Jerusalém: Via Dolorosa

Ao longo dos séculos, multidões de cristãos contemplaram a morte redentora de Jesus na cruz e a Sua ressurreição: o mistério pascal, que está no centro da nossa fé. Com a passagem do tempo, a meditação daqueles fatos originou algumas devoções. Entre elas está a prática da via sacra.

Conhecer a Terra Santa

Queres acompanhar Jesus de perto, muito de perto?... Abre o Santo Evangelho e lê a Paixão do Senhor. Mas ler só, não: viver. A diferença é grande. Ler é recordar uma coisa que passou; viver é achar-se presente num acontecimento que está ocorrendo agora mesmo, ser mais um naquelas cenas (Via Sacra, IX estação, ponto 3).

Procissão da Sexta-Feira Santa pela Via Dolorosa, em que participam os fiéis de Jerusalém. Firma: Marie-Armelle Beaulieu/CTS.

O mistério pascal da cruz e ressurreição de Cristo está no centro da Boa-Nova que os Apóstolos, e depois deles a Igreja, devem anunciar ao mundo. O desígnio salvífico de Deus cumpriu-se de "una vez por todas" (Heb 9, 26) pela morte redentora do seu Filho Jesus (Cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 571).

Com o passar do tempo, a meditação daqueles acontecimentos fixou-se em algumas devoções, entre as quais se destaca a Via Sacra.

Como sabemos, este exercício tem por objetivo considerar com espírito de compunção e compaixão a última e mais dolorosa parte dos sofrimentos do Senhor, acompanhando-O espiritualmente no caminho que percorreu, carregando a Cruz, desde o Pretório de Pilatos até ao Calvário, e aí, desde que foi cravado no patíbulo até ser depositado no Sepulcro.

A prática da Via Sacra fundamenta-se na veneração pelos Santos Lugares, onde não era necessário imaginar os cenários da Paixão, já que estavam à vista e eram percorridos fisicamente. Uma lenda piedosa - recolhida em De transitu Mariae, um apócrifo siríaco do Século V - conta que a Virgem Santíssima caminhava diariamente pelos lugares onde o seu Filho tinha sofrido e derramado o seu sangue (Cf. Dictionnaire de spiritualité, II, col. 2577).

Chegou até nós - através de São Jerônimo - o testemunho da peregrinação à Palestina que a nobre Santa Paula realizou entre os anos 385 e 386: em Jerusalém, "visitava com grande fervor e empenho todos os lugares, de tal modo que, como não tinha pressa para ver os outros, não se conseguia arrancá-la dos primeiros. Prostrada perante a cruz, adorava o Senhor como se O estivesse a ver cravado nela. Entrou no sepulcro da Anastasis e beijava a pedra que o anjo daí tinha removido. O próprio lugar em que o Senhor tinha jazido, acariciava-o com a boca, tal a sua fé, como alguém sedento que encontrou as águas desejadas. Quantas lágrimas derramou ali, quantos gemidos de dor, testemunhou-os toda a Jerusalém, testemunhou-os o Senhor a quem orava" (São Jerônimo, Epitaphium sanctae Paulae, 9).

Na Cidade Velha, a Via Dolorosa está assinalada em árabe, hebreu e latim. Firma: Leobard Hinfelaar.

Também conhecemos bastantes detalhes de algumas cerimônias litúrgicas que se realizavam em Jerusalém na mesma época, graças à peregrina Egéria, que visitou a Terra Santa em finais do século IV. Muitas consistiam na leitura dos relatos evangélicos relacionados com cada lugar, a recitação de alguns salmos e o canto de hinos. Além disso, ao descrever as cerimônias sagradas de Quinta e Sexta-Feira Santas, narra que os fiéis iam em procissão desde o Monte das Oliveiras até ao Calvário: "vai-se a pé até à cidade, com hinos, e chega-se à porta à hora em que se começa a distinguir um homem do outro; depois, no interior da cidade, todos, sem nenhuma exceção, grandes e pequenos, ricos e pobres, estão presentes; ninguém deixa de participar, especialmente nesse dia, na vigília até à aurora. Dessa forma se acompanha o Bispo desde Getsêmani até à porta, e, desde aí, atravessando toda a cidade, até à Cruz" (Itinerarium Egeriae, XXXVI, 3 (CCL 175, 80)).

Esquema do percurso da Via Dolorosa.

