Evangelho de domingo: viver a vida de Cristo

“Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanece em mim e Eu nele, esse dá muito fruto, pois, sem mim, nada podeis fazer.” O próprio Cristo quer podar-nos, para que possamos viver a Sua própria vida. Quer introduzir-nos na Sua Paixão, que a incorporemos na nossa própria vida, que a encarnemos. Desta forma, recebemos uma nova forma de ser. A vida de Cristo torna-se também a nossa vida: podemos pensar como Ele, agir como Ele, ver o mundo e as coisas com os olhos de Jesus.

Opus Dei - Evangelho de domingo: viver a vida de Cristo

Evangelho (Jo 15, 1-8)

«Eu sou a videira verdadeira e o Meu Pai é o agricultor. Ele corta todo o ramo que não dá fruto em mim e poda o que dá fruto, para que dê mais fruto ainda. Vós já estais purificados pela palavra que vos tenho anunciado.
Permanecei em Mim, que Eu permaneço em vós. Tal como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, mas só permanecendo na videira, assim também acontecerá convosco, se não permanecerdes em Mim. Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanece em Mim e Eu nele, esse dá muito fruto, pois, sem Mim, nada podeis fazer. Se alguém não permanece em Mim, é lançado fora, como um ramo, e seca. Esses são apanhados e lançados ao fogo, e ardem.
Se permanecerdes em Mim e as Minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes, e assim vos acontecerá. Nisto se manifesta a glória do Meu Pai: em que deis muito fruto e vos comporteis como Meus discípulos.»


Comentário

Jesus Cristo está a despedir-se dos Seus amigos íntimos. É difícil deixar os Seus.

Rodeado pelos doze apóstolos, na Última Ceia, o tempo passa num ambiente de grande intimidade. Abre-lhes o coração e mostra-lhes a profundidade do Seu amor.

Noutras ocasiões, tinha-lhes falado do Reino dos Céus, comparando-o a uma vinha que é arrendada a agricultores. Agora, introduz algo novo. Ele é a videira.

Não diz: "vós sois a videira", nem "vós sois os lavradores da vinha".

Mas, "Eu sou a videira, vós os ramos". O próprio filho, que na parábola da vinha era o herdeiro, está agora identificado com a videira. Ele entrou na vinha, no mundo, e tornou-se uma videira. Permitiu ser plantado na terra.

Com isto, Jesus Cristo está a mostrar-lhes a profundidade do Amor de Deus. A videira já não é uma criatura que Deus olha com amor. Ele próprio se tornou uma videira, identificou-se para sempre com a videira, com a humanidade, com a vida de cada um de nós.

Por esta razão, a videira nunca pode ser arrancada, nunca pode ser abandonada aos ladrões e salteadores. Pertence definitivamente a Deus, porque nela vive o próprio Filho de Deus.

A promessa feita a Abraão, Isaac, Jacob, Moisés, David, os profetas, tornou-se definitiva. Com a Sua Encarnação, Deus comprometeu-Se, o Seu amor é irrevogável.

Mas, ao mesmo tempo, a imagem da vinha e dos ramos fala-nos de uma exigência desse amor. É dirigido a cada um de nós, exigindo uma resposta. É necessário entrar nesta corrente de amor; remover, podar, purificar tudo o que impede esta corrente de alcançar o último recanto deste mundo.

O vinhateiro pega na tesoura e poda os ramos para que tenham mais sol e luz, para que possam dar cachos de uvas saborosas. O próprio Cristo quer podar-nos, para que possamos viver a Sua própria vida. Ele quer introduzir-nos na Sua Paixão, para que possamos incorporá-la na nossa própria vida, para que possamos encarná-la.

Desta forma, recebemos uma nova forma de ser. A vida de Cristo torna-se também a nossa vida: podemos pensar como Ele, agir como Ele, ver o mundo e as coisas com os olhos de Jesus.

E como consequência, podemos amar os outros como Ele o fez: no Seu coração, do Seu coração, com o Seu coração. E assim podemos trazer ao mundo frutos de bondade, caridade e paz.

Este é o desejo de Jesus Cristo: arrancar o nosso coração de pedra, e dar-nos um coração de carne, cheio de vida, um coração compassivo e misericordioso. E pede-nos que nos coloquemos nas Suas mãos feridas, para que possa remover da nossa vida aquilo que nos estorva, aquilo que nos separa de Deus.

As pequenas mortificações são precisamente uma forma de dizer ao Senhor que nos tire os nossos orgulhos, avarezas, aborrecimentos, iras, preguiças, invejas, egoísmos, vaidades, ressentimentos, impurezas. Permitimos que o Espírito Santo possa podar tudo o que não é viver em Cristo. Faz que o nosso coração tenha a medida do coração de Jesus Cristo.

Se permitirmos que a ação de Deus entre na nossa vida, então permanecemos no Seu amor, damos o verdadeiro fruto. Com as nossas pequenas mortificações e atos de penitência estamos a dizer a Deus: "Quero viver em Ti, por Ti, conTigo"; "Quero tornar presente o poder do Teu amor onde quer que eu esteja".

Portanto, não se trata de fazer grandes mortificações, mas de as fazer com amor, pedindo ao Senhor que mude o nosso coração e o ponhamos nos outros.

Cristo dá-nos assim uma vida apaixonada. Fazemos nossa a Sua vida e morte, para que Ele possa viver em nós através do amor. E torna-nos capazes de seguir os Seus passos, corredimindo todas as almas, levando a Sua vida redentora a todos os lugares onde nos encontramos.(cf. S. Josemaria, Via Sacra, XIV Estação).