O Advento alegre de Bento XVI

Bento XVI, em seus discursos e homilias, desenvolveu as idéias expressas pelas palavras que caracterizam este tempo de Advento: alegria, espera, conversão e presença... Esta é uma seleção de suas melhores e mais recentes idéias.

Da Igreja e do Papa

- “Os cristãos adotaram a palavra ‘advento’ para expressar a sua relação com Jesus Cristo: Jesus é o Rei, que entra nesta pobre ‘província’ denominada terra para visitar a todos; na festa de seu advento, faz participar todos os que n'Ele crêem, todos os que crêem em sua presença em meio à assembléia litúrgica”.

- "Pela palavra ‘Adventus’, pretendia-se dizer: Deus está aqui, ele não se retirou do mundo, não nos deixou a sós. Embora não possamos vê-lo nem tocá-lo como acontece com as realidades sensíveis, Ele está aqui e vem visitar-nos em diversos modos”.

- “O significado da expressão ‘advento’ compreende então também o de visitatio, que quer dizer simples e diretamente ‘visita’; neste caso, trata-se de uma visita divina: Ele entra em minha vida e quer se dirigir a mim. Todos experimentamos, na existência quotidiana, o fato de termos pouco tempo para o Senhor e pouco tempo também para nós. Acabamos deixando-nos absorver pelo ‘fazer’. Não seria, talvez, apropriado dizer que somos muitas vezes tomados pela atividade, que a sociedade com seus múltiplos interesses monopoliza a nossa atenção? Não seria talvez apropriado afirmar que se dedica muito tempo à diversão e ao lazer de diferentes tipos?

- “O Advento, este tempo litúrgico forte que estamos iniciando, nos convida a parar em silêncio para compreender uma presença. É um convite a entender que cada evento do dia são sinais que Deus dirige a nós, prova da atenção que Ele tem por cada um de nós. Quão frequentemente Deus nos faz perceber algo de seu amor!”

- “O homem, em sua vida, está em constante espera: quando é criança, quer crescer; quando adulto, busca a realização e o sucesso; com o passar dos anos, aspira ao merecido repouso. Mas chega o tempo no qual ele descobre que esperou pouco se, independente da profissão ou do status social, não lhe resta mais nada para esperar. A esperança marca o caminho da humanidade, mas para os cristãos esta é animada por uma certeza: o Senhor está presente no correr da nossa vida, nos acompanha e um dia enxugará também as nossas lágrimas”.

- “Se o presente permanece vazio, cada segundo que passa parece infinitamente longo, e a espera se transforma num fardo muito pesado, porque o futuro permanece totalmente incerto. Quando, porém, o tempo é dotado de sentido, e em cada instante percebemos algo de específico e de válido, então a alegria da espera torna o presente mais precioso“.

- “[Deus] nos fala em diversos modos: na Sagrada Escritura, no ano litúrgico, nos santos, nos eventos da vida cotidiana, em toda a criação, que muda de aspecto conforme a condição de que Ele lhe esteja por detrás ou que seja ofuscada pela névoa de uma origem incerta e de futuro incerto. Por sua vez, nós podemos falar com Ele, apresentar a ele os sofrimentos que nos afligem, a impaciência, as perguntas que brotam no coração”.

- “Acreditemos que Ele sempre nos ouve! E se Jesus está presente, não existe mais nenhum momento vazio e sem sentido. Se Ele está presente, podemos prosseguir esperando também quando os outros não podem nos assegurar ajuda; também quando o presente se torna cansativo”.

- “Para mim é motivo de grande júbilo saber que em vossas famílias se conserva a tradição de montar o presépio. Porém, ainda que importante, repetir este gesto tradicional não é suficiente. É necessário buscar viver, na realidade do dia-a-dia, aquilo que o presépio representa, isto é, o amor de Cristo, a sua humildade, sua pobreza”.

- “O presépio é uma escola de vida, do qual podemos aprender o segredo da verdadeira felicidade. Esta não consiste de muitas posses, mas em nos sentirmos amados pelo Senhor, em doar-se aos outros e no querer bem”.

- “Olhemos para o presépio: Nossa Senhora e São José não parecem uma família de muita sorte; tiveram seu primeiro filho em meio a grandes dificuldades; e, no entanto, estão plenos de alegria interior, porque se amam, se ajudam, e, principalmente, porque estão certos de que Deus está a operar em sua história, o Qual se fez presente no pequeno Jesus”.

- “Para sermos felizes, necessitamos não apenas de coisas, mas também de amor e de verdade: necessitamos de um Deus próximo, que aqueça nosso coração, que responda aos nossos anseios mais profundos”.

- “Que alegria imensa ter como mãe Maria Imaculada! Todas as vezes que sentimos a nossa fragilidade e a instigação do mal, podemos nos dirigir a Ela, e o nosso coração recebe luz e conforto".