Segundo outros testemunhos posteriores, parece que se foi definindo pouco a pouco o caminho pelo qual Jesus tinha passado através das ruas de Jerusalém, ao mesmo tempo em que também se determinavam as Estações, quer dizer, os sítios onde os fiéis se detinham para contemplar cada um dos episódios da Paixão. Os Cruzados - nos séculos XI e XII - e os Franciscanos – a partir do século XIV – contribuíram em grande medida para fixar essas tradições. Deste modo, na Cidade Santa, durante o Século XVI já se seguia o mesmo itinerário que se percorre atualmente, conhecido como Via Dolorosa, com a divisão em catorze estações.

Costume

A partir de então, fora de Jerusalém estendeu-se o costume de estabelecer a Via Sacra para que os fiéis considerassem essas cenas, à imitação dos peregrinos que iam pessoalmente à Terra Santa: difundiu-se primeiro em Espanha - graças ao Beato Álvaro de Córdoba, dominicano – e, daí, passou à Sardenha, e mais tarde ao resto da Europa. Entre os divulgadores desta devoção, São Leonardo de Porto Maurício ocupa um lugar destacado: de 1731 a 1751, no decurso de umas missões em Itália, erigiu mais de 570 Vias Sacras; e quando Bento XIV quis colocar a do Coliseu, em 27 de Dezembro de 1750, foi ele o pregador durante a cerimônia. Os Romanos Pontífices também têm fomentado esta prática piedosa concedendo indulgências aos que a realizam.

A contemplação dos padecimentos do Senhor leva ao arrependimento dos próprios pecados, fomentando o desagravo e a reparação.

A contemplação dos padecimentos do Senhor leva ao arrependimento dos próprios pecados, fomentando o desagravo e a reparação. Quando as cenas se revivem na Via Dolorosa, a proximidade pode ajudar a que a alma se inflame ainda mais no amor a Deus. É, certamente, impossível saber se esse itinerário coincide com o trajeto exato do Senhor, pois o traçado das ruas, em linhas gerais, data da reconstrução romana de Jerusalém realizada no tempo de Adriano, no ano 135. Seria necessária uma investigação arqueológica que atingisse o nível da cidade na primeira metade do século I, e nem sequer assim se resolveriam todas as interrogações. Fora esta falta de certeza, a Via Dolorosa é a Via Sacra por excelência, a que os cristãos percorreram durante séculos. Quanto às catorze estações, a maioria foi tirada diretamente do Evangelho, e outras chegaram até nós através da tradição piedosa do povo cristão. Vamos segui-las pela mão de São Josemaria, que as meditou com particular vivacidade.

I estação: Jesus é condenado à morte

Todas as sextas-feiras, às três da tarde, se celebra em Jerusalém uma procissão que percorre a Via Dolorosa. Preside-a o Custódio de Terra Santa ou alguém que o represente, acompanhado por numerosos peregrinos, fiéis residentes em Jerusalém e frades franciscanos. O ponto de partida é o pátio da escola islâmica de El-Omariye, situada no ângulo noroeste da esplanada do Templo. Uma vez que, no século I se elevava ali a torre Antonia, que acolhia a guarnição romana aquartelada na cidade, tradicionalmente se identifica com o pretório onde se realizou o julgamento de Jesus ante o governador Pôncio Pilatos.

Pátio da escola islâmica de El-Omariye. Firma: Israel Tourism (Flickr).

Está para pronunciar-se a sentença. Pilatos troça: ecce rex vester! (Jo 19, 14). Os pontífices respondem enfurecidos: não temos outro rei, senão César (Jo XIX, 15).

Senhor, onde estão os Teus amigos? Onde estão os Teus súbditos? Deixaram-Te. É uma debandada que dura há vinte séculos... Fugimos todos da Cruz, da Tua Santa Cruz.

Sangue, quebranto, solidão e uma insaciável fome de almas... São o cortejo da Tua realeza. (Via Sacra, I estação, ponto 4).

II estação. Jesus toma a Sua Cruz

Saindo da escola e atravessando a Via Dolorosa, chega- se ao convento franciscano da Flagelação. Trata-se de um complexo construído em torno a um amplo claustro, com o Studium Biblicum Franciscanum à frente e duas igrejas aos lados: à direita, a da Flagelação, reconstruída em 1927 sobre as ruínas de outra do século XII; e à esquerda, a da Condenação, levantada em 1903. No muro exterior desta igreja, na rua, está assinalada a segunda estação: e, carregando com a cruz, saiu para o lugar que se chama a Caveira, em hebreu Gólgota (Jo 19, 17).

