Deus ama-nos

"O Deus da nossa fé não é um ser longínquo que contempla indiferente o destino dos homens. É um Pai que ama ardentemente os Seus filhos. Um Deus Criador que derrama carinho pelas Suas criaturas. E concede ao homem o grande privilégio de poder amar, transcendendo assim o efémero e o transitório".

Opus Dei - Deus ama-nos

Por maiores que sejam as nossas limitações, nós, os homens, podemos olhar com confiança para os céus e sentir-nos cheios de alegria: Deus nos ama e nos livra dos nossos pecados. A presença e a ação do Espírito Santo na Igreja são o penhor e a antecipação da felicidade eterna, dessa alegria e dessa paz que Deus nos proporciona.

É Cristo que passa, 128

Quer que Lhe chamemos Pai, que saboreemos essa palavra, enchendo a alma de alegria.
Consideremos juntos esta maravilha do amor de Deus: o Senhor vem ao nosso encontro, espera por nós, coloca-se à beira do caminho, para que tenhamos que vê-lo necessariamente. E chama-nos pessoalmente, falando-nos das nossas coisas, que são também suas, movendo a nossa consciência à compunção, abrindo-a à generosidade, imprimindo em nossas almas o desejo de sermos fiéis, de nos podermos chamar seus discípulos. Basta percebermos estas íntimas palavras da graça - que muitas vezes são como uma censura afetuosa -, para nos darmos conta de que Ele não nos esqueceu durante todo o tempo em que, por nossa culpa, deixamos de o ver. Cristo ama-nos com o carinho inesgotável que se encerra em seu coração de Deus.

Reparemos como insiste: Eu te ouvi no tempo oportuno, eu te ajudei no dia da salvação. Já que Ele te promete e te oferece oportunamente a glória - o seu amor -, e te chama, tu, que irás dar ao Senhor? Como corresponderás, como corresponderei eu também, a esse amor de Jesus que passa?

É Cristo que passa, 59

Deus está conosco

Não queiramos enganar-nos... - Deus não é uma sombra, um ser longínquo, que nos cria e depois nos abandona; não é um amo que se vai e não volta mais. Ainda que não o percebamos com os nossos sentidos, a sua existência é muito mais verdadeira que a de todas as realidades que tocamos e vemos. Deus está aqui, conosco, presente, vivo. Ele nos vê, nos ouve, nos dirige, e contempla nossas menores ações, as nossas intenções mais escondidas. Acreditamos nisto..., mas vivemos como se Deus não existisse! Porque não temos para Ele nem um pensamento, nem uma palavra; porque não lhe obedecemos, nem tratamos de dominar nossas paixões; porque não Lhe manifestamos amor, nem O desagravamos... Vamos continuar a viver com uma fé morta?

Sulco, 658

A vocação está em primeiro lugar; Deus nos ama antes de que saibamos sequer dirigir-nos a Ele, e deposita em nós o amor com que podemos corresponder-lhe. A bondade paternal de Deus corre ao nosso encontro. Nosso Senhor não se limita a ser justo; vai muito mais longe: é misericordioso. Não espera que o procuremos; antecipa-se, com manifestações inequívocas de carinho paternal.

É Cristo que passa, 33

Medite cada um no que Deus fez por ele e no modo como correspondeu. Se formos valentes neste exame pessoal, perceberemos o que ainda nos falta.(...) Recordemos com calma aquela divina advertência que enche a alma de inquietação e, ao mesmo tempo, lhe sabe a favo de mel: Redemi te, et vocavi te nomine tuo: meus es tu; Eu te redimi e te chamei pelo teu nome: tu és meu! Não roubemos a Deus o que é seu. Um Deus que nos amou a ponto de morrer por nós, que nos escolheu desde toda a eternidade, antes da criação do mundo, para sermos santos na sua presença; e que continuamente nos oferece ocasiões de purificação e de entrega.

Já que Ele te promete e te oferece oportunamente a glória - o seu amor -, e te chama, tu, que irás dar ao Senhor?

Amigos de Deus, 312

Deus amou-nos e convida-nos a amá-lo e a amar os outros com a verdade e a autenticidade com que Ele nos ama. Quem conservar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a vida por amor de mim, encontrá-la-á, escreveu São Mateus em seu Evangelho, com frase que parece paradoxal.

As pessoas em cuidados consigo mesmas, que agem buscando acima de tudo a sua própria satisfação, põem em risco a sua salvação eterna e já agora são inevitavelmente infelizes e desgraçadas. Só quem se esquece de si mesmo e se entrega a Deus e aos outros - também na vida matrimonial - pode ser feliz na terra, com uma felicidade que é preparação e antecipação do céu.

