"As pessoas são mesmo uma maravilha"

Um grupo de rapazes do ensino secundário da cidade de Nova Iorque passaram as suas férias de Inverno na Guatemala a fazer tudo o que podiam para melhorar a vida das pessoas numa aldeia pobre das montanhas.

Iniciativas sociais
Opus Dei - "As pessoas são mesmo uma maravilha"

Os rapazes passaram uma semana em Santa Catarina Palopó, Guatemala, durante as férias de Inverno a trabalhar na estação local de tratamento de água e a dirigir um acampamento para crianças na aldeia situada perto do Lago Atitlán nas montanhas da Sierra Madre.

Em novembro, o Papa Francisco, na sua homilia para o Dia Mundial dos Pobres, incentivou todos os cristãos a refletir profundamente se têm feito tudo o que está ao seu alcance para cuidar dos pobres no nosso mundo. Meditando sobre a parábola dos talentos, o Santo Padre recordou-nos que não basta evitar o mal, devemos procurar fazer o bem.


Foi com este espírito que o Projecto de Assistência à Guatemala foi iniciado e tem sido realizado desde 1998. O Dr. John Bickford, diretor deste projecto, enfatizou a pobreza na aldeia e as necessidades reais destas pessoas que, disse ele, "são mesmo uma maravilha".

O principal projeto dos rapazes do ensino secundário foi ajudar a construir um reservatório para a estação de tratamento de água de Santa Catarina. Com a introdução de fertilizantes e produtos químicos modernos na agricultura local, a necessidade de tratar a água torna-se ainda maior.


O primitivamente puro Lago Atitlán, para onde naturalmente se escoam as águas do terreno envolvente da aldeia, está a atingir um nível crítico de poluição, e as preocupações com o seu curso de água são grandes. Como a água do lago é a que serve toda a aldeia para cozinhar, limpar e lavar, a estação de tratamento de água tem uma importância vital na vida de Santa Catarina e das suas gentes. Na realidade, a instalação precisava mais do que o dobro do tamanho se houvesse recursos e fundos disponíveis. Mas os jovens norteamericanos ficaram contentes em passar as suas férias de Inverno ajudando a melhorar uma parte importante do processo de tratamento.

O projeto deste ano exigiu muitos pormenores de coordenação – muitas toneladas de brita, areia e cimento e grandes pilhas de blocos de betão. E o trabalho foi difícil! Nigel, um sénior de Brooklyn, e que já participou duas vezes no Projeto de Assistência à Guatemala, comentou: "A cidade de Santa Catarina tem uma grande necessidade do trabalho que prestámos; por isso, cada um de nós ficou feliz por fazer tudo o possível pelas pessoas".

Mas o que poderiam fazer uns poucos estudantes do ensino secundário em apenas uma semana? Que impacto podem eles ter realmente?


Um passeio por Santa Catarina dará a resposta. Uma semana pode não parecer muito, mas ano após ano, começa a ver-se a diferença. Aqui, uma casa que os rapazes construíram para uma família muito pobre há um ano; ali, um campo de basquete para a escola. Aqui, a perigosa e alta viela da aldeia na encosta da montanha que eles nivelaram e pavimentaram. Grande parte da própria estação de tratamento de água é o resultado do trabalho de grupos de rapazes do ensino secundário que dão uma semana da sua vida em cada ano.

Um zelo pela solidariedade marcou o espírito da viagem com a perceção de que os habitantes de Santa Catarina eram seus irmãos e irmãs. Após um árduo dia de trabalho, os rapazes organizaram um acampamento para as crianças da aldeia na praça da cidade. Depois, grupos deles acompanhavam algumas delas a suas casas, levando coisas de primeira necessidade em falta, como roupas e sapatos e também brinquedos que tinham angariado nos Estados Unidos.

Na Guatemala, não há ensino público a seguir à escola primária. As crianças de famílias pobres começam a trabalhar numa idade muito precoce para ajudar a sustentar a família. Não é raro ver crianças de 11 anos a trabalhar em bancas de mercadorias ou como vendedores ambulantes nas ruas.

Por isso, antes de partirem, os rapazes também angariaram fundos para dar bolsas de estudo às crianças de Santa Catarina, para lhes permitir frequentar uma escola secundária na cidade mais próxima. O Dr. Bickford destacou a importância desse esforço, considerando-o como o verdadeiro impacto a longo prazo que o projeto poderia ter. Permitir que alguns alunos ano após ano continuem os seus estudos, ajudará a resolver a pobreza cíclica na aldeia; e também durante o resto do ano, quando os jovens estão a milhares de quilómetros de distância. A seleção dos alunos que recebem ajuda é feita pelo director da escola primária em Santa Catarina, que identifica os alunos merecedores que aproveitarão efetivamente a oportunidade.


Os jovens do ensino secundário também puderam testemunhar a seriedade com que os alunos agarraram a oportunidade de continuar a sua educação. O diretor passou palavra e os estudantes bolseiros e as famílias reuniram-se na escola primária numa cerimónia improvisada. O diretor apresentou os seus ex-alunos com orgulho evidente, e permitiu que ‘brilhassem’ ao explicarem o que estudavam, cheios de gratidão e otimismo para o futuro.

Nenhum foi mais agradecido do que os pais, que dominaram a emoção e lutaram para expressar a sua gratidão no seu dialeto local, o kaqchikel. Uma mãe foi ter com o Dr. Bickford depois da cerimónia, apertando nas mãos um lenço branco feito à mão e dizendo em espanhol: "Obrigada, obrigada, obrigada".

Como disse o Papa Francisco ao concluir a sua homilia para o Dia Mundial dos Pobres, com sentimentos partilhados por S. Josemaria: “Que o Senhor nos conceda a sabedoria para buscar o que realmente importa e a coragem de amar, não por palavras mas com obras”.