A primeira visita de um Papa ao Brasil

Lembramos especialmente do Papa João Paulo II no dia 22 de outubro. Para isso coletamos as homilias que ele pronunciou em sua estadia apostólica nas diversas cidades pelas quais ele passou.

O Papa João Paulo II veio ao Brasil em 1980. Era a primeira visita de um Papa ao Brasil. Ele esteve do dia 30 de junho ao 12 de julho e percorreu muitas cidades nesses 12 dias.
Selecionamos algumas palavras suas naquela ocasião. 


MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II PARA O POVO BRASILEIRO

30 de Junho de 1980

Caríssimos irmãos e irmãs do Brasil

Antes mesmo de pisar o solo brasileiro, tenho a alegria de chegar a este País e dirigir-me ao seu povo, através do rádio e da televisão.

A minha mensagem, neste momento, é antes de tudo uma cordialíssima saudação ao povo brasileiro em geral e a cada brasileiro em particular. Saúdo a Igreja no Brasil em seus Pastores e fiéis. Saúdo os Governantes e responsáveis pelo bem comum. Saúdo as famílias, com um pensamento especial para os jovens e as crianças. Saúdo os que sofrem: os doentes, os aflitos, os abandonados e os sós.

Gostaria, depois, de declarar – mas será ainda necessário fazê-lo? – que empreendo estas jornadas, pobre de qualquer aparato inumano. Trago uma só riqueza: uma ilimitada afeição à boa gente do Brasil; um profundo desejo de proclamar-lhe a Boa-Nova, capaz de dar a felicidade possível nesta vida, germe da verdadeira bem-aventurança; a boa vontade de contribuir para consolidar a fé nos filhos da Igreja Católica neste País.

Desde o primeiro momento, eu quis fazer desta viagem uma peregrinação até Fortaleza, onde se prepara o Décimo Congresso Eucarístico Nacional. Cada cidade visitada nesta antiga Terra de Santa Cruz, passando pelo Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, será uma etapa a caminho da meta final: o solene ato de adoração ao Santíssimo Sacramento, mistério da Fé e verdadeiro alimento para a vida eterna. Todo o meu peregrinar pela vossa pátria será para chegar junto com o Brasil ao altar da Eucaristia.

Estou certo de encontrar as portas abertas à minha mensagem de paz e esperança, certo da acolhida sobretudo de tantos e tantas que procuram viver, à luz do Evangelho, a bem-aventurança daqueles “que têm um coração de pobre”.

Tenho enfim um pedido a fazer, a todos os que, no Brasil, professam a fé católica; mas estendo o pedido aos meus irmãos cristãos de outras confissões, a todos os que creem em Deus e aos que, mesmo sem o dom da fé, acreditam nos valores do espírito. Peço que se unam a mim para confiarmos a Deus os caminhos destas jornadas que inicio, com a íntima convicção de corresponder à Sua adorável Vontade. Possa o Senhor dispor e queira aceitar, ao fim do longo itinerário, uma abundante colheita de excelentes frutos.

Na fervorosa expectativa do encontro pessoal, reafirmando minha estima afetuosa a todo o querido Brasil, invoco sobre este País-Continente a plenitude das bênçãos divinas.


HOMILIA DO PAPA JOÃO PAULO II NA CATEDRAL DE BRASÍLIA, Brasília, 30 de Junho de 1980

HOMILIA DO PAPA JOÃO PAULO II AOS JOVENS DE BELO HORIZONTE, Belo Horizonte, 1° de Julho de 1980

HOMILIA DO PAPA JOÃO PAULO II NA SANTA MISSA PARA AS FAMÍLIAS,  Rio de Janeiro, 1° de Julho de 1980

HOMILIA DO PAPA JOÃO PAULO II EM HOMENAGEM AO BEM-AVENTURADO PADRE JOSÉ DE ANCHIETA, São Paulo, 3 de Julho de 1980

HOMILIA DO PAPA JOÃO PAULO II DURANTE A SANTA MISSA NA BASÍLICA NACIONAL DE APARECIDA, Aparecida, 4 de Julho de 1980

HOMILIA DO PAPA JOÃO PAULO II PARA OS CATEQUISTAS EM PORTO ALEGRE, Porto Alegre, 5 de Julho de 1980

