São Josemaría Escrivá nas Ermidas de Córdova

Em Córdova, no último domingo de Abril foi celebrada a memória de S. Josemaria Escrivá por iniciativa dos ‘Amigos de las Ermitas’. Na Eucaristia celebrada ao ar livre, nas Ermidas*, aludiu-se ao 70º aniversário da sua visita a esse núcleo de meditação e recolhimento na periferia da cidade.

Em Córdova, no último domingo de Abril foi celebrada a memória de São Josemaria Escrivá por iniciativa dos ‘Amigos de las Ermitas’. Na Eucaristia celebrada ao ar livre, nas Ermidas*, aludiu-se ao 70º aniversário da sua visita a esse núcleo de meditação e recolhimento na periferia da cidade.

O evento iniciou-se com a Eucaristia

O evento a que assistiram cerca de 300 pessoas começou às 11h da manhã com uma missa celebrada pelo Vigário Regional do Opus Dei em Espanha, Ramón Herrando, e pelo vigário da delegação da Andaluzia Ocidental e da Extremadura, Juan Vera. Concelebrou igualmente o Prior da Comunidade dos Carmelitas, Pe. António Jiménez Fernández, e interveio o conhecido agrupamento musical cordovês “Noches de mi ribera”

A Associação descerrou um quadro de S. Josemaria comemorativo da sua visita a esse local. Com efeito, a 27 de Março de 1945, S. Josemaria iniciou uma viagem pastoral para conhecer os seus filhos andaluzes e explicar aos Bispos daquelas dioceses em que consistia o Opus Del (Andrés VAZQUEZ DE PRADA, Josemaria Escrivá: O Fundador do Opus Dei. II, p. 548-549).

Ao meio dia de 1 de Abril do mesmo ano, domingo de Páscoa, chegou a Córdova, de carro, vindo de Antequera. Era a segunda vez que visitava a cidade; a anterior tinha tido lugar em 1938. Acompanharam-no José Luis Múzquiz um dos três sacerdotes do Opus Dei cujo processo de beatificação se iniciou há anos e o arquiteto Jesús Alberto Cargigal. Conservam-se as notas que cada um escreveu depois desta viagem e também um mapa dos caminhos de ferro onde está registado a vermelho o percurso completo da viagem: talvez um pormenor relacionado com José Luis Múzquis que antes da ordenação sacerdotal tinha sido engenheiro nos caminhos de ferro.

Hospedaram-se no antigo Hotel Simón que já não existe. Nesse lugar existe agora um banco. Depois de tratar de alguns assuntos e de fazer visitas, durante a tarde Vicente Lombardía e Juan Jordano levaram-no a conhecer as Ermidas: Jesús Alberto escreveu nos seus apontamentos que foram os quatro acompanhantes no carro com Miguel, o motorista, e S. Josemaria.

“Fomos todos no carro às famosas Ermidas de Córdova. Subimos a serra com o mesmo nome por uma grande avenida ladeada de vivendas, e depois por uma estrada de montanha cheia de curvas e subidas”.

Participou o conhecido agrupamento musical cordovês Rondalla Noches de mi ribera

Ainda hoje, mesmo quando as comunicações melhoraram muito, pode reviver-se esse ambiente do caminho montanhoso das Ermidas. Chegaram os visitantes ao seu termo e “puseram-se” à porta.

“Chegamos às Ermidas. Uma praceta e uma porta de paredes caiadas com letreiros em que se pede aos visitantes silêncio e respeito. Batemos à porta. Estamos quase no cimo do monte que domina Córdova”

Tinham consciência de visitar um lugar singular e único no mundo e na Igreja.(...) Quando abrirem a porta visitaremos o único local no mundo em que permanece sem interrupção uma comunidade antiquíssima de eremitas; atualmente são sete, todos velhinhos com a sua respeitável barba branca ou grisalha”. Precisamente um desses ermitãos entregou a S. Josemaria uma folha com os famosos e populares versos de A. Fernández Grilo:

Muito alto está o cume!
A Cruz muito alta!
Para chegar ao Céu
Quão pouco falta!

São Josemaria e os seus companheiros continuaram a visita às Ermidas, segundo narra Jesús Cagigal.

“Admirámos primeiro uma estátua monumental do Sagrado Coração de Jesus que dirige o olhar para Córdova. Visitámos uma ermida das 15 que constituem o cenóbio. Distam umas das outras aproximadamente 100 metros. No declive do monte têm as suas hortinhas bem cuidadas e uma igreja ao centro onde se reúnem para os actos em comum.

Em cada ermida, totalmente caiada, vive um ermitão e nela tem a cama de tábua, o oratório e a cozinha”.

Os visitantes não deixaram de contemplar os versos que aqui e ali se encontram nas Ermidas. Falam da Cruz, da Morte e da Vida. Um ermitão mostra-lhes detalhadamente diversos recantos, entre eles, os “nichos”.

“Vemos uma parede de nichos, e nela um aberto à espera do próximo ermitão que vier a morrer. Por todo o lado caveiras, ossos, etc.“.

São Josemaria disse que dessem uma esmola ao ermitão que lhe tinha entregado a folha com os versos das ermidas

Aqui na solitária
Cela escondida
Um crânio me diz... Morte!
E uma Cruz, Vida!….

***
Muito alto está o cume!
A Cruz muito alta!
Para chegar ao Céu
Quão pouco falta!

Terminada a visita, os viajantes tomaram o caminho de regresso a Córdova. S. Josemaria pediu que parassem o carro. Na encosta do monte, sentados numa rocha S. Josemaria pregou-lhes uma meditação que certamente se centrou sobre o tema da Cruz como fonte de amor e de vida. E rematou dizendo-lhes que eles podiam encontrar um caminho divino sem abandonar o lugar que ocupavam na sociedade.

*“As Ermidas de Córdova” é um conjunto de 13 ermidas onde se albergavam os ermitãos que para ali se retiravam para meditar e levar uma vida de austeridade. A primeira destas ermidas foi construída em 1703. O último ermitão faleceu no ano de 1957, ficando o cenóbio a cargo dos Carmelitas Descalços.