É Cristo que passa, 24

A misericórdia de Deus

A alegria é um bem cristão. Só desaparece com a ofensa a Deus, porque o pecado é fruto do egoísmo e o egoísmo é causa de tristeza. Mesmo então, essa alegria permanece no rescaldo da alma, pois sabemos que Deus e sua Mãe nunca se esquecem dos homens. Se nos arrependemos, se brota do nosso coração um ato de dor, se nos purificamos no santo sacramento da penitência, Deus vem ao nosso encontro e perdoa-nos. E já não há tristeza: é muito justo regozijar-se, porque teu irmão tinha morrido e ressuscitou; estava perdido e foi encontrado.

o nosso Pai-Deus ama a cada um de nós tal como é - tal como é!

Estas palavras são o final maravilhoso da parábola do filho pródigo, que nunca nos cansaremos de meditar: Eis que o Pai vem ao teu encontro; inclinar-se-á sobre os teus ombros, dar-te-á um beijo, penhor de amor e de ternura; fará com que te entreguem um vestido, um anel, o calçado. Tu ainda temes uma repreensão, e Ele te devolve a tua dignidade; temes um castigo, e te dá um beijo; tens medo de uma palavra irada, e prepara um banquete para ti.

O amor de Deus é insondável.

É Cristo que passa, 178

Gostaria que considerássemos agora esse manancial de graça divina que são os Sacramentos, maravilhosa manifestação da misericórdia de Deus. Meditemos devagar na definição do Catecismo de São Pio V: determinados sinais sensíveis que causam a graça, e ao mesmo tempo a declaram, como que pondo-a diante dos olhos. Deus Nosso Senhor é infinito, seu amor é inesgotável, sua clemência e sua piedade para conosco não admitem limites. E, embora nos conceda a sua graça de muitas outras maneiras, instituiu expressa e livremente - só Ele o podia fazer - esses sete sinais eficazes, para que de um modo estável, simples e acessível a todos, os homens pudessem participar dos méritos da Redenção.

É Cristo que passa, 78

Um filho de Deus trata o Senhor como Pai. Não como quem presta um obséquio servil, nem com uma reverência protocolar, de mera cortesia, mas com plena sinceridade e confiança. Deus não se escandaliza dos homens. Deus não se cansa com as nossas infidelidades. Nosso Pai do Céu perdoa qualquer ofensa quando o filho volta de novo para Ele, quando se arrepende e pede perdão. Nosso Senhor é de tal modo Pai, que prevê os nossos desejos de sermos perdoados e a eles se antecipa, abrindo-nos os braços com a sua graça.

Não estou inventando nada. Recordemos a parábola que o Filho de Deus nos contou para que entendêssemos o amor do Pai que está nos céus: a parábola do filho pródigo.

Quando ainda estava longe, diz a Escritura, viu-o seu pai e enterneceram-se-lhe as entranhas; e, correndo ao seu encontro, lançou-lhe os braços ao pescoço e cobriu-o de beijos. Estas são as palavras do livro sagrado: cobriu-o de beijos, comia-o a beijos. Pode-se falar com mais calor humano? Pode-se descrever de maneira mais gráfica o amor paternal de Deus pelos homens?

Perante um Deus que corre ao nosso encontro, não nos podemos calar, e temos que dizer-lhe com São Paulo: Abba, Pater! , Pai, meu Pai!, porque, sendo Ele o Criador do universo, não se importa de que não o tratemos com títulos altissonantes, nem reclama a devida confissão do seu poder. Quer que lhe chamemos Pai, que saboreemos essa palavra, deixando a alma inundar-se de alegria.

É Cristo que passa, 64

Não temas a Justiça de Deus. - Tão admirável e tão amável é em Deus a Justiça como a Misericórdia; ambas são provas do Amor.

Caminho, 431

Deus Omnipotente que se faz Menino

Quanto maior fores, mais te deves humilhar, e acharás graça diante do Senhor. Se formos humildes, Deus nunca nos abandonará. Ele humilha a altivez do soberbo, mas salva os humildes. Ele livra o inocente, que pela pureza de suas mãos será resgatado. A infinita misericórdia do Senhor não tarda a vir em socorro de quem o chama da sua humildade. E então atua como quem é: como Deus Onipotente. Ainda que haja muitos perigos, ainda que a alma pareça acossada, ainda que se encontre cercada por todos os lados pelos inimigos da sua salvação, não perecerá. E isto não é apenas uma tradição de outros tempos: continua a acontecer agora.

Amigos de Deus, 104

Vemos onde se oculta a grandeza de Deus? Num presépio, nuns paninhos, numa gruta. A eficácia redentora de nossas vidas só se produzirá se houver humildade, se deixarmos de pensar em nós mesmos e sentirmos a responsabilidade de ajudar os outros.

Deus humilha-se para que possamos aproximar-nos dEle, para que possamos corresponder ao seu amor com o nosso amor, para que a nossa liberdade se renda, não só ante o espetáculo do seu poder, como também ante a maravilha da sua humildade.

