Dos Picos da Europa à Cidade do Tibre

Notas sobre a vida de Salvadora (Dora) del Hoyo (1914-2004), a primeira numerária auxiliar do Opus Dei. Artigo publicado por Ana Sastre na revista especializada Studia et Documenta, do Instituto Histórico San Josemaría Escrivá de Balaguer.

Resumo: Notas sobre a vida de Salvadora (Dora) del Hoyo (1914-2004), a primeira numerária auxiliar do Opus Dei. O relato narra sua origem, em Castela (Espanha), e sua mudança para Madri, em 1940, onde trabalhou por alguns anos no serviço doméstico em casas aristocráticas. Em seguida, o texto descreve seu encontro com Josemaria Escrivá e as primeiras mulheres do Opus Dei, bem como seu posterior pedido de admissão, em 1946. Apresenta-se, ainda que brevemente, sua mudança para Roma e seu trabalho nos centros do Opus Dei na Cidade Eterna, onde faleceu em 2004.


No dia 10 de janeiro de 2004, às quatro horas e oito minutos da madrugada, faleceu em Albarosa[1] – centro do Opus Dei situado na via di Grottarossa junto à via Flaminia Nuova, a poucos quilômetros do centro de Roma – uma mulher chamada Salvadora del Hoyo. Ela completaria 90 anos em 24 horas e poderia ter morrido no anonimato, que nunca evitou em sua longa vida de trabalho, mas não é fácil manter silêncio quando se aprecia o valor de sua vida de serviço.

Dora repousa definitivamente em Santa Maria da Paz, igreja prelatícia do Opus Dei em Roma, onde estão e são venerados os restos mortais do fundador, São Josemaria Escrivá, e do seu primeiro sucessor, Mons. Álvaro del Portillo[2]. A presença de alguns nichos, cobertos por lápides e ainda vazios, é explicada por uma inscrição que indica que neles serão enterradas pessoas do Opus Dei, de diversos países e condições, sem que isso signifique um privilégio especial*.

O fato de os restos mortais de Salvadora del Hoyo – habitualmente chamada Dora – ocuparem um lugar neste espaço representativo, mostra a importância que o fundador sempre deu ao trabalho de administração doméstica e ao cuidado dos centros da Obra. Essa dedicação, que, se não exclusivamente, pelo menos com prioridade, é exercida pelas numerárias auxiliares, foi repetidamente qualificada pelo seu fundador como essencial na Obra. Dessa tarefa se ocupam algumas numerárias e as numerárias auxiliares que, como os demais fiéis do Opus Dei, por vocação divina são chamadas a santificar seu trabalho profissional habitual. São Josemaria destacou muitas vezes que esta tarefa é o apostolado dos apostolados, a espinha dorsal de toda a ação apostólica do Opus Dei, e que é de importância capital para o clima de lar cristão que deve caracterizar os centros da Obra, de acordo com o espírito fundacional[3].

Dora del Hoyo nasceu no planalto castelhano de León, no sopé dos Picos da Europa e foi o primeiro elo – fortemente unido ao fundador –, seguido por uma cadeia formada por muitas numerárias auxiliares, de todas as raças e provenientes dos quatro pontos cardeais. O principal valor deste artigo reside na utilização de duas entrevistas mantidas com Salvadora del Hoyo. Elas foram realizadas com o objetivo de recolher as suas memórias sobre São Josemaria, especialmente dos anos quarenta, quando o conheceu. A primeira entrevista foi preparada por mim pessoalmente e gravada em fita cassete a 4 de junho de 1998, em Roma. A segunda foi realizada por um grupo de pessoas em 11 de setembro de 2000, também em Roma, e foi gravada em vídeo. As lembranças de Dora del Hoyo eram nítidas em relação aos fatos, mas ela nunca mencionou datas, porque não costumava retê-las na memória.

O artigo centra-se, portanto, na vida de Del Hoyo até sua viagem a Roma em 1946, pois foi sobre esse período que ela falou principalmente nas conversas mencionadas. Para resumir o resto de sua vida, utilizei algumas biografias sobre o fundador, bem como outros poucos escritos do Arquivo Geral da Prelazia. Também consultei outros arquivos, que serão indicados no momento oportuno. O objetivo é traçar as grandes linhas de sua biografia, situando-a em seu contexto geográfico e histórico, deixando a outros a tarefa de realizar uma pesquisa detalhada que esclareça a visão do serviço e do trabalho do lar que alimentou sua vida.

Ao lado dos Picos da Europa

Salvadora del Hoyo Alonso nasceu em 11 de janeiro de 1914, em um pequeno vilarejo da província de León chamado Boca de Huérgano, muito próximo a Riaño, região conhecida por sua grande beleza geográfica[4]. Eugenio Casado, pároco da igreja de San Vicente Mártir, escreveu à mão no registro, com letra clara, que em 16 de janeiro, e nessa sua igreja paroquial, havia ocorrido o batismo solene de uma menina, filha legítima de Demetrio del Hoyo e Carmen Alonso, lavradores, naturais e moradores da vila de Boca de Huérgano, a quem deu o nome de Salvadora Honorata[5].

igreja de San Vicente Mártir
Igreja de San Vicente Mártir, Em Boca de Huérgano, onde Dora foi batizada

Boca de Huérgano encontra-se na convergência de amplos vales, limitados por alturas de dois mil metros da cordilheira cantábrica. O rio Esla tem que abrir passagem através dessa elevação de calcário, ardósia e bosques sombrios de faias e carvalhos. O vale do Yuso, rio que desagua no Esla e se precipita em Boca de Huérgano numa esplêndida paisagem de montanha, tem desfiladeiros e pastagens.

A maior densidade populacional encontra-se nos arredores de Riaño, a mais de mil metros de altitude, com invernos longos, cobertos de neve, e chuvas apenas atenuadas pela proximidade dos Picos de Europa. Há pastagens de tipo alpino e grandes rebanhos no estreito vale leonês. O homem molda, com seu esforço secular, a natureza e a paisagem; veem-se terras de cultivo onde crescem trigo, cevada e centeio, bem como batata e legumes. A semeadura é feita em outubro para os cereais, e a colheita ocorre em julho. O verão é a época das leguminosas e o outono das batatas. Mas a grande riqueza concentra-se nos pastos e rebanhos. Também as árvores frutíferas, cerejeiras, ameixeiras, macieiras e pereiras, explodem em flores e frutos na estação da primavera[6].

León, capital da província, exerce sua influência por ser um marco na rota europeia do Caminho de Santiago. Sua catedral mantém o gótico mais puro, em uma autêntica lição de elegância, luz e austeridade.

Mas León tem outros tesouros, como San Isidoro, igreja considerada joia do românico, que data de 1063. Lá reinam o silêncio e a penumbra. Ela guarda o panteão real, onde repousam onze reis, doze rainhas, dez infantes, nove condes e outras personalidades de memória remota. E San Marcos, que foi hospedaria de peregrinos, hospital, prisão e Casa Mayor da Ordem de Santiago no século XVI, é uma surpreendente demonstração de estilo plateresco[7].

O patrimônio artístico destas terras não se limita às cidades: Huelde, Ancias, Pedrosa del Rey, Escaro e Riaño abrigam em seus vales e montanhas ermidas, igrejas, casas senhoriais, escudos, imagens e retábulos que iluminam e acolhem as tradições populares deste lugar privilegiado do planalto castelhano[8].

