"Nunca conheci meu avô, mas ele deixou uma marca em mim"

Santi, membro do Opus Dei, conta como sentiu o chamado de Deus durante uma missa com sua família. Essa decisão mudou sua vida sem tirá-lo do seu lugar.

A voz de Deus na vida de um jovem pode se manifestar de diversas formas: como um sonho que o impulsiona, uma dúvida que o inquieta ou uma certeza que lhe traz paz.

Deus continua a chamar hoje, no meio da vida cotidiana, com uma voz que cada um pode reconhecer em seu coração.


É incrível como, mesmo sem nunca ter conhecido meu avô, ele me marcou tanto. Há muitos anos, ele faleceu em um acidente de trânsito. Desde então, todos os anos, a família se reúne no dia 25 de janeiro, data em que lembramos sua morte, e participamos de uma missa em um colégio maior, em Bonaigua, Barcelona.

Já faz muitos anos, quando eu estava no segundo ano da ESO, em uma dessas missas, depois de comungar, senti uma profunda inquietação. Era uma inquietação incômoda, mas que, ao mesmo tempo, me trouxe uma enorme paz.

No meu colégio, eu tinha um professor com quem me dava muito bem. Por acaso, ele pertencia ao Opus Dei, e contei a ele: “Não sei o que está acontecendo comigo”. Expliquei o contexto da minha vida, a missa do meu avô e esse sentimento. Disse também que, ao terminar o ensino médio, gostaria de ir para algum centro universitário da Obra, onde pudesse conviver com outras pessoas e receber formação.

Eu queria resolver algumas questões, sobretudo porque não estava tranquilo.

Então, precisamente no primeiro fim de semana de outubro, me propuseram fazer um retiro espiritual em Torreciudad, um santuário em Aragão. Como eu estava com essa questão em mente, pensei que poderia ser muito bom para mim, para ver como lidar com aquilo.

Assim, no dia 2 de outubro — lembro como se fosse ontem —, enquanto rezava, senti muito claramente que Deus me chamava para a vocação na Obra, como adscrito do Opus Dei.

Percebi logo que aquilo vinha de Deus, porque eu praticamente não conhecia nenhum adscrito do Opus Dei. O mais natural teria sido pedir admissão tendo como referência outras pessoas que eu conhecia, mas não foi o que aconteceu. Foi então que percebi que aquilo vinha mesmo de Deus. Perguntei a muita gente, li bastante e procurei entender: afinal, o que é ser adscrito? Como se vive essa vocação? Em que ela consiste?

Decidi ser adscrito porque sentia que Deus pedia minha vida inteira, meu coração inteiro, mas sem fazer nada de estranho”.

Decidi ser adscrito porque sentia que Deus pedia minha vida inteira, meu coração inteiro, mas sem precisar fazer nada de extraordinário, sem mudar de vida — continuando a ser quem eu era, no meio da minha família, dos meus amigos, agora na universidade que estava começando, com as pessoas com quem convivia, no meu dia a dia, sem mudar nada.

Meu avô foi do Opus Dei e, embora eu não o tenha conhecido, conversando com minha avó — com quem tenho a sorte de viver — e com muitas pessoas que tiveram o privilégio de conhecê-lo, elas me contavam que ele era uma pessoa muito ocupada, um empresário que passava o dia fora, trabalhava muito, nunca descuidava da esposa nem dos filhos e estava sempre disponível para quem precisasse dele. Ver que ele tinha o mesmo ideal que eu, que compartilhávamos a mesma vocação, me comove profundamente.

E eu estou muito feliz. Saber que Deus tinha um plano justamente para mim, para mim, Santi, desde toda a eternidade... Pensar que eu dei, no máximo, 1%, e Deus me deu cem vezes mais... Isso adoçou minha vida. E poder transmitir esse carinho e essa alegria às pessoas que me rodeiam, à minha família e aos meus colegas da universidade... não há nada que me faça mais feliz. Estou feliz.