HOMILIA DO PAPA JOÃO PAULO II, Curitiba, 6 de Julho de 1980

HOMILIA DO PAPA JOÃO PAULO II DURANTE A SANTA MISSA EM SALVADOR, Salvador da Bahia, 7 de Julho de 1980

HOMILIA DO PAPA JOÃO PAULO II NA SANTA MISSA DEDICADA AOS TRABALHADORES RURAIS, Recife, 7 de Julho de 1980

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II ÀS AUTORIDADES E AO POVO DO PIAUÍ, Aeroporto de Teresina, 8 de Julho de 1980

HOMILIA DO PAPA JOÃO PAULO II NA SANTA MISSA CELEBRADA EM BELÉM DO PARÁ, Belém, 8 de Julho de 1980

HOMILIA DO PAPA JOÃO PAULO II NA SANTA MISSA EM FORTALEZA POR OCASIÃO DA ABERTURA DO X CONGRESSO EUCARÍSTICO NACIONAL, Fortaleza, 9 de Julho de 1980

HOMILIA DO PAPA JOÃO PAULO II NA SANTA MISSA CELEBRADA EM MANAUS, Sexta-feira, 11 de Julho de 1980



DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II NA CERIMÔNIA DE DESPEDIDA DO BRASI,  Manaus, 11 de Julho de 1980

Queridos Amigos Brasileiros, Meus irmãos e irmãs no Senhor Jesus Cristo

1. Chegou, com muita pena para mim, o momento de dizer adeus.

Antes de deixar o solo brasileiro, quero exprimir a minha gratidão profunda a todos: a Sua Excelência o Senhor Presidente da República, ao Episcopado do Brasil, aos membros do Governo, ao Senhor Ministro aqui presente e às demais Autoridades e Responsáveis pelos destinos desta grande Nação.

Impossível citar, mesmo genericamente, todas as pessoas e grupos com quem tive contacto nestes dias abençoados e, por outro lado, não quisera esquecer ninguém. Chegue o meu agradecimento sentido a todo o Povo deste País e a cada um dos brasileiros: aos fiéis católicos e aos não católicos; a todos os homens e mulheres, nascidos ou radicados nesta terra, seja qual for a sua origem étnica, dos primitivos habitantes da “Terra de Santa Cruz”, os índios do Brasil, aos últimos estabelecidos nesta pátria hospitaleira; enfim, a todos aqueles a quem tive o prazer de ver e cumprimentar pessoalmente, bem como àqueles que nestes dias me acompanharam, graças à maravilha dos meios audiovisivos. A todos, muito obrigado! Desejaria que este muito obrigado chegasse particularmente a todos aqueles que participaram de maneira ativa na preparação e no desenrolar desta minha visita pastoral. E houve bem conta de quanto essa tarefa foi grande e de quanto este trabalho foi exigente. Não tenho outro modo para exprimir toda a minha gratidão senão mediante a lembrança nas minhas orações, pedindo que o próprio Deus recompense a todos e a cada um. A todos sem exceção. Quer aos representantes da Autoridade e da Administração quer às instituições da Igreja quer ainda a toda a comunidade da Nação brasileira.

2. Minha estadia no Brasil permitiu-me enriquecer meu conhecimento da língua portuguesa com algumas palavras e expressões. Aprendi, por exemplo, que “quem parte leva saudades”. Devo confessar que já estou sentindo o que significa este ditado. Mas, com a saudade do Brasil, levo também no coração uma imensa alegria e a mais grata satisfação, por tudo aquilo que me foi dado ver, comungar e viver convosco, nestes dias da minha permanência entre vós.

Permanência longa e breve; breve mas suficiente para uma intensa e marcante experiência humana e religiosa, que ficará como cimento de uma profunda amizade.

