será bem acolhido e suas súplicas subirão até as nuvens”[3]. Toda oração, seja de quem for. Especialmente a oração daqueles que precisam mais. E nós precisamos tanto, Senhor, da sua ajuda: precisamos que nos ajude, até nas coisas que mais achamos que somos capazes de fazer sozinhos.

Precisamos da sua ajuda para tudo, Senhor, e pedimos com esta simplicidade que queremos ter, com esta confiança de filhas e filhos pequenos, convencidos de que com Você podemos fazer tudo: Omnia possum in eo qui me confortat, podemos tudo com o Senhor. Por isso, devemos ter também esta segurança do impossível, porque com Ele podemos. Poderemos fazer avançar a nossa vida interior, a nossa luta pela santidade, o trabalho apostólico em todo o mundo. Estamos fazendo a Obra em todo o mundo, porque é Senhor quem a faz, através de nossas obras e principalmente através da nossa oração.

Uma oração que tem tantos momentos – que são, e queremos que sejam habituais – de contemplação, de ver o Senhor em tudo: junto de nós, conosco, em nós. Uma oração que também aumentará o nosso desejo de contemplar o rosto de Cristo, esse vultum tuum Domine requiram! Que o nosso Padre repetia. “Senhor, quero vê-lo!” Não porque queiramos morrer já, para vê-lo – também queremos vê-lo no final da nossa vida, claro – mas queremos vê-lo também, Senhor, todos os dias: vê-lo presente conosco, vê-lo nos outros, vê-lo nas circunstâncias do trabalho, do descanso, da vida em família. Vê-lo conosco, e junto a isto queremos, Senhor, como também dizia o nosso Padre, “saber que somos contemplados por Você”.

Isto também é a contemplação, a vida de oração: não só ver o Senhor, mas saber que somos contemplados por Ele. Nosso Padre dizia assim em uma de suas homilias: “Saber que somos contemplados amorosamente por Deus, em todos os momentos”.

Realmente somos tão pequenos, Senhor, que precisamos que seja Você a nos fazer vê-lo, e que nos faça vê-lo assim: contemplando-nos, amorosamente, continuamente. Assim, alcançaremos algo tão maravilhoso como transformar tudo em oração: concretamente o trabalho. Nosso Padre dizia em uma de suas cartas: “Realizem, pois, o seu trabalho, sabendo que Deus o contempla. E o nosso Padre continua: “portanto a nossa tarefa deve ser uma tarefa santa e digna d’Ele: não só terminada até o último detalhe – esse cursum consummavi, em cada coisa, em cada trabalho, em cada dia –, não só terminada até o detalhe, mas realizada com retidão moral, com honradez, com nobreza, com lealdade, com justiça. Então, o trabalho profissional – e todo o nosso trabalho é profissional – não só é íntegro e santo, mas se torna oração”[4].

Ajude-nos, Senhor, nós pedimos por intercessão do nosso Padre, que nos deu este espírito, este dinamismo. Ajude-nos a tornar isto realidade: que realizemos o nosso trabalho sabendo que Você, Senhor, nos contempla. Assim, isto nos ajudará a fazê-lo com mais alegria, com mais esforço, com mais segurança; também com mais sacrifício quando custa, com mais alegria. Por isso a sua contemplação de nós, Senhor, é isso: contemplação amorosa. Contemplar Jesus Cristo.

E podemos dirigir o nosso pensamento, a nossa oração, agora, à Santíssima Virgem. Como Nossa Senhora contemplaria o Senhor! Peçamos-lhe, sabendo que somos fracos, mas pedindo precisamente a sua ajuda, para querer e realizar mais a oração na nossa vida: ser almas de oração. Para viver em nossa vida essa fidelidade diária, que nos leve a terminar cada dia tendo terminado a nossa corrida diária, mantendo a fé, mantendo a fidelidade. E, consequentemente, mantendo também a alegria. Porque fidelidade é felicidade, também nos explicava o nosso Padre. E sempre vimos o nosso Padre assim: contente, precisamente pela sua fidelidade ao Senhor, pela sua união com o Senhor, apesar dos muitos sofrimentos que teve de enfrentar na sua vida.