A arquitetura também reflete as características do ambiente. Ainda se conservam vestígios de construções de Astúrias e Cantábria. As casas típicas de Riaño caracterizam-se pelas suas paredes de pedra rolada fixadas com barro, pedra talhada nos cantos e nas molduras das janelas, tetos de madeira e telhados de duas águas. E ao lado delas, o espigueiro, erguido sobre estacas no solo para proteger os cereais colhidos da umidade e dos animais nocivos.

O vestuário regional é muito variado. Podemos encontrar o traje típico de León, maragato, montanhês, o de pastor de cabras, etc. E alternam-se saias, polainas, capas, botas, sandálias, tamancos e chapéus.

O ano é marcado pelas tarefas do campo e pelos costumes populares e religiosos. Padroeiros, romarias, fogueiras de São João, corridas de cavalos, touradas e jogos de boliche. Tudo contribui para animar a vida de jovens e idosos[9].

Boca de Huérgano

Este é o cenário em que Salvadora del Hoyo nasceu e cresceu, até o momento de se afastar de suas terras e seu povo. Seus pais tiveram cinco filhos: quatro meninas e um menino. Dora era a quarta entre seus irmãos[10].

Eles formavam uma família de lavradores que vivia dignamente, com o necessário. Dora del Hoyo sempre acompanhou seu pai no esforço das tarefas do campo. Ela o descrevia como um homem sério, gentil, de bom caráter e absoluta retidão. Um castelhano puro, nascido no limite das montanhas. Sua mãe, segundo a definição da própria Dora del Hoyo, era avassaladora, com um temperamento forte; contraponto de seu pai, que era sempre sereno e pacífico[11].

Os anos de infância e adolescência de Dora del Hoyo transcorreram rodeados do afeto familiar. Ela trabalhava ao lado dos pais, principalmente nas épocas de maior trabalho no campo. Alimentavam-se dos recursos da terra: legumes, verduras, pão, batatas. E leite, queijo e carne provenientes dos animais que o pai criava e cuidava para transformá-los em reserva para o ano[12].

Suas amigas formavam uma turma alegre. Ela frequentou a escola por apenas seis anos e aprendeu a ler com Dom Quixote, o único livro disponível que tinham os professores de Boca de Huérgano. Jogavam bola, corriam pelo campo, adivinhavam charadas, etc. Del Hoyo era mais um deles. Mas sempre se destacou entre os mais velhos por sua inteligência, capacidade de trabalho e ambição. Nunca fez parte de seus planos passar a vida dentro dos limites da cidade, por mais que amasse sua terra natal e sua família. Os amigos lembram-se de sua aparência: sempre muito cuidadosa com os detalhes de sua aparência pessoal. Durante a adolescência, ela também descobriu a proximidade e o carinho dos rapazes ao seu redor, companheiros de festas, bailes e romarias. Um deles chegou a traçar planos de futuro com ela, mas morreria, ainda muito jovem, durante a Guerra Civil Espanhola de 1936-1939[13].

Quando os pais faleceram, ela estava em Roma e não pôde viajar para a Espanha. Demetrio del Hoyo morreu em 30 de março de 1948 e Carmen Alonso quase um mês depois, em 28 de abril; ambos com 72 anos de idade[14]. Eles partiram abraçando a ajuda da Igreja Católica, cuja fé sempre professaram. Sua filha romana guardou sua lembrança constante em sua alma, com profunda gratidão.

Madri e o serviço doméstico

Um belo dia, Del Hoyo decidiu embarcar na aventura de emigrar, o que na época poderia lhe proporcionar novos horizontes: ir para Madri, cidade onde se reuniam multidões de pessoas vindas de todas as províncias. Lá havia trabalho. Ela tinha mãos hábeis, capazes de manejar a enxada e a agulha, a carroça e a ferro de passar, a colheita do feno e os cuidados da casa. O ambiente familiar a havia tornado forte e serena para enfrentar a vida cotidiana. Mas ela também tinha uma grande capacidade de aprendizagem, o que lhe facilitou compreender as formas sociais e se adaptar a ambientes totalmente diferentes daqueles em que havia vivido.

Para uma mulher sem títulos e formação especial, a única saída inicial era o chamado serviço doméstico [15]. Uma tarefa, então, que acolhia pessoas de natureza muito diversa; tratava-se de cuidar e zelar por uma casa de família, que podia ser pequena ou grande, cheia de crianças ou limitada a um pequeno número de idosos, de classe média simples ou de alta consideração social.

O serviço doméstico, na Espanha, é um fenômeno que remonta ao século XIX e às primeiras décadas do século XX. “A evolução do termo, desde a antiga serva até à atual empregada doméstica, passando pelos termos criada, donzela, sirvienta..., não responde a uma variedade casual de nomes, mas reflete uma profunda evolução social da trabalhadora doméstica na sua própria consciência e na estima que a sociedade tem por ela”[16].

Antes do Código Civil de 1889, havia uma clara diferença entre os servidores domésticos, que comiam e viviam na casa de seus senhores, e aqueles que não compartilhavam essa convivência e eram simplesmente assalariados.

O novo Código de 1889 anulava essa distinção e integrava todos os assalariados no título VI (Contratos de locação), capítulo III, sobre locação de obras e serviços. A seção 1ª tratava do serviço de criados e trabalhadores assalariados e era composta por quatro artigos. O artigo 1583 indicava que podiam existir contratos por tempo determinado, por um determinado período ou para uma obra específica; era proibida a contratação destes empregados para toda a vida. Os artigos 1584 e 1586 indicavam as diferenças entre os criados domésticos e os outros tipos de servos, como criados agrícolas, artesãos, operários e outros trabalhadores assalariados. Enquanto o empregado doméstico podia ser demitido a qualquer momento, os servos não domésticos não podiam ser demitidos antes do prazo sem justa causa e deveriam ser indenizados com o pagamento de quinze dias de salário[17].

O desenvolvimento econômico do país levantou a necessidade de criar uma normativa jurídica para regular o serviço doméstico. Mas voltou-se a discutir se esse trabalho, dadas as suas características especiais e a indefinição das tarefas atribuídas, poderia ser enquadrado numa relação laboral.

Durante oitenta anos, os critérios foram variáveis. Por exemplo, nos contratos de trabalho de 1906 e no projeto de lei de 1919, o trabalho doméstico era considerado como outros empregos assalariados, mas uma Ordem Real de 1920 e o Código do Trabalho de 1926 voltaram a excluí-lo, por não o considerar um verdadeiro contrato de trabalho. A legislação da Segunda República de 1931 também não incluía a categoria de empregados domésticos nos benefícios da jornada máxima, acidentes, descanso dominical, seguros e maternidade. Somente em 1969 eles puderam ser integrados ao regime trabalhista geral. Em 1 de agosto de 1985, foi aprovado o Real Decreto 1424/85 sobre a relação laboral especial do serviço doméstico no lar familiar[18].

As razões para um processo tão longo podem ser resumidas nos seguintes pontos[19]:

a) permanência de uma mentalidade que considera a relação patrão/empregado de forma paternalista e não contratual;

b) a condição feminina daqueles que se dedicam maioritariamente a este trabalho;

c) as dificuldades do setor para se organizar e exercer pressão coletiva em defesa de seus direitos;

d) a quase inexistência de organização sindical neste âmbito;

e) o pouco interesse feminista na defesa do tema.

