“Pela primeira vez na minha vida, vou ver o Papa”

Raphaël tem 23 anos e foi batizado na Páscoa passada. Alguns meses depois, prepara-se para ver o Papa pela primeira vez, durante a visita de Leão XIV à França. Entre esses dois momentos, há uma história de perguntas, encontros e, sobretudo, amizades.

De 25 a 28 de setembro, o Papa Leão XIV fará uma viagem apostólica à França. Entre os compromissos previstos está um encontro, em Paris, com catecúmenos e neófitos. É nesse contexto que compartilhamos o testemunho de Raphaël, que recebeu o batismo na Páscoa passada.

Raphaël não cresceu em uma família praticante. Seus pais deixaram a ele a liberdade de decidir se queria ou não ser batizado quando se tornasse adulto. Durante muito tempo, o batismo sequer foi uma questão para ele. Até que, em 2022, fez uma viagem a Roma. “Entrei na Basílica de São Pedro e compreendi que o Senhor estava ali e que Ele me esperava”. É difícil para ele explicar melhor esse momento. Mas algo se abriu. Raphaël então começou a se questionar sobre Deus, a religião e a fé cristã. E as perguntas se multiplicaram.

Uma amizade que abre portas

Dois anos depois, uma amizade lhe permitiu seguir esse caminho. Quando era estudante, conheceu um jovem que frequentava o Centro Garnelles do Opus Dei, em Paris. Percebendo seu interesse pela fé, ele o convidou para ir até lá. Raphaël descobriu uma sala de estudos, o oratório, as meditações, os recolhimentos e, certo dia, um retiro espiritual. Acima de tudo, conheceu pessoas com quem podia falar livremente sobre as questões que trazia consigo.

Eu era novo na fé, então me fazia perguntas sobre tudo: os textos, os mandamentos, a moral cristã... Tive a sorte de encontrar pessoas que puderam me ajudar a respondê-las”.

Raphaël não quer apenas descobrir a fé: ele quer compreendê-la. Paralelamente ao catecumenato na paróquia de São Domingos, lê o Catecismo da Igreja Católica, conversa com sacerdotes, conhece a vida dos santos e testemunhos de conversão. Algumas questões o fascinam mais do que outras, especialmente a dos mandamentos, porque encontra nelas respostas muito concretas para conduzir sua vida.

Mas, olhando para trás, insiste sobretudo na dimensão humana de seu caminho rumo à fé. Em Garnelles, vai encontrando, aos poucos, “uma espécie de segunda família”. Essa acolhida o faz compreender que é possível chegar à Igreja com sua história, suas hesitações e um percurso às vezes muito distante da fé.

Uma geração em busca de referências

Raphaël percebe isso também entre seus próprios amigos. Alguns não têm fé, outros começam a se questionar. Ele tenta oferecer a eles o que recebeu: amizade, tempo e a possibilidade de fazer suas perguntas. Está convencido de que, em um mundo onde tudo muda muito rápido, muitos jovens buscam “bases sólidas” nas quais se apoiar.

Também percebe, entre os mais distantes da fé, a sensação de que algo falta e a necessidade de referências mais estáveis. Foi justamente isso que o atraiu na fé cristã: descobrir algo que não muda, mesmo que o mundo ao seu redor se transforme, e sobre o qual possa construir sua vida.

O batismo, “o começo de tudo”

Em setembro de 2025, Raphaël iniciou o catecumenato na paróquia de São Domingos, em Paris. Alguns meses depois, na Páscoa, recebeu o batismo. Durante a preparação, repetiram-lhe uma frase que o marcou: não considerar o batismo como a linha de chegada.

Depois de um ano e meio de caminhada, poderíamos pensar: pronto, estou batizado, está feito. Mas, na realidade, é o começo de tudo”.

Desde então, Raphaël diz ter “a impressão de viver sua vida de forma muito mais intensa”. Sua relação com Deus também lhe proporciona outra maneira de lidar com o que lhe acontece, inclusive nos momentos difíceis. A fé se insere de forma muito concreta em sua vida cotidiana e em seu trabalho. Quando entregou, neste verão, sua monografia de mestrado em história da arte, seu primeiro impulso foi ir à missa para dar graças.

Para mim, era importante agradecer a Deus pelo caminho percorrido ao longo deste ano”.

Essa maneira de unir fé e vida cotidiana é precisamente um dos aspectos da mensagem de São Josemaria que mais o tocou: descobrir Deus também no trabalho, nos estudos e nos relacionamentos.

“Este será o meu Papa”

Apenas alguns meses após seu batismo, uma notícia deu a este ano um significado especial: a viagem do Papa Leão XIV à França. Para Raphaël, a perspectiva tem algo de impressionante: “Será a primeira vez na minha vida que verei o Papa”.

Mas há mais do que isso. Leão XIV é o primeiro Papa que ele tem como batizado. “Pensei: esse será o meu Papa. É o Papa que vai acompanhar meus vinte, meus trinta anos…”.

Raphaël espera, acima de tudo, que essa visita vá muito além do círculo dos católicos praticantes. Alguns de seus amigos que não têm fé também pensam em participar. E se a presença do Papa simplesmente levasse alguns jovens a se questionarem? Para Raphaël, isso já seria muito. Ele sabe, por experiência própria, o que pode nascer de uma pergunta quando se dá espaço para ela.

Seu próprio caminho rumo ao batismo começou assim: com questionamentos, depois com encontros e pessoas dispostas a ajudá-lo a buscar respostas.