A Coragem do encontro

Agnès colabora há dois anos com a associação “Aux Captifs la Libération”, que promove o encontro com pessoas em situação de rua, “com as mãos vazias e coração aberto”, para viver a fraternidade e promover a sua dignidade.

Agnès é do interior da França, mas mora há vários anos em Paris. No bairro onde mora, ela convive com uma pobreza crescente e não deseja permanecer indiferente a ela. Na pequena cidade onde cresceu, todos se conhecem e estão atentos às necessidades uns dos outros. Na capital, Agnès sentiu a necessidade de ir ao encontro dessas pessoas, mas não sabia por onde começar. Então, descobriu uma associação perto de sua casa: a Aux Captifs, la Libération (Aos cativos, a libertação), que promove o encontro com pessoas em situação de precariedade ou de prostituição. Ela decidiu se apresentar com uma intenção simples: fazer algo onde está para aprender a coragem de ir ao encontro das pessoas com quem se cruza todos os dias.

Não sou capaz

Quando lhe propuseram integrar a equipe que vai ao encontro de pessoas em situação de prostituição, Agnès hesitou. Essa missão parecia muito difícil e distante do que ela conhecia. “Minha primeira reação foi pensar que eu não era capaz, que não saberia como fazer. Eu havia pensado em ir ao encontro de pessoas em situação de rua. No entanto, ela acabou aceitando, justamente porque essas pessoas vivem em seu bairro e fazem parte dessa “vizinhança ampliada” para a qual ela não quer fechar os olhos. Essa decisão, tomada com um pouco de apreensão, mas também com muita confiança, marca o início de uma jornada repleta de muitos encontros e novas amizades. “Tive que superar barreiras psicológicas internas, estando completamente ciente de que, se dissesse sim, sairia da minha zona de conforto, mas também teria belas surpresas”.

Ir ao encontro de cada pessoa

Após uma formação inicial na associação, ela começou a fazer rondas às terças-feiras à noite e aprendeu que o mais importante não são as soluções, mas o encontro em si. “Com os Captifs, compreendi que o esperado dos voluntários era simplesmente ir ao encontro de cada pessoa. Recebemos uma formação que nos ajuda a ser nós mesmos e a ousar nesse encontro. Cumprimentar. Ouvir com generosidade e incondicionalmente. Voltar fielmente a esse encontro na semana seguinte. Tecer laços humanos”. Essa experiência faz com que Agnès se lembre do Papa Leão XIV e de sua encíclica Dilexi Te, que ensina que os pequenos gestos de afeto que têm um valor imenso para quem sofre com solidão ou indiferença. “É exatamente isso que vivemos na rua: um olhar, um sorriso, às vezes são suficientes para entrar em contato e criar um vínculo humano. Pode parecer óbvio, mas, nesse contexto, percebo que olhar para alguém de igual para igual pode realmente ajudar a restaurar a dignidade dessa pessoa”.

Ouvir de outra forma

Agnès deseja que essa experiência de acolhimento mútuo, sem qualquer julgamento, não permaneça como algo “à margem” de sua vida cotidiana, mas que transforme todas as suas relações. “Esses encontros que tenho graças à associação me ajudam a ouvir de outra forma, a simplesmente acolher o que a pessoa diz. Espero que isso tenha uma influência gradual nas minhas relações com as pessoas com quem me cruzo todos os dias – seja com a minha família, os meus amigos ou os meus colegas –, mas não é fácil”.

Da caridade à esperança

Bater à porta dos Cativos para oferecer ajuda pode parecer um gesto de caridade, mas para Agnès é também um ato concreto de esperança. “Foi o que um voluntário comentou para mim ao sair de uma formação. No fim das contas, ao ir ao encontro dessas pessoas, reconhecemos que estamos todos no mesmo barco, que avançamos todos no mesmo caminho e que vamos todos para o mesmo Céu.Mas, nesse caminho, juntos, podemos nos apoiar e esperar uma felicidade eterna”.

Em novembro do ano passado, Agnès foi a Roma com os voluntários e beneficiários dos Captifs para participar do Jubileu dos Pobres e viu sua intuição se fortalecer... bem no meio do Ano da Esperança! Durante as oficinas, vigílias e momentos de reflexão, ela se comoveu com as intenções de cada um – um desejo de reconciliação, uma família a reencontrar, a força para um novo começo – que foram confiadas à oração do grupo. Antes de passar pela Porta Santa na Praça de São Pedro, um dos participantes compartilhou simplesmente: “Ao passar por esta Porta Santa, espero que uma porta se abra para mim em minha vida também”.

Essas palavras que ressoam para Agnès como um resumo da necessidade de esperança que habita em todos nós, pois ela está convencida de que “todos temos em nós pobrezas, visíveis ou invisíveis, e temos a esperança de que sempre haverá alguém ao nosso lado que saberá estar atento, disposto a nos apoiar e nos ajudar a abrir uma porta”.