Nas primeiras décadas do século XX, muitas dessas mulheres chegavam do campo à cidade e, de porta em porta, ofereciam seu trabalho a quem se arriscasse a contratá-las. Risco que elas também corriam ao entrar em um ambiente social e familiar totalmente desconhecido.

Para ajudar esse núcleo de trabalhadoras desalojadas, desprotegidas e expostas a todas as adversidades, já em 1843 havia sido criada a Fundação para Empregadas Domésticas pelo advogado Manuel María Vicuña. Mais tarde, em 1876, essa fundação foi assumida pela recém-criada congregação das Irmãs do Serviço Doméstico, fundada pela sobrinha daquele advogado, hoje santa Vicenta María López y Vicuña. Todo esse processo contou com o apoio do bispo de Madri, cardeal Ciriaco María Sancha, que desde 1871 havia impulsionado a nova congregação religiosa, cuja primeira sede ficava na praça de San Miguel, em Madri[20].

Quando Dora del Hoyo chegou a Madri em 1940, seu ponto de referência foram as religiosas do Serviço Doméstico. Ela já era maior de idade, tinha 26 anos, mas seus pais ficavam tranquilos sabendo que essas religiosas cuidariam de sua filha e lhe conseguiriam um emprego. De fato, a insegurança e o abuso de muitos sobre a precariedade desses empregos fizeram das religiosas de Maria Imaculada um refúgio para as mulheres que chegavam à cidade em busca de um melhor nível de vida.

Os primeiros trabalhos em Madri

Dora del Hoyo era uma mulher alta, de boa aparência[21]. Tinha um olhar direto e franco através de seus olhos castanhos. Ela tinha demonstrado boa capacidade de trabalho e interesse em aprender, e era dotada de uma inteligência e habilidade manual incomuns. As religiosas do Serviço Doméstico deram seu nome e a recomendaram para trabalhar na casa da marquesa de Almunia, que havia solicitado pessoal de confiança[22]. Em pouco tempo, ensinaram-lhe as regras e o tratamento que deveria dar à senhora da casa, valenciana de origem, que tinha sua residência na rua Españoleto, em Madri[23]. Dora del Hoyo mudou-se para lá e a experiência foi um sucesso.

Ela deixou esse emprego quando surgiu outra oportunidade melhor: os duques de Nájera precisavam de uma empregada com suas características e ofereciam um salário consideravelmente mais alto[24]. Del Hoyo mudou-se novamente para assumir esse emprego, no qual logo foi amplamente valorizada para exercer as tarefas mais exigentes.

No entanto, Dora del Hoyo não ambicionava apenas um bom salário e uma acomodação confortável. Ela queria conhecer outras partes do mundo, dominar outras áreas da profissão, aprender outras línguas e culturas. Por isso, deixou sua acomodação na praça do Marquês de Salamanca para estabelecer um novo contrato com a família de um diplomata alemão que estava temporariamente na capital, mas que tinha seu destino próximo em Berlim[25]. Era o ano de 1943.

Os duques de Nájera, que a apreciavam sinceramente, tentaram dissuadi-la de partir, pois ela enfrentaria uma situação perigosa. O duque disse-lhe claramente que ela podia sair da casa, se assim o desejasse, mas que não deveria ir para Berlim, porque estavam em guerra e a sua vida correria perigo. No entanto, Del Hoyo, que não costumava mudar facilmente as suas decisões, tinha terminado de fazer as malas e estava disposta a apanhar o trem de Irún e atravessar a fronteira em breve. Providencialmente, chegou um telegrama em que seus futuros senhores a aconselhavam a permanecer na Espanha, com as despesas pagas por eles, e a empreender a viagem com a nova família alemã no outono seguinte.

Diante da reviravolta dos acontecimentos, Salvadora del Hoyo tomou o caminho de Riaño para se despedir com calma e passar o verão com seus familiares. Lá, ela encontrou o bom senso e o carinho de seus pais, que a fizeram desistir dessa aventura. Após um verão no campo, voltando a respirar o aroma do feno, do tomilho e dos arbustos, e recuperando a linguagem simples, a panela, o jantar em família e o fogo do lar, Dora del Hoyo voltou a bater à porta das religiosas do Serviço Doméstico e regressou à casa dos duques de Nájera[26].

Mas esse período durou pouco, pois lhe foi proposto um trabalho na residência Moncloa, gerida por pessoas do Opus Dei, que ela acabou aceitando. As religiosas de Maria Imaculada conheciam e apreciavam profundamente o fundador, Josemaria Escrivá, e viram em Dora del Hoyo a pessoa adequada para essa tarefa[27].

Dora e sua irmã, em Madri
Dora e sua irmã, em Madri

A Residência Moncloa

Imediatamente após o término da Guerra Civil, Josemaria Escrivá decidiu retomar a atividade apostólica que desenvolvia na residência da rua Ferraz. Mas esse edifício havia sido destruído pelas bombas, então, a partir do dia 14 de julho de 1939, a residência foi instalada em um apartamento localizado na rua Jenner. Porém, logo o local se tornou insuficiente para acolher as pessoas que iam até lá para estudar e receber formação cristã. A isso se somou o fato de que o proprietário do imóvel, que havia se disposto de boa vontade a alugá-lo, quis utilizá-lo. Essa situação acelerou a busca por uma nova sede, ampla, de fácil acesso à Cidade Universitária e acessível, considerando as precárias condições econômicas do momento.

Após meses de procura, foram encontradas duas casas nos números 3 e 4 da Avenida da Moncloa, muito próximas da universidade. Elas haviam sofrido danos durante a guerra. O proprietário comprometeu-se a repará-los e a realizar algumas reformas internas, seguindo as orientações de São Josemaria: as casas teriam capacidade para cem residentes e contariam com uma área independente para as mulheres responsáveis pela gestão doméstica da residência.

No final de julho de 1943, a mudança da residência da rua Jenner foi realizada, apesar de as obras ainda não terem sido concluídas e a equipe de pedreiros ainda estar trabalhando na reconstrução e divisão dos espaços. A residência abriu oficialmente as suas portas em 1ª de outubro desse ano, ainda com as obras de adaptação em andamento[28]. O edifício conhecido como hotel quatro incluía a maior parte dos quartos dos residentes e dispunha de uma ampla sala de estudo. No hotel três ficavam as dependências destinadas à administração da residência, salas de recepção, refeitório, alguns quartos, outra sala de estudo e o oratório. Escrivá celebrou a primeira missa nesta casa, que recebeu o nome da rua, Moncloa, no domingo, 7 de outubro de 1943.

A parte destinada à administração – entendida aqui como as pessoas responsáveis, suas moradias e os trabalhos da casa que realizam – havia sido ocupada por mulheres do Opus Dei. Quando chegaram, ainda havia operários na casa, entulho e incômodos de todos os tipos, aos quais se somava o trabalho de cuidar das duas casas – uma de cada lado da rua – no que se refere à cozinha, lavanderia e limpeza.

A tudo isso é preciso acrescentar que o país vivia um momento de escassez geral após a Guerra Civil Espanhola. O combustível universal era o carvão, de má qualidade, e era necessário conseguir alimentos de formas bastante curiosas, já que os mercados estavam com o abastecimento comprometido. Os materiais de construção eram defeituosos e as avarias eram frequentes, mesmo em instalações recém-montadas.

A equipe de funcionárias contratadas e as mulheres que dirigiam esses serviços não tinham experiência em um trabalho dessa magnitude. O fundador recorreu então à madre Carmen Barrasa, religiosa do Serviço Doméstico, para que lhes fornecesse algumas funcionárias com capacidade e preparação suficientes para realizar essa tarefa.