Mãe nossa, pedimos que nos ajude a terminar a nossa oração, que nos ajude nisto: ser mais almas de oração, e terminar cada dia, podendo dizer aquele cursum consummavi, fidem servavi.


[1] Lc 18,1.

[2] Lc 11,1.

[3] Eclo 35, 15b-17. 20-22a

[4] São Josemaria, Carta 15 de Outubro de 1948, n.º 26.


Texto original em espanhol

Transcripción del audio. Meditación del prelado del Opus Dei, 27.10.2019

Tenemos la Obra en nuestras manos, para cada día recorrer esa carrera —carrera sin prisa, sin nerviosismo, pero carrera— de progreso, de llegar hasta el final de las cosas, de los trabajos, de intentarlo, aunque muchas veces no lo consigamos, pero con el empeño por llegar al cursum consummavi cada día.

Y para eso es necesario, sobre todo, lo sabemos muy bien y procuramos vivir así—, el arma, la gran arma que tenemos, que es la oración. Cuantas veces nuestro Padre [san Josemaría] nos lo ha dicho así. En una de las campanadas del año 73, de junio, nos decía una vez más: “La oración: ésa es nuestra fuerza, no hemos tenido nunca otra arma”. Cuando esto lo escribía nuestro Padre, prácticamente al final de su vida aquí en la tierra —dos años antes de su marcha al Cielo—, cuando decía que “no hemos tenido nunca otra arma”, podría pensar en las grandes batallas que tuvo que librar en su vida, y tenía ese convencimiento de que el arma había sido la oración. Por eso, para nosotros también el arma es la oración: “Nunca hemos tenido otra”, dice nuestro Padre, “y nunca tendremos otra”. La oración.

Hoy, en el evangelio de la Misa, leeremos: “En aquel tiempo, a algunos que, teniéndose por justos, se sentían seguros de sí mismos y despreciaban a los demás, dijo Jesús esta parábola: ‘Dos hombres subieron al templo a orar. Uno era fariseo; el otro, un publicano ya conocemos bien la parábola—. El fariseo, erguido, oraba así en su interior: ¡Oh Dios!, te doy gracias, porque no soy como los demás: ladrones, injustos, adúlteros; ni como ese publicano. Ayuno dos veces por semana y pago el diezmo de todo lo que tengo’”.

Podría parecer que es una oración válida: dar gracias a Dios, el reconocer que uno no es ni ladrón, ni injusto ni adultero; y, además, decir: “Te doy gracias precisamente por esto”, reconocer que ayuna dos veces por semana, que paga todo lo que debe, etc. “El publicano, en cambio, se quedó atrás y no se atrevía ni a levantar los ojos al cielo; sólo se golpeaba el pecho, diciendo: ‘¡Oh Dios!, ten compasión de este pecador’”. —Y sabemos bien la conclusión del Señor: “Os digo que éste bajó a su casa justificado, y aquél no. Porque todo el que se enaltece será humillado, y el que se humilla será enaltecido”.

La oración es nuestra arma, y tiene que ser una oración humilde. Una oración humilde, precisamente porque necesitamos, porque sintamos realmente la necesidad de la oración. Que acudamos a la oración con el alma abierta, necesitada de la ayuda del Señor para todo. Para todo necesitamos ayuda, para dar valor sobrenatural a todas nuestras obras.

Sí, debemos también dar gracias a Dios, pero dar gracias a Dios por las cosas buenas que hay en nuestra vida, porque todo son don suyo. Pero inseparablemente tenemos que pedirle perdón, y tenemos que pedirle ayuda. Me viene enseguida a la cabeza esa oración de don Álvaro: “Gracias, perdón, ayúdame más”, que realmente resume la esencia de nuestra oración. Que es darle muchas gracias al Señor por todo lo muchísimo que nos da, mucho más de lo que sabemos, de lo que experimentamos. También pedirle perdón por nosotros, por todas las cosas que pasan malas en el mundo. Y pedirle ayuda, porque tenemos conciencia de que necesitamos tu ayuda, Señor, para todo. Y eso no nos entristece, sino al revés, nos da seguridad. Porque no podemos ni queremos contar sólo con nuestras fuerzas. Contamos con tu fuerza, con tu ayuda.

