Lealdade à Igreja

O que é a Igreja? Onde está? Aturdidos e desorientados, muitos cristãos não encontram respostas firmes para estas questões. Trazemos trechos da homilia "Lealdade à Igreja", de São Josemaria, que podem ajudar a compreender melhor esse tema.

Opus Dei - Lealdade à Igreja

“Uma série de fatos e de dificuldades parecem ter marcado encontro para ensombrar o rosto límpido da Igreja” são palavras atuais de São Josemaria na homilia “Lealdade à Igreja”. Meditar nela pode servir de resposta a estas perguntas sobre a Igreja fundada por Cristo.

É comovente esta insistência de Deus, nosso Pai, empenhado em recordar-nos que devemos apelar para a sua Misericórdia a todo o momento, aconteça o que acontecer. Também agora, nestes tempos em que vozes confusas sulcam a Igreja; são tempos de extravio, porque muitas almas não encontram bons pastores, outros Cristos, que as guiem para o amor do Senhor, mas, pelo contrário, ladrões e salteadores, que vêm para roubar, matar e destruir. (Ioh,8 e 10)

Não temamos. A Igreja, que é o Corpo de Cristo há de ser indefectivelmente o caminho e o redil do Bom Pastor, o fundamento robusto e a via aberta para todos os homens.

Fatos e dificuldades

Mas, o que é a Igreja? Onde está a Igreja? Muitos cristãos, aturdidos e desorientados, não recebem resposta segura a estas perguntas, e chegam talvez a pensar que os ensinamentos que o Magistério formulou através dos séculos - e que os bons Catecismos propunham com toda a precisão e simplicidade - foram superados e hão de ser substituídos por outros novos. Uma série de fatos e de dificuldades parecem ter marcado encontro para ensombrar o rosto límpido da Igreja. Alguns afirmam: a Igreja está aqui, no empenho de acomodar-se ao que chamam tempos modernos. Outros gritam: a Igreja não é mais do que a ânsia de solidariedade dos homens; devemos modificá-la de acordo com as circunstâncias atuais.

A mesma Igreja que Cristo fundou

Enganam-se. A Igreja, hoje, é a mesma que Cristo fundou, e não pode ser outra. Os Apóstolos e os seus sucessores são vigários de Deus para o governo da Igreja, fundamentada na fé e nos Sacramentos da fé. E assim como não lhes é lícito estabelecer outra Igreja, não podem também transmitir outra fébnem instituir outros sacramentos.

Constituída por criaturas com misérias

Gens sancta, povo santo, composto por criaturas com misérias. Esta aparente contradição marca um aspecto do mistério da Igreja. A Igreja, que é divina, é também humana, porque está formada por homens e os homens têm defeitos: omnes homines terra et Cinis (Ecclo XVII, 31), todos somos pó e cinza.

Nosso Senhor Jesus Cristo, que fundou a Santa Igreja, espera que os membros deste povo se empenhem continuamente em alcançar a santidade. Nem todos respondem com lealdade à sua chamada. E é por isso que se notam na Esposa de Cristo, ao mesmo tempo, a maravilha do caminho de salvação e as misérias daqueles que o percorrem.

Prova de virtude

O Divino Redentor dispôs que a comunidade por Ele fundada fosse uma sociedade perfeita no seu gênero e dotada de todos os elementos jurídicos e sociais para perpetuar neste mundo a obra da Redenção.[...] Se na Igreja se descobre alguma coisa que manifeste a debilidade da nossa condição humana, não deve atribuir-se à sua constituição jurídica, mas antes à deplorável inclinação dos indivíduos para o mal; inclinação que o seu Divino Fundador permite mesmo nos mais altos membros do Corpo Místico, para que seja posta a prova a virtude das ovelhas e dos pastores, e para que em todos aumentem os méritos da fé cristã. (Pio XII; enc. Mystici Corporis, 29-VI-1942)

A santidade e os defeitos são compatíveis?

Essa é a realidade da Igreja, agora e aqui. Por isso, a santidade da Esposa de Cristo é compatível com a existência de pessoas com defeitos no seu seio. Cristo não excluiu os pecadores da sociedade por Ele fundada. Se, portanto, alguns membros padecem de doenças espirituais, nem por isso deve diminuir o nosso amor à Igreja. Pelo contrário, até há de aumentar a nossa compaixão pelos seus membros. (Pio XII; enc. Mystici Corporis, 29-VI-1942)

Debilidade e fidelidade, fundamentos da Igreja

Nosso Senhor funda a sua Igreja sobre a fraqueza - mas também sobre a fidelidade - de alguns homens, os Apóstolos, aos quais promete a assistência constante do Espírito Santo. Leiamos outra vez o texto conhecido, que é sempre novo e atual: Foi-me dado todo o poder no céu e na terra. Ide, pois, e instruí todas as gentes, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, ensinando-as a observar todas as coisas que vos mandei. E estai certos de que eu estarei convosco todos os dias, até à consumação dos séculos. (Mt XXVIII, 18-20)