Quando a residência foi inaugurada, os estudantes enchiam o refeitório em dois turnos e eram, logicamente, barulhentos, desorganizados e propensos a se divertir a qualquer hora e lugar. Somavam-se às tarefas habituais as frequentes visitas de jornalistas e outros convidados que vinham conhecer o Colegio Mayor Moncloa. O trabalho era excessivo: muitas horas do dia e da noite eram gastas calculando despesas, planejando uma alimentação adequada e atendendo às inúmeras necessidades e imprevistos de um projeto inacabado.

Enquanto isso, Salvadora del Hoyo continuava sua vida em Madri. Ela havia recuperado – como já foi dito – seu emprego na casa dos duques de Nájera, que contava com uma dúzia de pessoas a serviço, entre as quais também se encontrava uma de suas irmãs. Ela era bem paga, estava satisfeita: trabalhava, aprendia e se divertia[29].

Certo dia, aparentemente em janeiro de 1944, a madre Carmen Barrasa, a quem ela devia uma grande gratidão, pediu-lhe algo incomum: que deixasse seu emprego e se mudasse para Moncloa, uma residência universitária recém-inaugurada em Madri. Ela explicou que se tratava de uma iniciativa apostólica empreendida por Josemaria Escrivá, juntamente com vários membros do Opus Dei e amigos. Além de acolher estudantes que morariam lá, a residência estaria aberta a outros jovens que quisessem participar das atividades formativas e sociais que seriam organizadas no e a partir desse centro.

Inicialmente, Dora del Hoyo resistiu: por que abandonar uma situação confortável e estável para ir para algo desconhecido e que não parecia muito confortável? A religiosa insistiu com firmeza. Finalmente, Del Hoyo aceitou se mudar para a nova residência, mas o fez com o propósito de, assim que cumprisse o compromisso, retornar[30]. Com os nomes de Narcisa (Nisa) González Guzmán, diretora, e Encarnación Ortega, secretária, dirigiu-se a Moncloa.

Ao chegar à residência, percebeu o que significaria esse novo trabalho: tudo estava em obras, inclusive a cozinha, a área de passar roupa e os quartos. Tudo estava cheio de poeira, umidade e as consequentes dificuldades. Bastava olhar para ver.

Ela ficou lá um mês sem tirar todos os seus pertences da mala, pois pensava em ir embora a qualquer momento. Ocupava um dormitório, com cortinados, que era preciso limpar para poder se deitar quando os operários terminavam o dia de trabalho. Ao finalmente desfazer a mala, disposta a ficar, contraiu uma angina enorme devido à umidade, o que a obrigou a voltar para a residência do serviço doméstico. Ficou lá por oito ou dez dias, até melhorar[31].

E voltou para Moncloa. Por quê? Ela nunca soube explicar. Entre suas lembranças, ela encontrou algumas razões: as religiosas haviam pedido isso. Por outro lado, Encarnación Ortega e Narcisa G. Guzmán eram duas mulheres jovens, sem experiência no ofício que agora lhes cabia fazer, e que possuíam um trato e um carinho excelentes. Ela percebia o sacrifício e a paixão que elas dedicavam à realização daquele projeto, apesar das dificuldades. Ela sentia pena delas. Trabalhavam muito, eram poucas, jovens e as funcionárias não tinham experiência suficiente[32].

No início, enquanto a casa estava em obras, elas passavam roupa na sala de jantar da residência, juntando as mesas. Na cozinha, precisavam abrir um guarda-chuva, pois a água das goteiras vazava. O carvão, típico do pós-guerra, era metade terra e não queimava direito. Mesmo com um orçamento reduzido, as refeições tinham que ser abundantes e bem feitas[33].

Del Hoyo conheceu Escrivá em uma das visitas que costumava fazer aos sábados à área administrativa da residência. Ela ficou imediatamente atraída por seu estilo direto, alegre e otimista. No primeiro encontro, São Josemaria demonstrou interesse por cada uma delas, perguntando seus nomes, o que faziam, se estavam contentes e se eram bem atendidas pelas senhoritas (como eram chamadas na época). Em outras ocasiões, além de perguntar como estavam, ele as incentivava a realizar as tarefas domésticas com amor a Deus, cuidando dos pequenos detalhes, às vezes entrando em detalhes que ajudavam a conservar bem a casa, já que era nova. Por exemplo, certa vez, ele lhes ensinou a abrir as portadas das janelas, prendendo a correntinha que tinham, para que não batessem e quebrassem, e explicou-lhes que, ao limpar os quartos, deveriam deixar as coisas em seus lugares. Em cada encontro, ele insistia que elas deveriam estar alegres, por saberem que eram filhas de Deus, e que deveriam contar às senhoritas qualquer preocupação que tivessem. Falava-lhes da importância do seu trabalho e de como era necessário, tanto quanto o do médico ou do arquiteto; levava-as a sentir-se orgulhosas de serem empregadas domésticas, a realizar o seu trabalho de forma profissional e a amar o seu uniforme como um militar, um piloto ou um marinheiro ama o seu. Nessas ocasiões, também as aconselhava a se dirigirem com vivacidade à Virgem Maria e a praticarem outras devoções, para que adquirissem vida espiritual. Elas se sentiam tão à vontade que todas as semanas perguntavam a Nisa G. Guzmán se o padre viria no sábado[34].

Nesse período, Salvadora del Hoyo começou a ler e a meditar as considerações espirituais que o fundador do Opus Dei havia publicado em Caminho[35].

O trabalho era abundante. Consistia na limpeza das casas que formavam a residência, chamadas, na época, de três e quatro. Elas serviam a mesa para dois turnos de comensais, e para isso se alternavam: Dora del Hoyo e outra funcionária, Concepción Andrés. Enquanto uma atendia ao refeitório, a outra passava roupa. Ao saírem para jantar, acendiam o fogão e colocavam os ferros sobre ele para aquecê-los. Naquela época, era costume usar camisas engomadas, ou seja, impregnavam-se de goma o peito, o colarinho e os punhos, o que exigia esticá-las enquanto ainda estavam molhadas. Cada residente — chegaram a ser 120 — costumava ter sete ou oito camisas. Os lenços podiam chegar a oitocentos ou mil por semana. Por isso, muitas vezes, Del Hoyo e Andrés ficavam passando roupa até as duas da manhã. Quando González Guzmán e Ortega descobriram, mudaram a organização do trabalho: Dora del Hoyo, em vez de ir para a limpeza, passaria roupa[36].

No verão de 1945, antes de Dora del Hoyo partir para Riaño, Narcisa G. Guzmán se despediu dela convidando-a para acompanhá-las em uma nova residência que seria inaugurada em breve em outro local. Dora del Hoyo concordou, mas indicou sucintamente que não gostaria de ir para Bilbao ou Zamora: “gosto desses lugares, mas não para ficar”[37].

A Residência Abando, em Bilbao

Nos últimos dias de agosto de 1945, chegou uma carta à casa da família de Dora del Hoyo em Boca de Huérgano. Narcisa G. Guzmán esperava por ela para trabalhar com elas na nova residência Abando, em Bilbao. Então ela comentou em voz alta: “Eu não vou para lá”. Seu pai interveio, dizendo que ela havia dado a palavra de que iria, então tinha que cumprir. Diante da insistência da filha, ele repetiu o mesmo, acrescentando que ela poderia desistir se não se sentisse à vontade, mas que, tendo dito que iria, tinha que se apresentar[38].