Una oración que es nuestra arma, nuestra fuerza, porque no hemos tenido nunca otra, ni tendremos otra. Quiere decir que debe ser algo muy constante, en nuestra vida y en nuestro día. En ese consumar, llegar al final de cada día, tiene que ser también una carrera de oración: llenar nuestro día de oración, en la medida en que nuestra debilidad lo permite, pero siempre con el deseo. Oportet semper orare et non deficere[1]: es preciso orar siempre y no desfallecer.

Estamos intentando ser almas de oración, desde hace ya mucho tiempo. Y nos falta tanto, a veces lo experimentamos, después de tantos años, de tener que decirle al Señor, como ese punto de Camino: “¡Señor, que no sé hacer oración!” Y entonces le pedimos al Señor, se lo decimos ahora también con los apóstoles: Domine, doce nos orare! ¡Enséñanos a rezar![2] Porque necesitamos aprender más. Tenemos que crecer más en ser almas de oración. Enséñanos tú, Señor: Doce nos orare! Enséñanos a rezar.

Y la contestación del Señor que leemos en el Evangelio que les dió a los apóstoles, nos la da a nosotros también: “Cuando os pongáis a rezar, habéis de decir « Padre nuestro»”. Es la filiación divina, porque la oración es expresión necesaria de la filiación divina. No es sólo algo muy bueno: es que es sabernos hijas e hijos de Dios en Cristo, identificados con Jesucristo, el Unigénito de Dios Padre, Él, que es el Verbo eterno, es la Palabra eterna: es su oración. Sabernos hijos, ser hijos e hijas nos lleva a ese —con palabras y sin palabras— dirigirnos al Señor: Padre, Abba Pater! Abba Pater! Tantas veces nuestro Padre tuvo que exclamar, en momentos tan difíciles, ese Abba Pater, Abba, Abba… Padre, papá, con confianza filial. Y así debe ser nuestra oración, llena de confianza. La confianza de ser hijas y de hijos pequeños, que todo lo necesitamos de nuestro Padre Dios.

Una oración, por tanto, confiada, sencilla; también sincera. Sincera para ponernos delante del Señor tal como somos. Una oración que tantas veces —debe ser y es— petición: porque lo necesitamos. El Señor quiere que le pidamos —no porque necesite saber nuestras necesidades, las sabe mejor que nosotros— pero quiere que se lo pidamos porque eso nos viene bien, porque nos hace abrir el alma para estar más dispuestos a recibir precisamente lo que le pedimos. “Pedid y recibiréis”, pedid y recibiréis.

Tenemos que tener también esta fe, este cursum consumavi, fidem servavi. Que a lo largo del día podamos decir —también al final—, queremos poder decir que hemos mantenido la fe, precisamente también en esto: en que nos hemos fiado del Señor para pedirle todo, para acudir a Él. Hasta en las cosas más ordinarias, pedir su ayuda.

Pedir su ayuda también lógicamente poniendo los medios. Poniendo los medios de nuestro trabajo, de nuestro esfuerzo, poniendo de nuestra parte todo lo que podemos para sacar adelante las cosas. Aunque pidamos —y debamos pedir ayuda al Señor. Porque a veces rezamos pidiendo las cosas al Señor, pero nos falta poner por nuestra parte lo que podemos.

La primera lectura de la Misa de hoy, con palabras del Antiguo testamento del Eclesiástico— nos habla precisamente de esto, de que el Señor escucha nuestra oración. Tenemos que tener esta fe de que el Señor nos escucha. Dice: “escucha las súplicas del oprimido, no desoye los gritos del huérfano, ni de la viuda cuando repite sus ruegos, su queja. Los gritos del pobre atraviesan las nubes”[3]. Toda la oración, sea de quien sea. Especialmente la oración de quien más lo necesita. Y nosotros necesitamos tanto, Señor, que nos ayudes: necesitamos que nos ayudes hasta en las cosas que más nos parece que somos capaces de hacer solos.