Preparam um cortejo, uma longa procissão, como se se tratasse de uma festa. Os juízes querem saborear a sua vitória, com um suplício lento e desapiedado. Jesus não encontrará a morte num abrir e fechar de olhos... É-Lhe dado tempo para que a dor e o amor continuem a identificar-se com a Vontade amabilíssima do Pai. (Via Sacra, II estação, ponto 2).

Saindo da escola, a poucos metros aparece o sinal da segunda estação. Distingue-se no lado direito da rua, assim como o arco do Ecce homo, ao fundo. Firma: Marie-Armelle Beaulieu/CTS.

Interior da igreja da Flagelação. Firma: Benjamin E. Wood (Flickr).

Um pouco mais adiante, a Via Dolorosa cruza um arco de meio ponto com um corredor construído por cima. É conhecido popularmente como o arco do Ecce Homo, e recorda o lugar onde Pilatos apresentou Jesus ao povo depois da flagelação e da coroação de espinhos. Na realidade, é o vão central de um arco de triunfo de que se conserva também a porta do lado norte no interior do convento das Damas de Sião: faz de retábulo na basílica do Ecce Homo, terminada no século XIX.

Do mesmo modo que esse elemento se considerava pertencente à torre Antonia, vários enlousados de pedra na mesma zona costumavam identificar-se com o lugar chamado Litóstrotos (Jo 19, 13): sobre tudo, são visíveis na igreja da Condenação e no convento das Damas de Sião. Com efeito, tanto o arco como os pavimentos são de origem romana, mas haveria que datá-los algo mais tarde, na época de Adriano.

Quando se percorre a Via Dolorosa, ao passar por este ponto vem à mente o muito que Cristo tinha sofrido já antes de carregar com a cruz: Pilatos, desejando contentar o povo, solta Barrabás e ordena que flagelem Jesus.

Atado à coluna. Cheio de chagas.

Ouvem-se os golpes dos azorragues na Sua carne rasgada, na Sua carne sem mancha, que padece pela tua carne pecadora. Mais golpes. Mais sanha. Mais ainda... É o cúmulo da crueldade humana.

Por fim, rendidos, lá desprendem Jesus. - E o corpo de Cristo rende-Se também à dor e cai, como um verme, truncado e meio morto. (Santo Rosário, 2º mistério doloroso).

Levam o meu Senhor ao pátio do pretório, e ali convocam toda a coorte (Mc 15, 16). - A soldadesca brutal desnudou a sua carne puríssima. - Com um farrapo de púrpura, velho e sujo, cobrem Jesus. - Por cetro, uma cana na mão direita...
A coroa de espinhos, cravada a marteladas, faz dEle um Rei de comédia... Ave Rex iudaeorum! - Salve, Rei dos judeus (Mc 15, 18). E, à força de pancadas, ferem-Lhe a cabeça. E esbofeteiam-nO... e cospem nEle.

Coroado de espinhos e vestido com andrajos de púrpura, Jesus é mostrado ao povo judeu: Ecce homo! Aí tendes o homem. E de novo os pontífices e seus ministros rompem aos gritos, clamando: - Crucifica-O!, crucifica-O! (Santo Rosário, 3º mistério doloroso).

Estremece o coração ao contemplar a Santíssima Humanidade do Senhor feita uma chaga (...). Olha para Jesus. Cada rasgão é uma censura; cada açoite, um motivo de dor pelas tuas ofensas e pelas minhas (Via Sacra, I estação, ponto 5).

III estação. Jesus cai pela primeira vez

A cena que se contempla na terceira estação está representada no retábulo da capela. Firma: Alfred Driessen.

A Via Dolorosa continua em ligeira descida até se cruzar com uma rua que vem da porta de Damasco; chama-se El-Wad —o vale— e segue o antigo leito da torrente do Tiropeon. Voltando à esquerda, quase na esquina, encontra-se uma pequena capela, pertencente ao Patriarcado Armênio católico, com a terceira estação.

O corpo extenuado de Jesus já cambaleia sob a Cruz enorme. Do Seu Coração amorosíssimo mal chega um alento de vida aos Seus membros chagados. À direita e à esquerda, o Senhor vê essa multidão que anda como ovelhas sem pastor. Poderia chamá-los um a um, pelos seus nomes, pelos nossos nomes. Aí estão os que se alimentaram na multiplicação dos pães e dos peixes, os que foram curados das suas doenças, os que doutrinou junto do lago e na montanha e nos pórticos do Templo.