Del Hoyo sempre dizia que devia sua vocação no Opus Dei ao seu pai, aquele homem capaz de conseguir recursos para a família em meio às carências, que não recusava nenhum trabalho honesto e ensinava aos filhos a nobreza de exercer com excelência as tarefas do seu ofício. E assim chegou a Bilbao em 19 de setembro de 1945[39]. Ao procurar a casa, encontrou uma religiosa do Serviço Doméstico, a quem pediu que a acompanhasse, pois, se não encontrasse o local, voltaria com ela para o colégio. Em um lugar onde tudo era escombros, ela percebeu a presença de Pedro Casciaro e Manuel Botas, que tinha visto em Moncloa. Deduzindo que aquela seria a residência, despediu-se da religiosa e bateu à porta. Efetivamente, lá a esperavam e a cumprimentaram calorosamente. A situação de Abando era a mesma que a de Moncloa quando chegaram: operários, umidade..., ou seja, o desconforto dos começos. A cozinha funcionava precariamente, o engomador estava inacabado, ainda não havia lavanderia e elas tinham que lavar a roupa nos banheiros. Essa situação durou um mês[40]. Estavam lá eram Narcisa González Guzmán, Carmen Gutiérrez Ríos, Digna Margarit e Guadalupe Ortiz de Landázuri, que pertenciam ao Opus Dei[41]. Também estava Concepción Andrés e uma senhora idosa que cozinhava, chamada María[42].

Salvadora del Hoyo fazia de tudo: cozinhava com Concepción Andrés, principalmente quando a cozinheira se irritava com o cardápio indicado e se recusava a cozinhar, e também fazia a limpeza e passava roupa. Mantinha os pisos de madeira brilhantes, encerando-os[43].

Em novembro daquele ano, 1945, Nisa G. Guzmán começou a conversar com Dora del Hoyo sobre o Opus Dei. Pouco se podia explicar sobre uma instituição que estava em seus primórdios e da qual não havia nada semelhante. Dora del Hoyo compreendeu o essencial e procurou explicá-lo aos seus pais antes de concretizar o passo que queria dar: tratava-se de um chamado de Deus para lhe entregar inteiramente a sua vida – ela não se casaria –, no meio do seu trabalho comum, sem ser religiosa. Continuaria fazendo o que fazia, por amor a Deus, como tinha aprendido a fazer em Moncloa e em Abando; viveria com as outras mulheres da Obra e lhes escreveria muito[44]. Mais uma vez, foi o pai que lhe falou claramente, dizendo-lhe que ela era maior de idade e que a decisão era sua, mas que deveria pensar bem, porque depois não poderia abandonar esse caminho[45]. Em 14 de março de 1946, Salvadora del Hoyo escreveu a São Josemaria pedindo-lhe para ser do Opus Dei; no dia seguinte, Concepción Andrés fez o mesmo[46].

Elas foram as duas primeiras numerárias auxiliares do mundo, com formação e dedicação profissional como empregadas domésticas[47].

No dia 3 de maio daquele ano, ambas se mudaram para Los Rosales, uma casa recentemente adquirida em Villaviciosa de Odón, cidade muito próxima de Madri[48]. Lá, receberiam a formação necessária para viver bem sua entrega a Deus: com aulas de doutrina cristã e sobre o espírito do Opus Dei. Elas tiveram a oportunidade de ver várias vezes o fundador que, como pai, lhes expunha o caminho que iriam empreender: na Obra, cada um continuava com seu trabalho ou ofício – o que fazia antes de pertencer ao Opus Dei –, mas com uma diferença: o desejo de se santificar por meio dessas ocupações[49]. Nessas ocasiões, São Josemaria voltava a lhes mostrar a projeção sobrenatural do seu trabalho; a dimensão apostólica universal de sua entrega. Com o fundador aprenderam também muitas ideias e detalhes para aprimorar seu ofício. Tudo envolto em verdadeiro afeto e na certeza de contar com a lealdade de cada uma dessas mulheres.

Roma, Cidade Eterna

No dia 23 de junho de 1946, Escrivá mudou-se para Roma. Tal mudança foi aconselhada pelo caráter universal da Obra e pelo desenvolvimento dos apostolados em novos países. Obter a bênção e a aprovação pontifícias era condição imprescindível para se espalhar por todos os cantos do mundo.

A primeira residência do fundador e de outros membros do Opus Dei foi um pequeno apartamento em um prédio na piazza Città Leonina, muito perto do Vaticano. Em uma carta desse mesmo mês de junho, ele antecipava que algumas mulheres do Opus Dei se mudariam para Roma, porque isso era conveniente para o desenvolvimento da Obra[50].

Em julho daquele ano, Dora del Hoyo soube que seria uma das que viajariam para Roma, se quisesse[51]. No dia 27 de dezembro de 1946, chegaram ao aeroporto de Ciampino Encarnación Ortega, Dorotea Calvo, Julia Bustillo, Dora del Hoyo e Rosalía López. As duas primeiras eram numerárias; as outras três, numerárias auxiliares.

Poucos anos depois, em 1949, elas puderam se instalar em um local um pouco mais espaçoso, em uma parte independente da casa que anteriormente havia sido ocupada pela Legação da Hungria, que havia sido adquirida em condições excepcionais. As economias e a generosidade de todos aqueles que estavam iniciando o caminho do Opus Dei em diversos lugares também contribuíram para o pagamento dos créditos necessários para a aquisição de todo o imóvel[52]. No início, a moradia do fundador e dos outros membros da Obra era a área ocupada pelos porteiros da legação. O Pensionato, como chamaram a esse edifício, em pouco tempo beneficiou de limpeza e ordem. Além disso, em 29 de junho de 1948, São Josemaria fundou o Colégio Romano da Santa Cruz, no pequeno espaço que oferecia o Pensionato. Lá, um pequeno número de alunos se instalou para conviver e estudar[53]. Em outubro de 1950, chegaram mais vinte.

A administração doméstica desse centro era composta por várias mulheres do Opus Dei. O grupo inicial havia mudado, mas entre elas continuava Dora del Hoyo.

Durante os quase trinta anos em que Del Hoyo viveu e trabalhou nesses edifícios, teve a oportunidade de cuidar também dos serviços domésticos durante as estadias de São Josemaria em diferentes localidades. Entre 1958 e 1972, o fundador deixava Roma nos meses de verão, com o objetivo de se afastar das ocupações habituais, descansar um pouco e dedicar tempo a algum trabalho especial. Assim, entre 1958 e 1962, passou os meses de julho e agosto em Londres; nos verões de 1963 e 1964 esteve em Reparacea e em Elorrio – no norte da Espanha – respectivamente; de 1965 a 1972, permaneceu na Itália durante os verões, mas fora de Roma: Castelletto del Trebbio, Gagliano Aterno, Sant’Ambrogio Olona, Premeno, Caglio e Civenna. A partir desses lugares, viajou para a França, Espanha, Alemanha, Áustria e Suíça a fim de visitar os fiéis do Opus Dei e incentivá-los em sua tarefa[54].