Para todo necesitamos tu ayuda, Señor, y te la pedimos con esta sencillez que queremos tener, con esta confianza de hijas y de hijos pequeños, convencidos de que contigo lo podemos todo: Omnia possum in eo qui me confortat, todo lo podemos con el Señor. Por eso, tenemos que tener también la seguridad de lo imposible, porque con Él lo podremos. Podremos sacar adelante nuestra vida interior, nuestra lucha por la santidad, la labor apostólica en todo el mundo. Estamos haciendo la Obra en todo el mundo, porque es el Señor el que la hace, a través de nuestras obras, y principalísimamente a través de nuestra oración.

Una oración que tiene tantos momentos —que son y queremos que sean habituales— de contemplación, de ver al Señor en todo: junto a nosotros, con nosotros, en nosotros. Una oración que aumentará también nuestro deseo de contemplar el rostro de Cristo, ese vultum tuum Domine requiram! que repetía nuestro Padre: “Señor, ¡que quiero verte! ¡Que quiero verte!”. No porque queramos ya morirnos para verle —también queremos verle al final de nuestra vida, por supuesto —, pero queremos verte, Señor, cada día también: verte presente con nosotros, verte en los demás, verte en las circunstancias del trabajo, del descanso, de la vida en familia. Verte con nosotros, y junto a esto, queremos Señor —como también decía nuestro Padre— “sabernos contemplados por Ti”.

Eso es también la contemplación, la vida de oración: no sólo ver al Señor, sino sabernos contemplados por Él. Así decía nuestro Padre en una de sus homilías: “Sabernos contemplados amorosamente por Dios a todas horas”.

Realmente somos tan poca cosa, Señor, que necesitamos que seas Tú que nos hagas verte, y que nos hagas verte así: contemplándonos Tú a nosotros, amorosamente, continuamente. Así alcanzaremos algo tan estupendo como es el convertir todo en oración: el trabajo, concretamente. Decía nuestro Padre en una de sus cartas: “Realizad pues vuestro trabajo sabiendo que Dios lo contempla”. Y continúa nuestro Padre: “Ha de ser la nuestra, por tanto, tarea santa y digna de Él: no sólo acabada hasta el detalle, —ese cursum consummavi, en cada cosa, en cada trabajo, en cada día—, no solo acabada hasta el detalle, sino llevada a cabo con rectitud moral, con hombría de bien, con nobleza, con lealtad, con justicia. Entonces, el trabajo profesional —y todo nuestro trabajo es profesional— no solo es recto y santo, sino que se convierte en oración”.[4]

Ayúdanos Señor —te lo pedimos por intercesión de nuestro Padre, que nos ha dado este espíritu, este empuje—, ayúdanos a que sea verdad esto: que realicemos nuestro trabajo sabiendo que tú Señor nos contemplas. Así, eso nos ayudará a hacerlo con más alegría, con más empeño, con más seguridad; también con más sacrificio cuando cuesta, con más alegría. Por eso, la contemplación tuya de nosotros, Señor, es eso: contemplación amorosa. Contemplar a Jesucristo.

Y podemos dirigir nuestro pensamiento, nuestra oración, ahora a la Virgen Santísima. ¡Cómo contemplaría la Virgen al Señor! Vamos a pedirle a Ella —sabiéndonos débiles, pero pidiéndole su ayuda precisamente— para querer y realizar más en nuestra vida la oración: el ser almas de oración. Para vivir en nuestra vida esa fidelidad diaria, que nos lleve a concluir cada día habiendo concluido la carrera diaria, manteniendo la fe, manteniendo la fidelidad. Y, en consecuencia, también manteniendo la alegría. Porque fidelidad es felicidad, también así nos lo explicaba nuestro Padre. Y así lo hemos visto siempre a nuestro Padre: contento, precisamente por su fidelidad al Señor, por su unión con el Señor, a pesar de tanto sufrimiento que tuvo que afrontar en su vida.

Madre nuestra, te pedimos para terminar nuestra oración, que nos ayudes a esto: a ser más almas de oración, y a terminar cada día pudiendo decir ese cursum consummavi, fidem servavi.


[1] Lucas 18, 1

[2] Lucas 11, 1

[3] Eclesiástico 35, 15b-17. 20-22a

[4] San Josemaría, Carta 15-X-1948, n. 26