A personalidade e a sensibilidade humana de Ernesto Cofiño

O doutor Carlos de la Riva recorda Ernesto Cofiño.

Opus Dei - A personalidade e a sensibilidade humana de Ernesto CofiñoErnesto Cofiño e Carlos de la Riva.

Eu o conheci em 1944 quando era interno no Hospital Geral. Ele acabara de regressar dos Estados Unidos. Lembro perfeitamente dele em sua bata branca, com um sorriso nos lábios e um olhar profundo que penetrava tudo.

Os médicos, por ser muito exigente, lhe tinham muito respeito. Foi excelente professor, nunca parecia cansado, a sua apresentação era clara. Tinha algo em seu modo de ser, em seu olhar, em sua mente, que atraia e dava confiança.

O amor às crianças movia-o a uma atividade intensa. Era incansável. Depois do trabalho da semana, saia aos sábados ao meio dia para São João Sacatepéquez. Chegava para trabalhar. Depois do almoço dirigia-se à colônia infantil (instituição para a atenção médica dedicada às crianças de baixos recursos) e dedicava toda a tarde do sábado e manhã do domingo para atender às crianças.

Por onde passou deixou marca. Foi muito trabalhador. Em seus últimos dias de vida, dizia em uma Residência Universitária: “Eu peço ao Senhor que me dê vida porque trabalhei muito pouco”. E tinha se gastado trabalhando a serviço dos outros!

Anos depois da época universitária, enquanto trabalhávamos no Hospital Geral, um dia o vi muito cansado e sugeri que escolhesse entre suas ocupações: a cátedra de Pediatria ou o serviço de Pediatria no Hospital ou sua clínica particular. Respondeu-me: “Com muito gosto vou deixar a cátedra e o serviço de Pediatria”. Mas para minha surpresa foi trabalhar na Cáritas, onde se pôs a organizar cinco mil famílias e atendeu a noventa mil pessoas. Esse foi seu descanso: deixar o Hospital para transbordar-se em amor aos mais necessitados!

Em sua passagem pelo Orfanato entregou-se aos pequeninos que os pais abandonavam ali. Ajudado por dona Clemência, sua esposa, que era Assistente Social, conseguiu que as crianças que tinham pais fossem embora com eles, para atender só aos órfãos. Por iniciativa sua, o nome do Orfanato foi mudado para o de Centro Educativo Assistencial.

Interessou-se pelas crianças desnutridas: estudou profundamente a famosa síndrome de carência infantil, introduziu a transfusão de sangue na Guatemala, trabalhou incansavelmente contra a tuberculose. No Centro Educativo Assistencial preocupou-se em ajudar as crianças em seu crescimento integral; empenhou-se em que aprendessem um trabalho.

Por onde passava deixava uma marca: no Orfanato, na Faculdade de Medicina... Pela nobreza, bondade e sentido profissional com que realizava o seu trabalho, recebeu muitas homenagens nos hospitais São João de Deus, Roosevelt, Maria Tereza e em muitas outras instituições.