No grupo de mulheres que cuidava das tarefas domésticas durante esses períodos de verão estava presente Dora del Hoyo, exceto em Reparacea e Elorrio. Junto com as outras, seu trabalho consistia, na maioria das vezes, em preparar os locais que os proprietários emprestavam ou alugavam, transformando-os em um lugar agradável para o fundador e seus poucos acompanhantes – geralmente Álvaro del Portillo, Javier Echevarría e um terceiro – pudessem trabalhar e descansar. Faziam as compras, preparavam as diversas refeições, mantinham a casa limpa e em bom estado, lavavam e passavam a roupa. Muitas vezes era necessário, além disso, encontrar soluções engenhosas para superar as dificuldades decorrentes da escassez de móveis. Graças ao trabalho bem feito por aquelas que se encarregavam das tarefas domésticas, Escrivá pôde realizar as tarefas que se propôs concluir nesses períodos, como a revisão de documentos de governo do Opus Dei, cartas dirigidas à formação dos membros da Obra e livros que seriam publicados[55].

Dora del Hoyo dedicou quase trinta anos de sua vida ao trabalho na sede central do Opus Dei, na Cidade do Tibre. O fundador depositava nela toda a sua confiança e sabia que seu esforço contribuiria para manter viva a administração dos centros, que ele sempre definiu como “a espinha dorsal do Opus Dei”.

Cavabianca

Os edifícios da sede definitiva do Colégio Romano da Santa Cruz foram concluídos em setembro de 1976. No entanto, em 22 de junho de 1975, o fundador teve ali seu último encontro com membros do Opus Dei provenientes de vários países. Quatro dias depois, entrou na morada definitiva de Deus.

Para Dora del Hoyo, foi sua última casa. Após longos anos em Villa Tevere, muito perto da presença do fundador, ela aceitou, com sua alegria habitual, mudar-se para Albarosa, nome do centro responsável pela administração doméstica do recém-construído Colégio Romano da Santa Cruz. Ela sabia, por solicitação de São Josemaria, que seu trabalho e experiência seriam necessários, mais uma vez, para a colocação em funcionamento desses edifícios.

Apesar da excelente montagem da casa, os primeiros dias foram difíceis: limpezas, frio, falta de aquecimento e água quente, etc. Del Hoyo voltou a ser um exemplo de fortaleza, animando a todas.

Frequentemente, Álvaro del Portillo – sucessor de Josemaria Escrivá à frente do Opus Dei – visitava Cavabianca e passava pelo centro anexo para conversar um pouco com as residentes. Em um destes encontros, em março de 1984, disse-lhes: “Minhas filhas, é lógico que hoje eu passe um tempo com vocês: faz dez anos que esta casa existe. Recentemente, fizemos um cálculo aproximado dos sacerdotes que saíram daqui nesse período: cerca de quinhentos. Se eles podem estar trabalhando em todo o mundo – e o fazem muito bem –, é, em parte, graças ao trabalho de vocês, minhas filhas. Que Deus as abençoe! O que nosso Padre dizia se realiza: vocês não são vistas, mas o fruto do seu trabalho está espalhado por toda a terra”[56].

Fim da jornada

A partir de agosto de 2003, o estado de saúde de Dora del Hoyo foi piorando. Sua resistência sempre foi proverbial, até que, em 1987, ela sofreu um infarto cardíaco, mas se recuperou satisfatoriamente. Quando completou oitenta anos, em janeiro de 1994, Álvaro del Portillo pediu a todas as pessoas da casa que comemorassem em grande estilo. E assim foi: uma festa alegre, percorrendo os lugares do mundo onde ela, indiretamente, havia deixado sua marca e sua vida. Naquele ano, sua fraqueza física era evidente e ela tinha uma insuficiência pulmonar que a impedia de descansar.

A partir do dia 9 de janeiro de 2004, seu estado se tornou terminal. Toda a casa estava atenta à evolução de seu estado. Javier Echevarría, então prelado do Opus Dei, recolhia informações dos médicos que a atendiam. Havia no ambiente uma atmosfera de simplicidade e grandeza, de carinho e gratidão autênticos.

A partir da madrugada de sábado, dia 10, o coração de Dora del Hoyo começou a falhar. Pouco antes das quatro horas, sua respiração tornou-se imperceptível e, poucos minutos depois, com o crucifixo nas mãos, ela abandonou sua longa e fecunda caminhada pela terra para entrar na eternidade de Deus.

O velório foi preparado na capela do centro, dedicada a Santa Maria Rainha. Javier Echevarría celebrou a Santa Missa e, em uma homilia breve e profunda, destacou que todos nós devíamos assumir o bastão com a mesma elegância com que ela o recebeu e dar muitas graças a Deus por Dora del Hoyo. Outra etapa histórica da Obra estava chegando ao fim, pois ela foi a primeira numerária auxiliar[57].

Funeral na Igreja Prelatícia de Santa Maria da Paz
Funeral na Igreja Prelatícia de Santa Maria da Paz

Os restos mortais de Salvadora del Hoyo foram colocados no caixão por numerárias auxiliares de todo o mundo: Ria van der Oever, da Holanda; Marcelina Orduña Arredondo, do México; Rose Anne Waithira Karobia, do Quênia; Felicity Simpson, da Austrália; e Vilma Tibi Sayson, das Filipinas. Em seguida, o corpo foi transferido para Santa Maria da Paz, na sede central do Opus Dei, em Roma. Às três e meia da tarde do dia 11 de janeiro, o caixão foi definitivamente fechado, para ser depositado num lado da cripta, em um dos lados da cripta, ao lado do túmulo de Álvaro del Portillo e sob o altar onde estão os restos mortais de São Josemaria Escrivá[58].


Ana Sastre. Doutora em Medicina. Prêmio da Real Academia de Madri. Especialista em Medicina Interna, Endocrinologia e Nutrição. Chefe da Unidade de Nutrição Clínica do Hospital Ramón y Cajal de Madri até 1999. Professora nas Faculdades de Medicina da Universidade de Navarra, da Universidade Autônoma e da Universidade de Alcalá de Henares (Madri). Participou em mais de duzentos congressos, nacionais e internacionais. Prémios: Doutor Marañón, para o melhor cientista na área da alimentação (1990); Abraham García Almansa, para a promoção da nutrição clínica em Espanha (1996). Primeira Medalha de Ouro da Sociedade Espanhola de Nutrição Básica Aplicada. Como escritora, tem uma biografia de Josemaria Escrivá (Madrid, Rialp, 1989).

e-mail: anasax@teleline.es


[1] Desde 1974 Cavabianca, sede do colégio Romano da Santa Cruz, centro de formação e seminário internacional da Prelazia do Opus Dei em Roma, encontra-se nas proximidades da Cidade Eterna. Em locais anexos independentes, situa-se outro centro, denominado Albarosa, onde as mulheres do Opus Dei atendem a administração doméstica de Cavabianca.

[2] O túmulo do fundador está localizado sob o altar da referida igreja, na viale Bruno Buozzi, 75. Na cripta da igreja está enterrado Álvaro del Portillo, e numa subcriptaencontra-se o túmulo de Carmen Escrivá, irmã do fundador, que – sem ser do Opus Dei – dedicou grande parte de sua vida à administração doméstica dos centros da Prelazia.

[3] Cf. El trabajo de la Administración, Roma 1993, AGP (Arquivo Geral da Prelazia), P19; Andrés Vázquez de Prada, O fundador do Opus Dei, vol. 2, São Paulo, Quadrante.

[4] Cf. Pedro Gómez Gómez, La lucha secular por la supervivencia en la Montaña de Riaño, Oviedo, Universidade de Oviedo, 2006.