Deus seja louvado por tudo e por todos! E já que “toda a dádiva e todo o dom perfeito vem do alto”(Tg 1, 17), quero adorar e “dar graças a Deus, a quem sirvo” (Cf. 2Tm 1, 3) pelas muitas alegrias e consolações que sua infinita bondade me quis proporcionar, ao longo desta viagem pastoral.

3. Levo nos olhos e no coração tantas imagens de vida e beleza, que me impressionaram neste dinâmico e promissor País, e as últimas e mais impressionantes serão as imagens portentosas destes rios e florestas do Amazonas. Contudo, mais ainda do que as imagens das inúmeras maravilhas, quer naturais quer criadas pelo homem, é a imagem deste homem brasileiro que levo comigo. Do homem concreto e histórico que é neste momento protagonista de uma hora importante para o País.

Quando no dia 22 de outubro de 1978 dei início solene ao meu ministério na Sé de São Pedro, dirigia-me a todos com uma calorosa exortação: abri as portas a Cristo; abri amplamente os corações a Cristo.

Escancarei as portas a Cristo, quando hoje, depois dos doze dias de meu peregrinar por terras brasileiras, chegou a hora de despedir-me de vós. O meu coração está cheio de gratidão exatamente porque vós abristes as portas Àquele que, como sucessor de São Pedro, veio de Roma para realizar no meio de vós o seu ministério ao serviço do Evangelho. Que Deus vos recompense a vós que haveis acolhido este meu ministério. O Evangelho é a palavra da verdade. É certo que esta palavra nos coloca diante de exigências. Recordai-vos que tais exigências são sempre ditadas pelo amor para com o homem e ditadas por motivo do bem do mesmo homem.

Todo o serviço, o ministério da Igreja tem sempre em vista contribuir para que a vida humana também aqui sobre a terra, se torne sempre mais digna do homem e é por isso que a palavra do Evangelho tem sempre como finalidade o bem de todas as sociedades e de todas as nações. Oh quanto eu desejaria que o meu serviço apostólico em terras brasileiras contribuísse para o bem de toda a vossa grande sociedade nacional, que a reforçasse e a tornasse sempre mais pátria comum de todos aqueles homens que habitam aqui por gerações sucessivas desde os inícios, e de todos aqueles outros que no correr dos tempos aqui encontraram as condições de vida, de existência.

Praza a Deus que nesta Pátria se constitua a grande comunidade na qual reine a fraternidade, o amor, a justiça e a paz. Esta foi também a finalidade do meu ministério exercido no meio de vós.

4. E agora posso confiar-vos um desejo? Que as vossas portas que se abriram para mim com amor e confiança, permaneçam largamente abertas para Cristo. Será minha alegria plena. Na força redentora da Cruz, na energia vivificadora da Eucaristia, e na indefectível proteção de Maria, Mãe da Igreja, a iniciativa da viagem que ora está prestes a terminar. Na Cruz, na Eucaristia e em Nossa Senhora se baseia a minha esperança de que a semente da Salvação que aqui procurei lançar, germine, cresça e dê frutos de amor, de fraternidade e de vida cristã.

Tenho plena confiança de que, pela evangelização autêntica e total, a Boa Nova do amor do Pai, manifestado no seu Filho Jesus, chamando os homens à vida eterna, pela contínua ação do Espírito Santo há de penetrar no coração das massas, pois a Salvação também é “fermento”, destinada a “levedar toda a massa” do querido Povo brasileiro.

Deixando o Brasil, após estas intensas jornadas de fé e de calor humano, e também de calor climático, vós brasileiros continuareis bem presentes na minha oração. Pedirei sempre a Deus que os grandes princípios cristãos, desde sempre arraigados em vós, e sobretudo o senso de Deus e a solidariedade humana, continuem a marcar a fidelidade do Brasil a si mesmo e à sua identidade histórica.

Muito obrigado a todos! Meus melhores votos de prosperidade! Deus lhes pague e abençoe o Brasil, sob a contínua proteção de Nossa Senhora Aparecida!

Eu disse que era a hora de dizer adeus. Mas não: digo-vos apenas Até logo! Até logo! Até logo!

Se Deus quiser.