Grandeza de um Menino que é Deus! Seu Pai é o Deus que fez os céus e a terra, e Ele ali está, num presépio, quia non erat eis locus in diversorio, porque não havia outro lugar na terra para o dono de toda a Criação.

É Cristo que passa, 18

Deus é nosso Pai

Temos de aprender a ser como crianças, temos de aprender a ser filhos de Deus. E, de passagem, transmitir aos outros essa mentalidade que, no meio das naturais fraquezas, nos fará fortes na fé, fecundos nas obras e seguros no caminho, de modo que, seja qual for a espécie de erro que possamos cometer, mesmo o mais desagradável, não vacilaremos nunca em reagir e em retornar a essa senda mestra da filiação divina, que termina nos braços abertos e expectantes do nosso Pai-Deus.

Quem de vós não se lembra dos braços de seu pai? Provavelmente não seriam tão mimosos, tão doces e delicados como os da mãe. Mas aqueles braços robustos, fortes, apertavam-nos com calor e com segurança. Senhor, obrigado por esses braços duros. Obrigado por essas mãos fortes. Obrigado por esse coração terno e rijo. Ia dar-te graças também pelos meus erros! Não, que não os queres! Mas Tu os compreendes, os desculpas e os perdoas.

Quando chega um momento difícil: Senhor, não me abandones!

Esta é a sabedoria que Deus espera que pratiquemos na vida de relação com Ele. Esta, sim, é que é uma manifestação de ciência matemática: reconhecer que somos um zero à esquerda... Mas o nosso Pai-Deus ama a cada um de nós tal como é - tal como é! Eu - e não sou senão um pobre homem - amo a cada um de vós tal como é. Imaginai então como será o Amor de Deus! Contanto que lutemos, contanto que nos empenhemos em dispor a vida na linha da nossa consciência, bem formada.

Amigos de Deus, 148

O Senhor veio trazer a paz, a boa nova, a vida, a todos os homens. Não apenas aos ricos, nem apenas aos pobres. Não apenas aos sábios, nem apenas à gente simples. A todos. Aos irmãos que somos, pois somos filhos de um mesmo Pai Deus. Não existe, pois, senão uma raça: a raça dos filhos de Deus. Não existe mais do que uma cor: a cor dos filhos de Deus. E não existe senão uma língua: essa que, falando ao coração e à cabeça, sem ruído de palavras, nos dá a conhecer Deus e faz com que nos amemos uns aos outros.

É Cristo que passa, 106

Persuade-te disto: se quiseres - como Deus te ouve, te ama, te promete a glória -, tu, protegido pela mão onipotente de teu Pai do Céu, podes ser uma pessoa cheia de fortaleza, disposta a dar testemunho em toda a parte da sua amável doutrina verdadeira.

Forja, 463

A filiação divina é uma verdade feliz, um mistério consolador. A filiação divina empapa toda a nossa vida espiritual, porque nos ensina a procurar, conhecer e amar o nosso Pai do Céu, e assim cumula de esperança a nossa luta interior e nos dá a simplicidade confiante dos filhos pequenos. Mais ainda: precisamente porque somos filhos de Deus, esta realidade leva-nos também a contemplar com amor e com admiração todas as coisas que saíram das mãos de Deus Pai Criador. E deste modo somos contemplativos no meio do mundo, amando o mundo.

É Cristo que passa, 65

Nestes momentos de violência, de sexualidade brutal, selvagem, temos de ser rebeldes. Tu e eu somos rebeldes: não nos dá na gana deixar-nos levar pela corrente, e ser uns animais.

Queremos portar-nos como filhos de Deus, como homens ou mulheres muito chegados a seu Pai, que está nos Céus e quer estar muito perto - dentro! - de cada um de nós.

Forja, 15

Um filho de Deus não tem medo da vida nem medo da morte, porque o fundamento da sua vida espiritual é o sentido da filiação divina: Deus é meu Pai - pensa - e é o Autor de todo o bem, é toda a Bondade.

- Mas será que tu e eu nos comportamos, de verdade, como filhos de Deus?

Forja, 987

Sempre que tenhas alguém a teu lado - seja quem for -, procura, sem fazer coisas estranhas, o modo de contagiar-lhe a tua alegria de ser e de viver como filho de Deus

Forja, 143

Vós e eu estamos dispostos seriamente a cumprir, em tudo, a vontade do nosso Pai-Deus? Demos ao Senhor nosso coração inteiro, ou continuamos apegados a nós mesmos, aos nossos interesses, à nossa comodidade, ao nosso amor próprio? Há em nós alguma coisa que não corresponda à nossa condição de cristãos e que nos impeça de nos purificarmos? Hoje apresenta-se-nos a ocasião de retificar.

É Cristo que passa, 15