[5] Cf. Livro paroquial (1914), Paróquia de San Vicente Mártir (Boca de Huérgano, León), fol. 37.

[6] Sobre esta zona de León, cf. Enrique Martínez FIDALGO,Riaño, León, Dirección, 1987; Lorenzo López TRIGAL,La provincia de León, León, Santiago García, 1996.

[7] Cf. Alfonso GARCÍA, León y su provincia, León, Edilesa, 2002, e Antonio VIÑAYO, León, Madrid, Everest, 1977.

[8] Cf. Julio LLAMAZARES, El rio del olvido, Barcelona, Seix Barral, 1996.

[9] Cf. José Augusto Martínez Ruiz (AZORÍN), Castilla,Madrid, Incafo, 1986.

[10] Entrevista de Ana Sastre a Dora del Hoyo em Roma, 4 de junho de 1998.

[11] Entrevista de Ana Sastre a Dora del Hoyo em Roma, 4 de junho de 1998.

[12] Entrevista de Ana Sastre a Dora del Hoyo em Roma, 4 de junho de 1998.

[13] Cf. escrito de Patrocinio Rodríguez del Hoyo, León, 10 de janeiro de 2005.

[14] Cf. Livro paroquial (1948), Paróquia de San Vicente Mártir (Boca de Huérgano, León), fol. 93v-94.

[15] Sobre este tema, veja Liborio ACOSTA DE LA TORRE, El servicio doméstico y el centro protector de la mujer, Madrid, R. Velasco, 1878; Jesús María Vázquez, El servicio doméstico en el pensamiento de Pío XII, Madrid, Acción Católica Española, 1958; Leonor Meléndez, El servicio doméstico en España, Consejo Nacional de Mujeres de Acción Católica, Madrid, Cóndor, 1962. Para una visión actual del trabajo doméstico, cfr. María Pía Chirinos, Claves para la antropología del trabajo, Pamplona, Eunsa, 2006.

[16] María Digna Díaz Pérez, História das Religiosas de Maria Imaculada. Algumas notícias sobre a origem, fundação e desenvolvimento do nosso Instituto (1843-1890), Madri, Editábor, 2002, pp. 62-63.

[17] Cf. Código civil, Madri, Edições Jurídicas Espanholas, 1889.

[18] Cf. Gaspar RULLÁN BUADES, La gran desconocida. Estudo sociológico sobre a empregada doméstica em Madri, Madri, RMI-TEA, 1998; IDEM, Anónima en la gran ciudad. Estudo de um coletivo marginalizado: a empregada doméstica, Diputación Provincial de Córdoba-Caja de Castilla La Mancha, 1995.

[19] Cf. María Ángeles SALLÉ ALONSO,Situación del servicio doméstico en España, Madri, Instituto de la Mujer, 1985, pp. 38-59. Também sobre esta questão, pode-se consultar Luis Suárez, Crónica da Secção Feminina, Madri, Associação Nueva Andadura, 1992; María Fernanda DE CHURRUCA,Guia do serviço doméstico, Madri, Espasa, 2002.

[20] Cf. Díaz Pérez, História das Religiosas, p. 295; cf. também José Fernández MONTAÑA (ed.), Vida da reverenda madre Vicenta María López y Vicuña, angelical fundadora do Instituto das Filhas de Maria Imaculada para o serviço doméstico, escrito por suas religiosas contemporâneas, com cartas e documentos, Madri, Imp. de Gabriel López y del Hoyo, 1910; José ARTERO, Vida da venerável madre Vicenta María. Fundadora das Filhas de Maria Imaculada para o serviço doméstico e proteção das jovens em geral, Madri, Aldus, 1943.

[21] Encarnación Ortega, que conheceu Dora del Hoyo nos anos 40, conta o seguinte episódio, relatado por Dora del Hoyo, sobre como foi contratada numa das casas onde trabalhou: “A patroa perguntou à empregada daquela casa se ela conhecia alguma colega que fosse eficiente, responsável e de boa aparência, ‘mas que não fosse charmosa’. Ela precisava dela para ser empregada doméstica do senhor. Essa moça, amiga minha, pensou em mim e me levou. Assim que me viu, a senhora disse: é exatamente o que eu queria. O episódio reflete a categoria de Dora del Hoyo, que não é feia, mas sabe rir de si mesma”. Relato testemunhal de Encarnación Ortega Pardo sobre Josemaria Escrivá, AGP, série A-5, 232-1-2. Rosalía López, que viveu muitos anos com Dora del Hoyo, lembra-se de a ter ouvido contar outra história, em sentido contrário: numa casa não a quiseram contratar porque tinha pintado o cabelo de loiro e a senhora não considerava adequado que uma jovem loira servisse o seu marido. Cf. nota de Rosalía López, 28 de novembro de 2009, AGP, sérieS.2.4.; nota de Isabel García Martín, 20 de outubro de 2009, AGP, série S.2.4.

[22] A família dos Almunia remonta ao século XIV. Durante o século XX, o marquesado de Almunia foi ocupado por Luis de Almunia y Bordalonga, VI marquês de Almunia, casado com María Vicenta de León y Núñez Robres. Seu herdeiro foi Joaquín Almunia de León (1901-1995), engenheiro civil, casado com María Begoña Amman Martínez de Baeza, pais de Joaquín Almunia Amman, ministro do governo espanhol de 1982 a 1991, membro destacado do Partido Socialista Obrero Español.

[23] Cf. entrevista de Ana Sastre a Dora del Hoyo em Roma, 4 de junho de 1998.

[24] Cf. entrevista de Ana Sastre a Dora del Hoyo em Roma, 4 de junho de 1998. Em 1944, o duque de Nájera era Don Juan Travesedo, capitão honorário da cavalaria e camareiro-mor; nascido em Madri em 25 de janeiro de 1890 e casado desde 15 de outubro de 1920 com María del Carmen Martínez Rivas, filha do fundador da Astilleros Nervión. Eles moravam na praça do Marquês de Salamanca, 6. Dados fornecidos por José Luis Sam-pedro Escolar, membro da Real Academia Matritense de Heráldica e Genealogia. O ducado de Nájera foi concedido pelos Reis Católicos à família Manrique de Lara, ligada a Logroño. Esta família também é conhecida porque Ignacio de Loyola foi temporariamente cavaleiro ou pajem do duque de Nájera, Antonio Manrique de Lara. Sobre esta família, cf. Waldo Giménez ROMERA,Crónica de la provincia de Logroño, Madrid, Rubio y Compañía, 1867; Tomás LERENA – Demetrio GUINEA,Señores de la guerra, tiranos y vasallos, Logroño, Piedra del Rayo, 2006.

[25] Cf. entrevista de Ana Sastre a Dora del Hoyo em Roma, 4 de junho de 1998.

[26] Infelizmente, não há registros dos trabalhos de Salvadora del Hoyo antes de entrar em contato com a residência Moncloa. O que foi escrito baseia-se em suas próprias lembranças, sobre as quais ela não pôde fornecer dados mais concretos.