Uma dor aguda penetra na alma de Jesus e o Senhor tomba extenuado.

Tu e eu não podemos dizer nada: agora já sabemos porque pesa tanto a Cruz de Jesus. E choramos as nossas misérias e, também, a ingratidão tremenda do coração humano. Do fundo da alma nasce um ato de profunda contrição, que nos arranca da prostração do pecado. Jesus caiu para que nos levantemos: uma vez e sempre. (Via Sacra, III estação).

IV estação. Jesus encontra Sua Mãe Santíssima

Avançando poucos metros, chega-se à quarta estação, onde há uma igreja, também dos armênios, em cuja cripta há adoração perpétua ao Santíssimo Sacramento. Nossa Senhora não abandona o Seu Filho durante a Paixão; de fato, vemo-La mais adiante no Gólgota.

A terceira estação e a quarta estão pegadas e pertencem ao Patriarcado Armênio católico. Firma: J. Paniello.

Mal Jesus se levantou da Sua primeira queda, encontra Sua Mãe Santíssima, junto do caminho por onde Ele passa.

Com imenso amor Maria olha para Jesus, e Jesus olha para a Sua Mãe; os Seus olhares encontram-se, e cada coração verte no outro a Sua própria dor. (...)Na escura solidão da Paixão, Nossa Senhora oferece ao seu Filho um bálsamo de ternura, de união, de fidelidade; um sim à Vontade divina.

Pela mão de Maria, tu e eu queremos também consolar Jesus, aceitando sempre e em tudo a Vontade do Seu Pai, do nosso Pai. (Via Sacra, IV estação ).

V estação. Simão Cireneu ajuda Jesus a levar a Cruz

Em seguida deixa-se a rua de El-Wad e volta-se à direita, para tomar de novo a Via Dolorosa. Este tramo é muito característico da Cidade Velha: estreito e empinado, com escadas de poucos em poucos passos e numerosos arcos que cruzam a rua por cima, unindo os edifícios dos dois lados. Logo no início, à esquerda, há uma capela que já no século XIII era dos franciscanos, onde se recorda a quinta estação: intimam um homem que vinha duma granja, chamado Simão de Cirene, pai de Alexandre e de Rufo, e obrigam-no a levar a Cruz de Jesus (cfr. Mc XV, 21).

Interior da capela da quinta estação. Firma: J. Paniello.

No conjunto da Paixão, é bem pouco o que representa esta ajuda. Mas a Jesus basta um sorriso, uma palavra, um gesto, um pouco de amor para derramar copiosamente a sua graça sobre a alma do amigo (...). Às vezes, a Cruz aparece sem a procurarmos: é Cristo que pergunta por nós. E se por acaso, perante essa Cruz inesperada, e talvez por isso mais escura, o coração manifesta repugnância..., não lhe dês consolos. E, cheio de uma nobre compaixão, quando os pedir, segreda-lhe devagar, como em confidência: "Coração: coração na Cruz, coração na Cruz!" (Via Sacra, V estação).

VI estação. Uma piedosa mulher enxuga a face de Jesus

Pouco sabemos desta mulher. Uma tradição baseada em textos apócrifos identifica-a com a hemorroíssa de Cafarnaum, chamada Berenice; ao traduzir-se o seu nome para latim, converteu-se em Verônica. Na Idade-Média situa-se a sua casa aqui, até a meio da rua, onde hoje existe uma pequena capela com entrada direta desde a Via e em cima uma igreja greco católica.

Uma mulher, de nome Verônica, abre caminho por entre a multidão, levando um véu branco dobrado, com o qual limpa piedosamente o rosto de Jesus. O Senhor deixa gravada a sua Santa Face nas três partes desse véu.

O rosto bem-amado de Jesus, que sorrira às crianças e se transfigurara de glória no Tabor, está agora como que oculto pela dor. Mas esta dor é a nossa purificação; esse suor e esse sangue que embaçam e esfumam as suas feições, a nossa limpeza.
Senhor, que eu me decida a arrancar, mediante a penitência, a triste máscara que forjei com as minhas misérias... Então, só então, pelo caminho da contemplação e da expiação, a minha vida irá copiando fielmente os traços da tua vida. Ir-nos-emos parecendo mais e mais contigo. Seremos outros Cristos, o próprio Cristo, ipse Christus. (Via Sacra, V estação).