[27] Cf. entrevista de Ana Sastre a Dora del Hoyo em Roma, 4 de junho de 1998. Anos mais tarde, em 1975, após a morte de Josemaria Escrivá, uma das religiosas da congregação de Maria Imaculada escreveu sobre a pessoa do fundador do Opus Dei: “No outono de 1943, vi Mons. Escrivá pela primeira vez em Madri [...]. O padre Josemaria explicou que estava instalando em Madri a primeira grande residência universitária: La Moncloa, e nos que fornecêssemos empregadas domésticas para a residência. Ao mesmo tempo, ele nos pediu conselhos práticos sobre os trabalhos administrativos que poderíamos transmitir às associadas da Obra que começariam a ocupar-se dessas tarefas. O Padre tinha uma grande preocupação em qualificar o trabalho das pessoas que se dedicam às tarefas domésticas, dando-lhes dignidade, prestígio profissional e grande responsabilidade, pois lhes é confiado muito no plano espiritual e humano [...]. Pudemos fornecer algumas das nossas meninas, que se integraram perfeitamente à Residência. Tivemos a alegria de que duas delas receberam do Senhor a vocação para o Opus Dei, onde têm perseverado com fidelidade e eficácia: Salvadora del Hoyo e Concepción Andrés [...]. [O padre Josemaria] nunca esqueceu a ajuda que pudemos lhe prestar nos primórdios da Residência Moncloa, e repetia o seu agradecimento sempre que podia [...]. [Sempre] que nos visitava, ficava impressionada com o carinho com que falava do trabalho de suas filhas na administração da Moncloa, que elas ainda não dominavam, mas que enchia o Padre de orgulho e admiração. Ele nos dizia: Todos os começos são muito duros e difíceis, mas minhas filhas não desanimam. E acrescentava: Você, Madre, ajude-as”. Testemunho de Carmen Barrasa, 18 de novembro de 1975, AGP, série A-5, 195-3.3.

[28] Cf. Ana SASTRE, Tiempo de caminar, Madri, Rialp, 1999, pp. 305-308.

[29] Aqueles que a conheceram anos depois, apontaram que Dora del Hoyo era apaixonada por futebol, gostava de cinema e música clássica. Possivelmente adquiriu esses gostos nesses anos. Cfr. por exemplo, os depoimentos de Paula Assen (datado em Sidney, em 17 de março de 2004), María del Carmen Cominges (Valência, 12 de março de 2005) e Ángeles Calvo González (Madri, 22 de março de 2004), AGP, série S.2.4.

[30] Nesse impasse, Del Hoyo cedeu, mas não aceitou a data que lhe foi indicada para se apresentar; ele queria passar seu dia de santo na casa da família onde trabalhava. Ela foi à Moncloa no dia seguinte. Cf. entrevista com Dora del Hoyo, Roma, 11 de setembro de 2000. Parece tratar- se do aniversário (10 de janeiro) e não do dia do santo (6 de agosto), porque o primeiro diário da administração da residência começou a ser escrito com a data de 28 de setembro de 1943, dia em que o grupo de pessoas que se encarregaria da atenção doméstica se mudou para essa casa. Além disso, fala-se ali de uma nova empregada que chegou em janeiro e adoeceu com angina (como se verá mais adiante), embora não seja indicado o seu nome. Cf. diário da administração de Moncloa, 8 e 27 de janeiro de 1944, AGP, série U-2.2, D-1217.

[31] Cf. entrevista de Ana Sastre a Dora del Hoyo em Roma, 4 de junho de 1998, e entrevista de 11 de setembro de 2000.

[32] Cf. entrevista de Ana Sastre a Dora del Hoyo em Roma, 4 de junho de 1998. Na entrevista de 2000, Del Hoyo lembrou que também estavam lá María Amparo Rodríguez Casado, que por motivo de doença não podia trabalhar, e cerca de sete moças contratadas (além da que ia lavar e de Concepción Andrés, que era assistente, ou seja, trabalhava por horas, e que depois ficou a morar lá).

[33] Cf. entrevista de Ana Sastre a Dora del Hoyo em Roma, 4 de junho de 1998.

[34] Cf. entrevista de Ana Sastre a Dora del Hoyo em Roma, 4 de junho de 1998 e entrevista de 11 de setembro de 2000; relato recolhido em Recuerdos de nuestro Padre, Roma, 2002, pp. 283 e 290 AGP, P22.

[35] Cf. “Iniciativas”, 2006, p. 267, AGP, P16.

[36] Cf. entrevista com Dora del Hoyo, Roma, 11 de setembro de 2000.

[37] Entrevista de Ana Sastre a Dora del Hoyo em Roma, 4 de junho de 1998.

[38] Cf. entrevista de Ana Sastre a Dora del Hoyo em Roma, 4 de junho de 1998 e entrevista de 11 de setembro de 2000.

[39] Cf. diário da administração de Abando, 19 de setembro de 1945, AGP, série U-2.2, D-241.

[40] Cf. entrevista a Dora del Hoyo, Roma, 11 de setembro de 2000.

[41] Tinham-se mudado para lá a 16 de setembro. Cf. diário da administração de Abando, 16 de setembro de 1943, AGP, série U-2.2, D-241.

[42] Cf. entrevista de Ana Sastre a Dora del Hoyo em Roma, 4 de junho de 1998.

[43] Cf. entrevista de Ana Sastre a Dora del Hoyo em Roma, 4 de junho de 1998, e entrevista de 11 de setembro de 2000. Del Hoyo lembrava que os primeiros residentes eram muito desorganizados, o que multiplicava o trabalho. Pouco a pouco, eles foram mudando.

[44] Cf. entrevista com Dora del Hoyo, Roma, 11 de setembro de 2000.

[45] Cf. entrevista de Ana Sastre a Dora del Hoyo em Roma, 4 de junho de 1998.

[46] Cf. diário da administração de Abando, 14 e 15 de março de 1946, AGP, série U-2.2, D-243.

[47] Naquela época, elas eram chamadas de numerárias servas, pois esse era o nome da função que exerciam; anos mais tarde, em 1965, São Josemaria mudou a nomenclatura para numerárias auxiliares. Cf. O trabalho da Administração, p. 16, AGP, P19.

[48] Cf. diário da administração de Los Rosales, 3 de maio de 1946, AGP, série U-2.2, D-1359.

[49] Cf. “Iniciativas”, 2006, pp. 454-456, AGP, P16.

[50] Cf. “Iniciativas”, 2006, p. 458, AGP, P16.

[51] Cf. diário da administração de Los Rosales, 22 de julho de 1946, AGP, série U-2.2, D-1360

[52] Cf. SASTRE, Tiempo de caminar, p. 339.

[53] Alguns desses estudantes seriam chamados ao sacerdócio, para atender especialmente aos fiéis do Opus Dei.

[54] Cf. Pilar URBANO, El hombre de Villa Tevere. Los años romanos de Josemaria Escrivá, Barcelona, Plaza & Janés, 1995, pp. 375-433.

[55] Sobre os escritos do fundador do Opus Dei, cf. José Luis ILLANES,Obra escrita y predicación de san Josemaria Escrivá, «Studia et Documenta» 3 (2009), pp. 203-276.

[56] Notícias, 1984, pp. 284-285, AGP, P02.

[57] Cf. relato sobre o falecimento de Dora, p. 4, AGP, série S.2.4. Não está datado nem assinado. Foi escrito por uma das testemunhas daqueles dias, pouco tempo depois da morte de Dora del Hoyo.

[58] Cf. Notícias, 2004, p. 50, AGP, P02.

* NT: Atualmente, repousam aí também Mons. Javier Echevarría (falecido em dezembro de 2026) e Rosalía López (falecida em abril de 2024).


Artigo original publicado por Ana Sastre en la revista especializada Studia et Documenta, do Instituto Histórico San Josemaría Escrivá de Balaguer.

Ana Sastre