Coluna junto à sexta estação. Firma: Leobard Hinfelaar.

VII estação. Jesus cai pela segunda vez

Ao final da subida, a Via Dolorosa desemboca no Khan ez-Zait —o mercado do óleo—, o animado e concorrido mercado a que se entra pela porta de Damasco. Delimita os bairros muçulmano e cristão, e coincide com o antigo Cardo Massimo, a rua principal da Jerusalém romana e bizantina. A sétima estação encontra-se no cruzamento, onde há uma capelinha propriedade dos franciscanos.

A capela da sétima estação, que está dividida em dois ambientes, também é propriedade da Custódia da Terra Santa. Firma: Israel Tourism (Flickr).

Jesus cai pelo peso de madeiro... Nós, pela atração das coisas da terra. Prefere sucumbir a soltar a Cruz. Assim sara Cristo o desamor que a nós derriba. (Via Sacra, VII estação, ponto 1).

VIII estação. Jesus consola as filhas de Jerusalém

A poucos metros do lugar da segunda queda, tomando a rua de São Francisco, que sobe em direção oeste e prolonga a Via Dolorosa, chega-se à oitava estação.

Entre a multidão que contempla a passagem do Senhor, há algumas mulheres que não podem conter a sua compaixão e prorrompem em lágrimas, recordando talvez aquelas jornadas gloriosas de Jesus Cristo, quando todos exclamavam maravilhados: Bene omnia fecit (Mc 7, 37), fez tudo bem feito.

No lugar da oitava estação, há uma pedra redonda de pequenas dimensões, com uma cruz e uma inscrição lavradas: Jesus Cristo vence. Firma: Alfred Driessen.

Mas o Senhor quer dirigir esse pranto para um motivo mais sobrenatural, e as convida a chorar pelos pecados, que são a causa da Paixão e que hão de atrair o rigor da justiça divina:
Filhas de Jerusalém, não choreis por mim, mas chorai por vós e pelos vossos filhos... Porque, se assim se trata o lenho verde, que se fará com o seco? (Lc 23, 28. 31).
Os teus pecados, os meus, os de todos os homens, põem-se em pé. Todo o mal que fizemos e o bem que deixamos de fazer. O panorama desolador dos delitos e infâmias sem conta, que teríamos cometido se Ele, Jesus, não nos tivesse confortado com a luz do seu olhar amabilíssimo.
Que pouco é uma vida para reparar tudo isso! (Via Sacra, VIII estação ).

IX estação. Jesus cai pela terceira vez

Para ir à nona estação, talvez antigamente houvesse uma passagem mais direta, mas hoje em dia é necessário voltar atrás até Khan ez-Zait, segui-lo uns metros na direção sul, e subir uma escadaria que se abre no lado direito da Via. No final de uma viela, uma coluna assinala a terceira queda. Está colocada numa esquina, entre um acesso ao terraço do convento etíope e a porta da igreja copta de Santo António.

O Senhor cai pela terceira vez, na ladeira do Calvário, quando faltam apenas quarenta ou cinquenta passos para chegar ao cimo. Jesus não se tem em pé: faltam-Lhe as forças e, esgotado, jaz por terra (Via Sacra, IX estação ).

Desde a nona estação, pode-se chegar ao pátio da basílica do Santo Sepulcro através do terraço do convento etíope. Firma: Marie-Armelle Beaulieu/CTS.

Agora compreendes como fizeste sofrer Jesus, e te enches de dor: que simples pedir-Lhe perdão e chorar as tuas traições passadas! Não te cabem no peito as ânsias de reparação!
Muito bem. Mas não esqueças que o espírito se penitência consiste principalmente em cumprir, custe o que custar, o dever de cada instante (Via Sacra, IX estação, ponto 5).

O Lugar onde se recorda a última queda do Senhor fica a poucos metros da basílica do Santo Sepulcro. De fato, as últimas cinco estações da Via Dolorosa encontram-se no seu interior. Para lá ir, una opção é voltar ao mercado e percorrer algumas ruas até chegar à praça que se abre em frente à entrada, na fachada sul; é o itinerário habitual da procissão das sextas-feiras. A outra opção, mais curta, consiste em cruzar o terraço do convento etíope — que, por sua vez é a cobertura de uma das capelas inferiores da basílica —, e descer atravessando o edifício, que tem uma saída direta para a praça, junto ao lugar do Calvário. meditaremos as seguintes cenas da Paixão no próximo artigo.